sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Pouco

Vou indo pra bem longe, onde tudo é mais tranquilo, onde não há calor e não há frio. Apenas o vazio.
Meu corpo adormece com a sensação de desconforto no coração. Por não poder seguir aquilo que se quer.
Às vezes, quando estamos prestes a perder algo, damo-nos conta de quão aquilo é valioso para nós.
Não é algo padronizado, ou de tamanha complexibilidade impossível de compreender; é tudo muito simples e só depende de nós e de mais ninguém. Claro que, tirando a parte de que sua felicidade depende daquilo que não depende de você. Aí é quando as coisas começam a complicar. Mas nada impede de você fazer suas próprias escolhas e dedicar um tempo somente para você, para sua  vida e suas decisões.
Não há necessidade de muito para ser feliz, ao meu ver.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quattuor Elementa

A terra aterra.
Aterra todas as sensações
Sejam boas ou ruins;
Apenas sensações.

O ar dispersa.
Dispersa todos os pensamentos
Que foram construídos
Durante certo período da vida.

O fogo queima.
Queima os sentimentos
De tal forma
Que não renascerá como Fênix.

A água purifica.
Purifica o corpo e a alma
De uma maneira
Onde a energia se renovará.

E lá se foi o Anel

Em meio à uma semana turbulenta, onde o que se deseja fazer, acaba não dando certo, em partes, há um certo dia, aquele bem específico onde, no começo estava tudo como deveria estar. Mas conforme o tempo passa, as coisas já não dão tão certo assim.
Em questão de minutos você pode perder algo que tem um grande significado em sua vida.
Pode ser algo supérfluo para muitas pessoas; ou, somente um objeto. Há aqueles que querem agradar, da melhor forma possível, querendo arranjar um jeito de curar a tristeza, querendo substituir assim o objeto.
Fui ao toillet. Depois como de costume, deixei meus anéis sobre a pia, lavei minhas mãos - não havia papel toalha -, então sequei na roupa mesmo.
Ao secar, coloquei no dedo apenas um anel, que havia ganhado no dia. Saí e fui beber água. Em menos de minutos, lembrei-me de que havia esquecido meu anel na pia do toillet feminino de um supermercado.
Voltei imediatamente no local, e quando entro...não havia anel nenhum sobre a pia.
Roubaram-me o anel que eu mais gostava.
O Anel que por meses estivera em meu anelar direito.
E lá se foi o Anel...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pensamento babélico

Muitas vezes, por partes dos indivíduos que nunca estão felizes por completo, há esse questionamento sobre a existência da felicidade, ou sobre a efemeridade da vida.
São mundos de pensamentos desordenados, onde tentam conciliar o viver e o aproveitar cada segundo da vida, como se fosse o último.
Típico de frases clichês.
Não somos nada além do viver e  do instante.
Passamos por muitos momentos.
Às vezes se está triste.
Outras vezes se está feliz.
Como poder haver felicidade por completo?
É algo que é motivo de questionamento para alguns.
Cada momento tem a sua importância. E mesmo que sejam passageiros e que alguns digam que nunca alcançaram a total felicidade, estão equivocados, pois, por mais que os momentos sejam vividos naquele instante. Sua felicidade fora completa.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Efemeridade

Você brinca com a vida
De achar que sabe das coisas
Coisas que por você, foram vividas
Muitas delas, indecisas.

Pessoas fazem histórias
Que outrora esquecerão
Ou não.
Ou tudo ficará na memória
e logo mais se recordarão.

São histórias feitas
Em momentos efêmeros
Momentos fragmentados
Que fazem parte do filme da vida.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Volta e revolta

E mesmo depois de muito tempo ele havia tido um sonho. Um sonho que não era como os outros. Ela aparecera novamente.
Mas como se tudo já havia acabado. Não havia mais sentimento algum.
Não havia mais esperanças. Não havia mais nada.
Mas ela ainda estava ali, parada, observando-o.
Ao vê-la sentada na beira de sua cama,ainda meio sonolento - no próprio sonho -  como se ela estivesse esperando que ele dissesse algo; mas não disse sequer uma palavra.
Ao lado havia uma mesa redonda de madeira e sobre ela, folhas coloridas e tinta.
Ela então, escolheu uma folha de que mais gostava, fez um desenho e o coloriu.
Levantou lentamente da cadeira onde depois de sair da beira da cama, estava sentada. Seus passos eram calmos. Como se quisesse ainda aproveitar cada segundo invadindo aquele sonho.
Depois de algum tempo, acordou um pouco assustado e sem sono. Tomou café puro e ao voltar para a cama, observou que na mesa de madeira havia algo.
Um desenho. Era o mesmo desenho que ela tinha feito naquele sonho..um lírio e um lobo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Segredos de liquidificador

Algumas vezes vivenciamos coisas das quais são únicas e que devem ser guardadas. Ou destruídas.

sábado, 13 de novembro de 2010

Depoimento de um índio

Chovia na floresta
E eu não andava calçado
Não havia nenhum cuidado
O que estava por vir era a funesta

O caos estava dominando
Só havia o vento soprando
Um futuro inesperado,
Descontrolado. 

A conequência apareceu
Resquícios de um passado sofrido
Escravizado e colonizado

Agora não há mais pajé
Os cocares foram queimados
O medo é grande
E andamos na ponta do pé

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Liberdade dissipada

A chuva pinga no destino
E se esvai
Agora há somente o momento repentino
Que não mais distrai

A coragem não anda descalça
Na calçada da vida
Destroçada e doída
Sem vida e sem alma

O medo é pai da coragem
E não há mais vantagem
Na conformidade transparecida
E na liberdade esquecida.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ação e sentimento

