domingo, 30 de maio de 2010

Quase o último...

Estar e não estar.
Perto e longe.
Sorrir e chorar.
Saudades.
O melhor é assim, sem você perto de mim.