Era tarde, estava frio.
Eu voltava do trabalho.
Parei no farol, meu celular tocou. Era mamãe me esperando pro jantar.
Abaixei o volume do som e depois de desligar o celular, ouvi um barulho estranho, como o choro abafado de neném. Mas não haviam nenéns ali. O que havia era apenas crianças fazendo malabarismo no farol, para tirar uns trocados pra comer.
Ao menos não estavam pedindo esmolas e sim mostrando o que aqueles pequenos braços raquíticos eram capazes de fazer.
O choro não cessou. Então decidi estacionar o carro e fui em direção do barulho.
Havia uma caixa em um beco. Ao abri, deparei-me com um lindo menino. Não era recém-nascido. Devia ter uns 3 meses ou mais. Era lindo. Cabelos castanhos, olhos claros.
Não havia ninguém por perto.
Não pensei duas vezes. Peguei-o em meus braços. Ele havia parado de chorar. Liguei para a polícia vir até o local. Demorou um pouco, mas enfim chegou.
A criança estava em meus braços, enrolada em uma manta que eu sempre deixava dentro do carro. Ao menos ele não estava passando frio; mas chorava. Devia ser de fome.
Entreguei o neném à polícia. Perguntei sobre adoção e a policial disse que essas coisas eram muito complicadas e burocráticas e disse que era pra eu ia até a delegacia depois.
Durante uma semana entrei em contato com o pessoal que era responsável pelo caso do menininho abandonado. Depois de muita insistência, consegui o que queria.
Quando soube que seria meu filho, decorei o quarto que havia em meu apartamento, onde antes era meu escritório. Eu era estéril , não poderia ter filhos. Então aquela notícia foi um presente para mim. Procurei fazer as coisas que uma mãe faria para seu filho. Afinal, nunca soube quem eram meus pais de verdade. Eu era adotada. E a história parecia repetir-se novamente..
às vezes eu me perguntava se saberia cuidar direito de uma criança. Ele era tão pequeno.
Voltei para casa com ele nos braços. Não quis ir de carro. Peguei então um táxi, para poder aproveitar cada segundo com meu filho. Arthur, esse era seu nome.
A cada dia que passa ele está cada vez maior e mais esperto. Não perco um momento sequer com ele. Na estante, há muitas fitas gravadas. E às vezes, sentamo-nos no sofá para assisti-las.
No inverno, quando neva, fazemos bonecos de neve e tomamos chocolate quente. Eu Arthur e Natan.
Natan é meu marido. O conheci no mesmo lugar onde adotei Arthur.
Ele era bem devoto à Deus e eu, Ateu. Quando disse que era estéril ele disse que para Deus, nada é impossível; e que só bastava eu ter fé e sempre rezar, que obteria o meu desejo.
Havia adotado Arthur fazia uns quatro anos.
Natan e eu decidimos fazer tratamento para que eu pudesse engravidar. As primeira tentativas foram falhas.Voltei para casa sem esperanças e o que eu queria era somente dormir e nada mais.
Tive um sonho. Havia uma mulher nua com somente o ventre à mostra e ao lado havia uma semente. O lugar onde a mulher estava, era muito claro e havia uma criança pequena junto à ela. Uma menina. A menina repetia a ação sem parar. Colocava a semente na palma da mão e fechava depois. Apertava-a com bastante força, mas não deixava seu semblante demonstrar força física. Era como se estivesse fazendo toda a força do mundo e com uma expressão de calmaria. A menina colocava a semente no ventre desta mulher.
Acordei assustada, sem saber o que fazer. Aquela mulher do sonho não poderia ser eu.
Disse à Natan o que houve e ele disse que poderia ser um sinal.
Então eu disse que se Deus existisse mesmo ele deveria conceber-me um filho.
Duas semanas se passaram. Eu não estava me sentindo muito bem. Havia passado mal no trabalho e o que eu queria era somente descansar. Resolvi depois de um cochilo, ir à farmácia fazer um teste de gravidez.
Fui sem a menor expectativa e quando vi o resultado, não pude conter-me.
Eu estava grávida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Carnalismo - Tribalistas

No rastro do seu caminhar
No ar onde você passar
O seu perfume inebriante
Pendura num instante,
A rua inteira a levitar
Me abraça e me faz calor
Segredos de liquidificador
Um ser humano é o meu amor,
De músculos , de carne e osso,
Pele e cor.
No rastro do seu caminhar
No ar onde você passar
O seu perfume inebriante
Pendura num instante,
A rua inteira a levitar
Me abraça e me faz calor
Segredos
Um ser humano é o meu amor,
De músculos , de carne e osso,
Pele e cor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Psicose cristalina

A dor aparece
Alucinação não se esquece
A dor continua
Naquela pele branca, nua

Um, dois, três, quatro.





Não há tempo pra teatro
Não há personagens
O exímio se foi
Fracassado já não sois?

Quase não há  salvamento
O  que há é o tormento.
Aluimento.

Coração acelerado
E o sentido altera
Não há espera
Já está tudo aceirado

O tempo não termina
E mais uma vez
Metanfetamina na hemoglobina





Capetalismo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desejo quimérico


Na noite fria
Há um globo prata
Que cintila a esperança
Na veemência dos fatos

Há um desejo.

Desejo quimérico, romanesco
Presente na eloquência de um ser
E na ausência de ensejo

Desejo inexato, atónito.
Inesperado.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Gotas de orvalho



A menina chorava
Chorava um choro triste
Um choro de desespero
Que não podia mais conter.
Não havia para onde correr

Suas lágrimas eram frias
Seus pensamentos,
vazios, complexos e inexistentes.

A menina chorava.
Chorava um choro sem sentido,
Um choro que acostumava
E que não havia sonido

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O incomum

A pouco mais de quatro anos me casei com Florença. A conheci quando fui à casa de  minha mãe fazer uma visita. Ela era a nova vizinha. Sempre que eu podia e sobrava tempo, a visitava.
Com o tempo fui apegando-me à ela. Mas depois percebi que não era o que eu esperava. Gostava dela e tudo, mas de uma maneira diferente. Talvez ela não compreendesse o que eu sentia e pensava à respeito das coisas.
Com o tempo nós brigávamos muito. Por motivos bobos, mas sempre encontrávamos tempo para isso.
Ela tinha depressão, depois que o nosso filho nasceu morto.
Pedi a separação, porque descobri que sou gay.
Foi há pouco tempo. Marcos, amigo de Florença era gay. Nunca fui com a cara dele, pra falar a verdade, mas de uns tempos pra cá, tivemos de fazer muitas coisas juntos. Comecei a observá-lo de uma outra maneira. Uma maneira à qual nem eu acreditava que pudesse estar acontecendo. Era uma estranheza sem tamanho.
Muitas vezes eu o olhava e nossos olharem encontravam-se e eu, desviava de uma maneira nada discreta.
Não quis contar nada à Florença. Ela já estava muito doente; tinha pensado até em suicídio, mas não teve coragem de levar até o fim. Imagina se eu contasse, ainda mais com seu grande amigo.
Não queria mentir. Então omiti os fatos.
Ele era fotógrafo e eu, um jornalista.
Foi em nosso 4º trabalho que houve nosso primeiro beijo.
Eu, depois, não sabia o que dizer. A situação era estranha. Nunca havia passado por isso antes;e de repente já estava apaixonado.
Florença sempre me perguntara se havia feito algo de errado e eu sempre dissera que não.  Ela era perfeita. Mas não para mim. Acho que o 'problema' estava comigo...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ausência

Em uma noite escura 
A simplicidade aparece
A calmaria me guia
Juntamente com a sintonia
O frio me aquece

Há uma estranheza
Aparentemente inexplicável
No acaso e no querer
Ambos andam juntos
Em um emaranhado
De pensamentos inacabados

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cristal

Eu era um médico. Diziam que eu era louco, problemático, por querer salvar vidas que já não podia-se fazer nada além de esperar a morte.. às vezes eu ligava sim para o que as outras pessoas falavam da minha profissão e de tudo mais. Eu ficava triste. Meus dias não eram dos bons não. A cada plantão no hospital era uma morte interior.
Todas aquelas pessoas morrendo por dentro e por fora. Todas sofridas. Ficavam ali, nos corredores, em macas improvisadas. Cada dia era uma luta. Chegava em casa e ao deitar-me, minha esposa perguntava-me o que havia de errado comigo; e eu sempre ficava quieto, pensando. Talvez não estivesse nada de errado comigo, mas com o mundo. Um mundo cruel. Os humanos o tornaram assim.
Pegava-me com esses pensamentos a quase que todo o tempo. Não havia como não pensar.
Eu deveria virar um palhaço; afinal era isso o que diziam à meu respeito. Diziam que eu não levava minha profissão a sério. Mas ninguém via os perrengues que eu passava durante a jornada de trabalho..
Estava tomando café quando meu telefone tocou. Era do hospital. Uma emergência.
Não terminei de tomar café. Peguei um pedaço de pão e fui correndo até o carro. Não me disseram qual era a emergência.
Ao chegar no hospital próximo onde morava, deparei-me com uma menininha; devia ter uns seis anos de idade e ela não tinha cabelo. Tinha câncer no sangue e estava caminhando para a fase terminal. Ela quase não falava. Era muito esforço para uma pequena menina.
Seus olhos eram castanhos claro. Olhos que nunca mais vou esquecer. Olhos que pediam socorro. Foi quando eu disse que seus olhos eram lindos ela me respondeu que só queria ser uma criança normal.
Não pude me conter. As lágrimas derramaram rapidamente e aquele momento foi único. Senti que deveria abraçá-la. Ao menos um abraço confortante poderia amenizar a dor e o sofrimento de tudo aquilo que ela estava passando. Abracei-a e pude sentir em seu frágil abraço, a ponta de esperança que ainda restara em seu coração. A esperança de que aquela doença pudesse ir embora, e que em breve ela pudesse voltar a brincar de boneca com as outras meninas.
As sessões de quimioterapia a deixavam muito fraca.
Eu ali, pudera sentir seu sofrimento como se eu estivesse em seu lugar. Aqueles olhos lindos gritavam o que ela não pudia declarar.
A sessão acabou e ela foi para o quarto, repousar.
Já estava quase na hora de meu turno terminar e fui trocar de roupa. Abri meu armário e lá encontrei um antigo nariz de palhaço. Não pensei duas vezes. Coloquei-o e fui até o quarto onde ela estava.
Ao chegar no quarto, ela estava dormindo. Mas quando cheguei perto, seus olhos abriram-se e uma pequena lágrima de felicidade escorreu, e ela sorriu levemente. Comecei a cantar umas cantigas que minha mãe costumava cantar para mim quando eu era pequeno.
Seu semblante era outro. Fiquei ali durante uma meia hora e pude sentir, verdadeiramente, que a felicidade finalmente a tocara.
Fui para casa descansar. No outro dia logo cedo, fui para o Hospital e recebia  mensagem de que após a minha saída na noite anterior, ela entrara em coma profundo, não resistiu e acabando por falecer.
Nunca pude esquecer-me daquela linda menina..daqueles olhos que brilhavam e que ao mesmo tempo esperava por um fim. O fim da dor.
Agora ela não poderia mais sentir dor. Poderia finalmente descansar.
Seu nome não sai de minha mente.
Cristal.

O que quase domina

Olhares se cruzam
E não.
Respiração ofegante
Diz pro coração
Onde está a emoção?

Está encapada pelo medo
Quase sempre é segredo
O que há de se sentir
Por um segundo quer em confundir

Ainda sou a garota das covinhas
do coração palpitante
Da respiração ofegante
Ainda sou a garota dos olhos brilhantes,
Quase  como diamantes

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ser feliz e não saber

Era de tarde e eu tinha de fazer um trabalho na faculdade com o João. Combinamos de nos encontrar dentro do shopping, em frente ao cinema, porque a próxima à esquerda era a saída para a faculdade onde estudávamos. Finalmente ele chegou e lembrei-mede que havia esquecido minha pasta em casa. Pedi que ele me esperasse por alguns minutos, afinal eu morava até que perto dali.
Fui caminhando até o ponto onde meu ônibus passava. Senti, de começo, uma leve tontura; achava que era por eu não ter me alimentado muito bem naquela tarde. Entrei no ônibus, passei pela catraca e sentei-me longe das pessoas. Estava muito calor e procurei um assento onde eu pudesse respirar um pouco mais de ar puro. A tontura continuou por alguns minutos, mas depois acabou.
Cheguei em casa, lavei o rosto e tomei um remédio pra dor de cabeça. Liguei pro João e disse que havia chegado e iria pegar minha pasta. Peguei a pasta e uma barrinha de cereal no armário, para quando eu estivesse com fome mais tarde.
Fui para o ponto de ônibus andando. Peguei o primeiro que passava até o shopping onde o João me esperava. Desci e fui até onde ele estava. Finalmente poderíamos ir para a faculdade fazer o trabalho.
Fiquei lá até umas sete e meia. Estava exausta e com dor de cabeça.
Mas como tinha remédio na bolsa, não estava tão preocupada. Eu queria era ver um filme no cinema, ou uma peça de teatro.
Fui ver uma peça que estava em cartaz há algumas semanas e que eu, particularmente, saberia que iria adorar.
Na fila, quase que já para entrar, entreguei meu ingresso e logo na frente havia um homem vendendo pipoca e eu comprei. Fui procurando no teatro, qual era o lugar da minha cadeira.
Sentei-me ao lado de um homem de aparência jovem, que por sinal era muito simpático. Ofereci minha pipoca à ele, mas ele não quis.
A peça começou e não ouvia-se nada além das falas dos atores que estavam no palco. Um imenso palco.
Passaram-se duas horas e todos já estavam saindo para fora da sala de teatro. O simpático moço jovem que sentara ao meu lado na peça, encontrara-se com amigos ao sair do teatro e eu fui embora para casa. Trocamos e-mails, assim poderíamos nos corresponder mais.
Cheguei em casa, larguei a bolsa no sofá da sala e o sapato o chão do quarto; voltei para a sala e deitei-me no sofá, de uma maneira muito confortável. Liguei a televisão. Não havia nada de interessante.
Deixei a televisão ligada e fui tomar banho. O banho, como de costume era quente, muito quente. Ao terminar eu podia sentir o vapor em mim. Era o que eu mais gostava de ver. A fumaça quente subindo até meu rosto.
Desliguei a televisão e fui dormir. Deitei na cama e dormi.
O relógio despertou ao som de Jeff Buckley - Hallelujah - ; a música invadia meus ouvidos e eu ali, ficava apreciando cada palavra que ele dizia. A cama estava tão confortável que nem sequer eu abrira os olhos. Queria ficar ali eternamente ouvindo aquela música..
Abri os olhos. E nada. Não enxergava mais nada. Nada além da escuridão. Lágrimas escorriam de meu rosto e a música ainda continuava de fundo. A música que antes eu achara tão linda, agora não passava de uma tortura para meus ouvidos.
As lágrimas continuavam ali e não cessavam. Eu não poderia compreender como eu pudera ficar cega da noite para o dia.Literalmente.
Perder a visão é perder a vida.
Olhar era o mais importante.
Agora como seria minha vida dali para frente?
Simplesmente Não seria!
Como eu poderia viver sem ver as coisas, as cores das coisas, o formato..
Já ouvira vários casos de que pessoas acordaram cegas, mas eu dizia que nunca aconteceria comigo..Eu era tão saudável.
Não haviam históricos de cegueira ou problemas na visão em minha família.
Não levantei da cama. Fiquei ali,deitada.
Liguei para o João e disse-lhe o que havia de fato acontecido. Ele não pensou duas vezes. Foi até onde eu estava. Ao chegar, bateu na porta do apartamento. Por sorte, a porta estava aberta. Ele perguntou-me como havia ocorrido e eu não sabia explicar. Pude sentir seu desespero ao tocar minha mão. Disse à mim que iria buscar ajuda.
Eu não poderia esperar mais. Fiz o que havia de ser feito.Em meu criado-mudo haviam caixas de remédios que minha avó usava. Tateei até achar todas e tomei os comprimidos de uma vez, sem água.
Pude sentir o sangue subir até a cabeça e então, não senti mais nada.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"..."

Name

Disse uma vez que escreveria algo sobre você.
Lembro-me em partes com flash's,cenas desconfiguradas.. não acabadas, momento que passou rápido demais, mas que ainda sim posso lembrar da luz piscando e tentando ler, ainda que fosse difícil, letras de forma inacabadas em minha mão.
O preto já dominava-me e eu ali, não poderia sentir.
O que sentira era o abraço que completa, abraço forte, de herói.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Uma breve alegria

O coração bate aceleradamente. Já havia sentido antes, o que acontecera, mas deixara de lado. Apenas uma pontada que com um suspiro sumiu. A sensação de estranheza ainda me pertence, em partes.
às vezes penso que pensar demasiadamente nem sempre é bom. Mas se não pensar em demasia, trará o arrependimento para seu redor.
Já está passando..Já está passando..

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Datas

Não é algo que deveria ser de suma importância. É claro, que remete-nos ao que houve de fato, porém são somente datas. Datas que se por acaso você pensar na hipótese do "se", você estaria feliz. Pensei que fosse ser diferente. Talvez tenha sido porque pensamentos profundos hoje não fizeram parte de mim, exceto agora.
Lágrimas já não são tão frequentes como antes..
A falta ainda está presente, não há como negar. Não há como fingir algo e esconder o que sente, por mais que ainda sim haja uma parcela de inexpressividade. 
Talvez nem pense o que penso agora. Mas ainda tenho pensamentos de cuidados.
Talvez nem lembre mais de mim...

Citação de minha parte

Fácil é acreditar que as ruínas não nos assustam. Difícil é aceitar que o medo é parte de nossa essência. É quando, então, percebemos que o arrependimento e a resignação do ser, é momentânea. Mas na verdade, o verdadeiro vencedor é aquele que não deixa de lado sua família e seus princípios.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Fato

O fato é que não há nada melhor..

NEM SEMPRE SOU IGUAL

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma ...


Alberto Caeiro

Casualidade

São em pequenas coisas em que você encontra partes da essência da vida.
Num olhar. No olhar.
Num sorriso. No sorriso.
No tocar.
Na felicidade estampada no rosto com apenas a presença e mais nada.
Apenas o fato de estar perto. Apenas o fato de "estar".
Não é preciso de muito para que possamos conquistar aos poucos a felicidade. Por mais que esta seja difícil, pelo menos por hora.
Vejo o que muitos não notam.
Tudo ainda é muito subjetivo. Afinal, tem de ser assim.
O fato é que quando a falta chega, a vontade de estar perto aumenta.
Ainda não há certezas. Apenas coincidências.
Por um momento a sensação de ser fotografada está presente, mas logo acaba.
Companhia que se esvai num passo vagaroso; esperando até o último minuto.
E por fim, um lindo sorriso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Partindo de visões diferentes

É incrível como você acaba perdendo as coisas de que você mais gosta na vida, por conta de decisões que não são suas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Nada além do nada

Alegria que domina.
Basicamente a euforia
Criando e recriando
Dimensões.


Efmeridade  apresenta-se
Fortemente e cautelosamente em 
Grande sentimento.
Hipóteses,
Ilusões, talvez..


Jamais se esquecerá:
Kant dizia: O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.
Lamentável.
Mas,
Não significa que é a verdade.


que ainda resta
Para nós, e 
Quanto tempo há?
Realmente pouco.


São muitos.
Tolos que só fazem tolices.
Um dia a alegria acaba,
Vai-se tudo embora e, no
Xadrez, é cheque mate!
Zzzzz...

sábado, 18 de setembro de 2010

Sina

Não sei o que há. Não consigo explicar e  não obtenho respostas. E o que respondo é o nada.
Mas é fato o que estará por vir.
Não conseguir conter-se e, não conseguir disfarçar, por mais experiente que seja, é uma falha.
E mais uma vez tudo se volta para a mesma idéia. Por mais que hajam pensamentos distintos, ainda sim estão interligados.
Não é apenas uma estranheza, é a presença extrema e o modo como ela atua.
O melhor então seria se o tempo parasse.
Tudo estava caminhando e de uma maneira ou de outra eu estava certa.
Alguém pergunta algo  e não consigo dizer nada, pois pela segunda vez, não tive reação, ou, melhor dizendo, minha reação é de fato, a inexpressividade.
Durante um certo período o tempo para e você não ouve mais o que as pessoas estão dizendo. O que ouve-se é apenas um sussurro. O que passa diante de seus olhos são como filmes que não são totalmente compreensíveis, e nem precisam. Falam por si só.
Vejo e temo pelo que acontecerá e, mesmo assim acreditei que poderia mudar algo.
Duas "personalidades" que fizeram parte do que hoje já não existe mais, em partes estão ligadas.
É como uma marca e ao mesmo tempo uma estranheza inexplicável.
Não sei o por que da escrita (ou talvez saiba).
Schopenhauer estava correto quando dizia que o mundo é uma representação e que o  homem não conhece as coisas como elas realmente são, apenas as conhecem por seu modo de interpretação. Para uns isto não haverá significado algum.. e talvez não haja mesmo.
Mas para mim, a questão é outra.
Escrever para mim é uma sina.

Inspiração

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ser ou não ser, eis a questão!

 Ética. Um dos fatores contraditórios do ser humano.
Faz parte do racionalismo exagerado  e está cada vez mais presente na vida do sujeito moderno. Há momentos em que a ética está acima da moral e muitos acabam deixando de fazer o que querem, o que sente vontade, por conta dos outros. Como Jean-Paul Sartré diria: " O inferno são os outros", e afinal, ser ético até que ponto?

A música é a pausa do silêncio

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Do latim: sui e caederes

"Hoje eu acordei com vontade de morrer"- era o que dizia ele quando não queria estar onde estava. Não por ser fraco ao ponto de cometer um suicídio. Mas porque o suicídio depende das leis sociais e não da vontade dos sujeitos. Pessoas acabam fazendo com que outrém haja de tal forma.
Ele não gostava mais de nada. Nada mais o fazia sentir vontade de estar ali.
Não via efeito em ir ao psicólogo. Para ele era mais um blá-blá-blá, um monólogo afirmativo, sem muito entendimento.
" Pelo menos uma dez mil pessoas já pensaram em suicídio."
" Sim." - disse a psicóloga.
" Não entendo o por que, quando pensamos em suicídio as pessoas se acham que possuem o direito de dizer que você está errado por pensar assim."
" As pessoas que estão com depressão pensam no que pensa."
" Não concordo."
" e por que não?"
 "Não tenho depressão e penso."
" Você acha que você não tem. Muitas pessoas que estão também dizem a mesma coisa." não quero mais ficar aqui, com você." - disse ele levantando da cadeira.
" E por que não quer?"
" Por que você faz tantas perguntas?"

Ele saiu sem se despedir.
Andava pela rua com toda a raiva  que poderia ter das pessoas que estavam passando por ali.
" O que não me conformo é que uma pessoa não pode matar outra e nem acabar com tudo." - falou em voz alta.

Decidiu então voltar para sua consulta que ainda não havia acabado. Tocou a campainha e permanecia um pouco envergonhado ao dizer tudo à uma dama. A revolta era dentro de si e descontar nos outros era o que mais lhe incomodava e acabou fazendo sem perceber. Foi um erro, ele estava ciente disso.
" Desculpas por ter saído daquele jeito ".
" Eu sabia que iria voltar" - disse ela com uma calmaria sem tamanho.
"Olhe, vou lhe mostra umas coisas" - disse ela pegando uma caixa preta que estava na parte de dentro da estante em seu  consultório.
Pegou a caixa e lentamente caminhou até onde ele estava.
" Abra-a." - disse ela.
Ele fez o que ela havia lhe pedido. Dentro haviam muitos bilhetes;foi tirando de dentro um por um e colocando sobre a mesa. Como pôde notar eram xerox de  bilhetes de pessoas que cometeram suicídio. Ficou surpreendido com o fato de terem tantos bilhetes dentro da caixa.
" Escolha um."
Ele escolheu o que mais lhe chamara a atenção.
O bilhete era de um garoto de quinze anos que deixara  para o pai:
" Pai. Eu não quero ser mais uma ovelha desse sistema."
O garoto ficou ali, sentado durante minutos lendo e relendo a frase. Por acaso possuíam a mesma idade.
" Agora pode ir. A consulta já terminou."

Olhou no relógio e percebeu que havia demorado muito tempo para decidir voltar ao consultório. Pegou sua mochila e saiu sem se despedir, novamente. Foi para casa caminhando.
Perto de chegar em casa, decidiu comprar tinta azul. Ao chegar em casa sentou-se no sofá e ficou novamente pensando naquela frase do garoto que tinha escrito para o pai. Depois de alguns minutos, tirou a mochila das costas e largou-a no sofá. Pegou a  lata de tinta  e revirou o quarto de bagunças para ver se encontrava um de seus pincéis de quando fazia aula de pintura. Depois de revirar o quarto de ponta a ponta, achou o pincel dentro de uma sacola com mais tintas que estavam dentro de uma outra caixa, dentro de seu baú.
Subiu as escadas até seu quarto. Afastou a cama da parede. forrou o chão com jornal e colocou ali sua lata de tinta aberta e escreveu com o pincel:
" O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos. - Vicent Van Gogh"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O que se sabe, o que se pensa e o que se quer

Tudo o que ele queria era dormir.
Estava cansado demais para estar ali, com aquelas pessoas que o irritavam tanto.
A sensação de incômodo, impaciência iam te dominando cada vez mais; a vontade de estar longe dali, longe de tudo; a vontade de não estar era tudo o que pensara naquele momento.
Sua cabeça doía muito.
Fechara os olhos e apenas ouvira todas aquela pessoas conversando sobre assuntos fúteis,e a falsidade entre aquelas malditas pessoas, era algo  que realmente o incomodava.
Oxigênio faltara naquele segundo. Um zumbido de longe atingira seu ouvido. Seu corpo estava suando, sua pele estava pálida. Seus lábios, quase que brancos.
Não havia mais sangue ali.
Não havia mais nada ali.
Suas costas tocou a cerâmica gelada; era somente o que ele podia sentir.
As cordas vocais travaram e nenhum sonido saiu de sua boca.
Era estranho, mas ao mesmo tempo era bom. Por fim sentira uma sensação de leveza. Estava em uma sala, onde havia um sofá branco, confortável por sinal. Tudo o que ele queria era estar ali. Ele, o sofá e um copo de café.
Nada era tão bom quão aquela calmaria. Tudo no seu devido lugar.
Estar onde realmente querer estar.
Ficara ali por uns minutos, mas algo de estranho estava ocorrendo. Seu corpo não era o mesmo. Uma sensação de sangue voltando a circular passara por suas veias. Seu olho estava difícil de abrir. A vontade era grande, porém não estava totalmente recuperado.
Acordara com muitas pessoas à sua volta, olhando-o tão de perto que poderia ele ouvir a respiração das pessoas que estavam presentes no local.
Seu semblante era estranho, de espanto, mas ao mesmo tempo de tentar entender o que acabara de acontecer com ele. Estivera em um local e agora permanecia em outro.
Como pode ele tomar uma xícara de café, deitar em um sofá confortável e não saber mais nada. Tinha a certeza de que estava no local do sofá. Seu corpo pudera sentir  a maciez do estofado, mas soubera que seu corpo permanecera no mesmo local do desmaio.
O corpo fala, o corpo sente, o corpo sabe; e o real já não é mais tão real.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quando se pensa em algo do tipo

Quando a ansiedade te domina e sempre fica olhando o relógio, parece que o tempo pára. Você dorme cinco minutos e parece que foram cinco horas.
Ela acorda, toma café e liga o computador.
Fica horas e horas pensando na vida e ouvindo música.
Cada canção que ela ouve a faz lembrar do que um dia passara por sua vida.
Ao ouvir uma em especial, percebera que o ambiente estaria mudando. Fechara os olhos e quando abrira estava ela no passado. Pôde então reviver aquela mesma cena.
Era fantástico..porém ela tentara mudar, mas seu corpo travara e a controlava para fazer o que acontecera..
Ela não poderia mudar o passado. Ninguém pode.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

petit ours

Un ours et un oiseau libre qui suit le même chemin, mais d'une manière différente. Je suis toujours avec la même affection, et peu importe quelle est la situation.

J'adore

Achada por acaso

Melhor pra mim - Myllena

Eu achei que não ia mais mudar
Que ia ser tua vida em meu lugar
Quando vi eu não via só você
E nem sei se isso importa ou se é clichê
Porque agora não faço questão
Da tua voz, olhos, boca e gratidão
O que eu quero é o melhor pra mim
E o melhor é isso
Fim
Me amo muito pra querer voltar pra alguém
Que só me fez chorar
Me amo muito pra poder gostar de alguém
Que só quer me ferir
Só que eu não corro mais o risco de
Te ter de novo aqui
Eu quero o melhor pra mim
Eu achei que não ia mais mudar
Que ia ser tua vida em meu lugar
Quando vi eu não via só você
E nem sei se isso importa ou se é clichê
Porque agora não faço questão
Da tua voz, olhos, boca e gratidão
O que eu quero é o melhor pra mim
E o melhor é isso
Fim
Me amo muito pra querer voltar pra alguém
Que só me fez chorar
Me amo muito pra poder gostar de alguém
Que só quer me ferir
Só que eu não corro mais o risco de
Te ter de novo aqui
Eu quero o melhor pra mim
Porque agora não faço questão
Da tua voz, olhos, boca e gratidão
O que eu quero é o melhor pra mim
E o melhor é isso
Fim

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A inocência do não pensar

"Apenas um instante e tudo muda. Talvez parar de pensar em tudo à volta faça alguma diferença. Talvez deva parar de pensar demais. O costume ainda não está presente. Mas estará por vir. "

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Me diz como não estar

São Paulo, 25 de novembro de 2006

Querida Laura,

Tantas vezes eu quis te mostrar a verdade e você não quis acreditar. As nossas conversas, as nossas risadas. Eu lembro de tudo. Aquela viagem para o Rio de Janeiro, onde passamos o ano novo. Tiramos tantas fotos..
Eu gostaria muito que você ficasse com as nossas fotos e que não as jogasse fora, por favor. 
Lembro de quando nos conhecemos, naquela tarde no parque. Você era tão nova e eu já um homem maduro. Lembro das fotos que você adorava tirar. Fotos dos animais, dos nossos amigos, fotos suas..
Lembro da música que tocou em nosso casamento, aquela que você tanto gosta. As garotas cantando no coral, os garotos tocando violino e eu ao te receber no altar, olhando aqueles olhos tão lindos que são os seus, todo emocionado.
Eu sei que agora é tarde para eu fazer uma retrospectiva de tudo o que houve entre nós. Eu nunca fui tão recíproco o quão você foi. Nuca fui aquele romântico o quanto você queria que eu fosse. Eu sei que você queria, por mais que escondesse.. mas por favor, não quero que você se culpe. O que eu fiz não é certo pra você, mas foi seja a melhor saída para mim. Decidi acabar com todo o sofrimento que guardei durante anos.
Sofrimento por nós. Você queria que eu fosse tão diferente dos outros, não é? Decidi por vezes fazer o que fiz, mas sempre pensei em todos que estão à nossa volta.
Me diz como não estar preocupado com tudo isso? Impossível..
Sei que agi de forma estranha com você durante esses dois meses, mas estava pensando à respeito.
Não se sinta culpada,querida.
Agora estou em paz.
Eu te amo.

 Henrique.



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Aqui e (não) ali

O sol estava se pondo. As folhas das árvores cobria o campo. O vento era forte e seu cabelo bagunçava.
Estava deitada na grama com um óculos escuro, cabelo preso e ouvindo música.
Estava deitada em cima de uma toalha vermelha quadriculada.Sentira algo diferente no ar. O chão estava derretendo. Algo estava puxando-a para o subsolo. Algo cuja força era maior que a sua. Era impossível lutar contra. Ao piscar dos olhos o sol já não mais fazia parte de seu cenário.
A escuridão tomou conta de sua vida naquele momento. Sua respiração era ofegante; lágrimas estavam escorrendo e não havia nada à se fazer . Ouvia um ruído que não sabia de onde era. Como uma estação de rádio fora de sintonia.
Estava caída no chão. Estava onde nunca antes estivera. Onde tudo o que quisera fazer, fizera.
No começo a sensação é de desespero, mas logo depois é de comodidade.
Estava fora de órbita por tempo indeterminado, mas ainda deixara algo que pudesse voltar. Um objeto. A toalha quadriculada,  na qual continha seus pertences.
Quando sentia saudades das coisas do outro mundo, subia até a superfície para ver como é que estavam as coisas, se algo teria ou não mudado. Se as pessoas teriam ou não sentido falta de sua presença que era sempre motivo de alegria para quem a amava.
O amor que antes havia por completo, agora não existe mais.
à princípio ela sempre subia à superfície para respirar um novo ar. Mas não poderia ficar em dois mundos para sempre. Já bastava o sensível.
Decidira então não mais subir.
Decidira pela primeira vez o que ela realmente quisera. O que por muitas vezes fora barrado, ou com pessoas sobre achismos e sem argumentos.
Optou pelo inteligível.
Conforme o tempo passara, estava cansada demais da perfeição. Aquilo não mais era para ela.
Era apenas um momento de fuga. Não poderia ficar ali todo tempo.
Por um longo tempo esquecera do que um dia fez parte de sua vida. Lá era como se outrém não mais a controlasse.
Lá também havia um céu, também havia um sol, também havia uma grama.
Estava sentada na grama e havia um pote de vidro com a tampa com a mesma cor de sua toalha, onde
com a ponta do dedo, escrevia no ar, tudo o que pensava sobre aquele outro lugar. Era como um diário propriamente dizendo. As letras apareciam lindamente e desapareciam suavemente, encaminhavam-se para o pote, como se já soubesses exatamente o caminho à seguir.
Era lindo. Tudo era lindo.
Mas era tudo perfeito.
Perfeição esta  que não fazia parte de sua essência.
Acordara como se houvesse tido um pesadelo;  e como se esse pesadelo quisesse realmente passar uma mensagem à ela.
Sentou-se na cama, procurou os chinelos;levantou bruscamente à procura de um espelho para ver como estava. Precisava de um ar puro.
Desceu as escadas, abriu a porta dos fundos e ficou no quintal. O vento era gelado e a fazia pensar rapidamente em todo o sonho ou pesadelo que tivera esta noite. Alguns minutos se passaram e ela não podia ficar mais ali, estava chovendo.
Era de madrugada e não havia ninguém ali. Ela estava sozinha. Recolheu-se novamente até seus aposentos. Subiu as escadas, entrou no quarto;deixou os chinelos à sua frente. Deitou-se. apagou a luz do abajour e virou-se para o lado.
Uma expressão de susto tomara conta dela naquele instante. Seus olhos estavam arregalados.
E o pote estava lá.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Things Behind The Sun

[...]



"Take your time and you'll be fine
And say a prayer for people there
Who live on the floor
And if you see what's meant to be
Don't name the day or try to say
It happened before."

Creio que (não) há saída

Talvez eu precisasse ver.
Sei que não mais estou presente. Não sei o que se passa com você.
A dor maior é saber que o plural não há mais. E por mais que alguém tente, nunca vai mudar.
Talvez esteja buscando em alguém o que não deveria. Mas se não há de fato, a única maneira é a semelhança.
Indiretamente percebo que o tudo virou nada.
Aqueles olhos azuis e grandes olharam-me tão fixamente, parecia-me uma mensagem indecifrável.
Tudo.
O olhar. As conversas no telefone. O sonho de ter um..
Tento não pensar.
Tento não pensar.
Tento não pensar.
E não há como não pensar!
Sabe que não há!
Não sei o que pensa.
Não está sendo fácil.
Continuo com achismos, por incrível que pareça.
Certeza não tenho mais.
Tudo é confuso. Mas talvez eu saiba a ordem de tudo isso.
Talvez queira que tudo voltasse.
Vejo que em partes continua igual.
Tudo volta..

Tout me rappelle de vous.
Je me hais pour cela et de savoir le sentiment est toujours là

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O mesmo do mesmo

Do céu à terra,
Encontro em você o sorriso mais largo.
Encontro um olhar apertado,
O pensamento ocupado,
Traspassado e alternado
Pelas cores;
Talvez amores
E não rancores.

O dia continua e você ainda está lá.
É como estar e não estar.

Dum sorriso largo
Ao olhar querendo fugir.
Fugir de tudo.
A vontade de não mais estar ali
Permanece cada dia mais.

Nada pode ser como quero que seja
Ao menos penso assim.
Queria poder Estar,
Tentar
Falar...

Meu corpo congela
E deparo-me apenas
Acompanhando os movimentos.

Claridade

Um dia você dorme no céu e acorda na terra.
Não foi por querer, juro.
Talvez você tenha pensado o mesmo que eu.
Ou não.
Mas as coincidências são tantas.
Pego-me agora fora de órbita.
Uma estranheza sem tamanho dominara-me por um tempo indeterminado. Talvez até eu encaixar as peças que faltavam.
Um anagrama. Talvez soubesse decifrá-lo, e então não precisasse de  uma tecla SAP.

domingo, 15 de agosto de 2010

Devastado

Meu corpo está presente
Minha mente está ausente,
Da memória
Que outrora
Os outros guardariam
E sorririam para mim
Esperando sua hora de encenar.

Tudo aquilo que estava preso em suas gargantas
Soltam com alívio.
Falam do Amor
Pensam na dor
Guardam rancor
Choram pelo sofrimento,
Que ainda arde em seus corações.
Canções.

Canções que não saem da cabeça
Ao mesmo tempo,
Querem e não querem que desapareça.

As lembranças são angustiantes.
Agonizantes,
E mesmo assim.
Sem pensar em um fim
Não querem que as recordações,
Não mais façam parte
De tudo o que já existiu.

Uso do plural,
Num tom acumulativo
De expressões e colocações.
Contradições.
Das quais falo por todos,
Mas em verdade
Referindo-me à mim.

sábado, 14 de agosto de 2010

Do pensamento à realidade

Não consigo ser de outro jeito.
Não consigo fazer coisas somente por fazer, ou pra simplesmente esquecer.
Não quero e não gosto.
O que houve foram apenas escolhas.
Deparo-me muitas  vezes com pensamentos incessantes e indefinidos..
Cada um é de um jeito.
Um jeito meio confuso e algo indecifrável.
Do pensamento à realidade, vivo.
Algo me chamara atenção. O que para muitos, não há atenção à ser chamada, mas que para mim, pelos simples fato de um sorriso..
Não espero nada, mas gosto de saber que está por perto.

sábado, 7 de agosto de 2010

Umas de Caetano

Rapte-me, Camaleoa

Rapte-me camaleôa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De uma quasar pulsando lôa
Interestelar canoa...

Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...

Rapte-me
Me adapte-me
Me capte-me
It's up to me
Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão...

Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas...

Não me arrependo - Caetano Veloso

Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir..
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O gato sem rabo e a senhorinha

Ainda lembro dos jogos de baralho, dos bolos só para mim; de quando eu não queria comer e tinham de fazer casinhas para eu em distrair. Ainda lembro do velho cheiro de baralho. Da essência que nele está presente. A sua essência. Por coincidência, o mesmo dia. Trocávamos presentes.Lembro de quando falava sobre aulas de etiqueta.
Sempre impecável.
É doloroso saber que não mais poderei ver-te. É doloroso saber que não terei mais o seu abraço ou paparicos. Tudo tão de repente.
Ainda lembro do seu último olhar. Sabia que queria dizer-me algo, mas não deu tempo. Pude apenas sentir um ardor em meu coração, a tristeza e a saudade.
Não era letrada, mas sabia muito mais coisas do que alguém que conhecesse o abecedário de ponta à ponta.
Lembro e ainda procuro a mesma água de cheiro que usava.
Seu gato, sem rabo; mas o gato mais lindo de todos e mansinho.
Em minha memória, até quando eu parar de respirar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sem reação

Contenho-me. Minha respiração sempre pára por um momento.
Não sei o por que. Ou não quero saber.
Se eu realmente souber,a dificuldade estará elevada ainda mais.
As vezes as pessoas cobram palavras uma das outras, e não só palavras, e esquecem de que há momentos que não necessitam de nenhuma palavra.
Apenas detalhes, para quem gosta de detalhes. Fazem toda diferença.
Um olhar. Um sorriso.
Ou então apenas sentir a essência.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quase cor de mel

A respiração não estava normal.
Estava frio, muito frio.
Por um instante, quis voltar. Mas a vontade me dominou.
Aquele olhar, aquela voz, as cores alternadas, encantam-me cada vez mais. Por uma fração de segundos pude sentir sua respiração.
Olhares encontraram-se.
Que olhos! Senti que ali havia um sorriso por dentro.
Um sorriso tímido.
Seria bom, se durasse mais.
Agora,algo tornara-se diferente.
Uma alegria inundou meu ser.
Talvez outro raro e puro sorriso, com um tom de leveza e felicidade, estaria estampado naquele momento.
As bochechas não mais estavam brancas. Havia uma cor. Um tom saudável.
Por um instante.

Todo dia não é um bom dia

A questão é a suavidade e a gentileza.
Algo como entre o querer e o poder.
O querer é quase que alto, mas o poder, por hora é impossível.
Encontro-me em duas dimensões, novamente.
Dimensões que parecem não acabar.
Ainda permanecem transparecidas em meu ser.
Confesso que há outras possibilidades, porém seria uma desonra, da qual não faz parte de mim.
Há pessoas que utilizam esse método sem pensar nas consequências.
Sentir é fácil. Decifrar? Já não sei.
Não sei como seria se de fato ocorresse.
Agora vejo uma tristeza que está por vir.
ou não.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

No compasso da nascente

Deixo tudo me levar
O sol, a brisa, o mar.

Na correnteza da vida
Passo os dias nadando
Na profundidade
E na incerteza dos pensamentos.
Aborrecimentos.

Quase não subo para respirar
O ar poluído
Corroído
E constituído de tristeza

Mergulho brevemente
Na nascente
Inocente
Juntamente com a calmaria
A pureza e a alegria
Descanso meus dias
No compasso da sintonia
Até raiar o dia.

Um segundo só

Apenas quando você quer descansar.
Ir à um parque. Deitar na grama. Sentir o ar puro te dominando. Não pensando no que te atormenta, mas sim no que te acalma.
Apenas por um segundo, você ouvindo a melodia.
Entrando em contato com seu eu interior. Com fervor.
Ouvindo as batidas do coração. Sentindo o cabelo balançando com o vento. Nada de tormento.
Apenas você, o sol e o vento.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

É muito mais

Ando na escuridão
Esperado por um feche de luz
Que não apareceu

A esperança me conduz
Na imensidão
Que ainda não se perdeu

Fico à espera na varanda
Por onde será que anda
A eterna essência
E a transparência
Que seduz
E que um dia fez parte de mim?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tum, tum, tum

A batida estremece
Logo então o corpo aquece
Não se recorda, mas não esquece
De tudo o que aparece

Anoitece
A batida ainda estremece
Quase que desaparece
Por um instante acontece
Aquilo que de fato não adormece

O calor domina minha espécie
O sentimento me abastece
Mas minha ira me aborrece
Meu corpo adoece
Minha alma agradece
E meu espírito adormece.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Olhos como fruta



Pelo simples fato da existência e de sermos mutáveis conforme o tempo, fazemos coisas sem pensar. Fazemos por que queremos e quando queremos, não nos importando com os outros. Ou importando-nos demais.
Importância.
O que muitos dão às pessoas que talvez nem sejam tão queridas assim. Mas pelo fato da aceitação. Imploram por aceitação. São outros para serem si mesmos.
Nunca estão satisfeitos com o que são. Podem até saber quem são, o que pensam, quais são os princípios, se é que existe algum princípio.
Fazem o que muitas vezes não querem fazer, mas acabam que fazendo por aceitação.
Resignação dentro de uma tribo. Tribo urbana.
Será mesmo que tudo isso é preciso?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O caos e o pensamento

Pensamento abstrato
Guardado no retrato
De uma noite sem lua

Vejo a verdade nua
Com os pés descalços
Andando na rua
Esperando por abraços

Abraços que nunca lhe serão dados
Em meio ao caos por onde está
Onde é que ele está?
Num quebra-cabeça
à espera de que aconteça
E do que ainda virá.

Rua de pedra e eu sem sapatos

Ando, ando, ando.
Respiro.
Corro.
Muito.
Respiro.
Respiração ofegante essa que parece não cessar.
Corro mais. Descalça. Até meus pés sangrarem, na rua de pedra.
Corro de olhos fechados. Sem pensar em quem estiver na minha frente ou ao meu lado.
Corro, corro, e corro.
Pra chegar aonde?
Nem eu sei.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Desci

Eram apenas construções com umas barracas na parte da frente. Como se morassem mais de duas famílias no mesmo local, porém em casas diferentes.
Havia muita areia, tijolos, cimento.
Lá  estava ele. Surpreso com minha presença.
Não poderia ficar muito tempo ali. Tinha uns compromissos depois.
Lembro que eu queria  comprar um biquíni. Então, fomos até a pista e fizemos uma lotação parar:
- Com licença, será que você pode nos dar uma carona até a avenida principal? - disse num tom meio tímido.
O motorista não hesitou e disse:
- Sim.
Subimos então e nos sentamos. Eu no banco da frente e ele no banco de trás.
Chegamos.
Fui logo entrando na loja e ele ficou me esperando do lado de fora.
A vendedora mostrava-me uns com as cores do verão e os mais vendidos.
Nada me agradava.
Eu só queria um preto básico.
- Você não tem um preto básico? - perguntei a vendedora super atenciosa.
- Humm.. deixe-me ver.. Ah! Acho que encontrei um aqui..
- Posso ver?
- Claro, espere um instante.
Enquanto ela foi pegar eu dava uma olhada na loja.
Era quase toda branca e tinha um perfume bom.. como sândalo..era agradável.
- Bom, aqui está! - ela me disse.
- Ótimo.Vou levar.

A praia era bem perto e eu queria dar uma volta. Sentia a areia da praia entre os meus pés.
Sentir a suavidade da brisa. A maciez do vento me tocando suavemente.
Como aquilo tudo era bom.
Fomos depois à uma sorveteria e pedi o meu preferido. Flocos.
Voltamos  à um quiosque perto da praia a lá ficamos conversando por algumas horas.
O tempo  não era o mesmo. Muitas nuvens surgiram no céu. Então, a qualquer hora poderia chover.
- Vamos embora daqui? - Disse ele com um tom gentil.
- Por que?
- Porque vai chover. Olhe para o céu.
- Deixa chover!
- Bom, se você insiste mesmo em ficar aí, eu já vou indo.
- Tá.
Essa foi minha única resposta.
Ele agora já havia ido embora e eu estava lá. Olhando aquele belo mar.
Será que eu deveria pedir desculpas? Mas pedir desculpas pelo quê?
Eu não tinha feito nada de errado, tinha?
Só queria aproveitar o tempo livre que me restava. Ele deveria enteder.
Mas não entende.
Ninguém entende.
Bom, Jeff Buckley me entenderia.
Levantei e peguei um táxi até a rodoviária.Comprei a passagem de volta.
Quando se pensa em descansar, não há descanso.
O que me restara era ouvir Jeff.
Assim eu estaria melhor.

sábado, 10 de julho de 2010

O soldado

Estava cansado.
Acabara de vencer uma guerra.
Ainda não sabia o que faria dli em diante. Mas só sabia que estava no caminho certo.
Talvez estivesse mesmo.
Espero que não seja tarde.
Talvez passe por aqui.
Não tenho esperanças.
Porém, quem sabe um dia sua curiosidade fala mais alto que  seu ego?
Acho que ainda há perguntas  que você faz para si mesmo que não encontrou respostas.
"Por que você pergunta tanto?"
O que seria de você sem as minhas perguntas?
Você já sabe a resposta. Só precisa se dar conta disso.

Encontro nas mãos do soldado as marcas do destino.
Destino incerto. Ou não.

" Seu nome está errado
Sua vida padronizada
Tente aprender
Tão único é viver

"Não tente ser o que você não é!
Não tente ser o que você não é!
Não se engane, lute pra mudar
De olhos vendados não seja manipulado
Santa ignorância
Não tente ser o que você não é!" - Quarentine


Sonho. Não consigo definir os rostos.
Apenas sonho. Tenho apenas três falas:

Quem é você?
O que você fez?
O que você possui?



Espero que entenda o que quero que entenda.
Ligue os fatos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Meu eu

É, posso confessar.
Mas não há como evitar
A saudade me domina.
Acaba que me alucina

É difícil esquecer
Daquilo que você viveu
O que não importa
É aquilo que você esqueceu
Assim como eu.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

E não há como não ouvir

Você não precisa disso

Átina

Talvez tenha feito isso sem perceber.
Novas portas se abriram
Se não parasse de ler outras coisas por um instante
Não teria lido hoje o que li.
Coincidência  ou destino, palpite ou alerta?
Vou guardar comigo.
De pequena só mesmo o tamanho.

domingo, 4 de julho de 2010

Do colorido ao preto e branco

Era de fato o que já se esperava.
O médico disse que não havia mais nenhuma maneira de tudo voltar ao normal.
O tempo passou e parece que não percebi o que estava acontecendo.Sempre preocupada com o trabalho, quase que não sobrava tempo para passar com o Todd.
Todd é meu marido, e há dois anos atrás quando voltávamos de uma festa de casamento, houve um acidente de carro,ele havia bebido muito e acabou perdendo o controle do carro.
Lembro que estava em alta velocidade e em uma curva fechada, o carro desceu morro abaixo capotando. As crianças estavam em casa. Não eram muito de sair conosco à festas como aquela. Costumavam ficar com a babá, que por sinal é uma mulher maravilhosa que eu conheço há muitos anos; ela chama Sarah. As crianças a adoram. Bom, desculpe por não responder às suas perguntas, mas é que sempre que menciono Sarah, me emociono muito.
Lembro que quando o carro parou, eu só queria saber se Todd estava vivo e mais nada. Não importava com o que pudesse acontecer comigo. Apesar da bebia ele sempre foi um ótimo pai. Sempre quando ele chegava do trabalho, brincava com as crianças e tudo.
Após algum tempo, a polícia chegou no local, juntamente com os bombeiros. Tiraram-me de dentro do carro e levaram-me para o hospital. Tive alguns ferimentos leves, mas ficou tudo bem. Todd ficou no mesmo hospital que eu. Ficava o tempo todo deitada na cama, me recuperando e houve uma hora em que bateu o sono. Estava exausta. Ao acordar e olhar pro lado, vi que ele estava ao meu lado. e infelizmente Todd perdeu uma das pernas entre as ferragens, no acidente.
Depois do que houve com ele. Sempre vamos à médicos para ver se conseguem reconstituírem novamente sua perna. Sem próteses de plástico, mas como algo de metal, revestido de pele humana. Eles falaram que era impossível fazer isso. Mas nunca desistimos.
Até hoje me culpo por não ter feito algo na hora do acidente. É como se o mundo todo desabasse sobre mim e de uma forma ou de outra, todos os problemas viessem à tona.
E se eu tivesse virado o volante para o lado contrário?
Bom, não aguento mais chorar ao lembrar disso.
Sem mais perguntas.
Agradeço a presença de vocês, mas Todd não quer saber da imprensa aqui em casa.
Até.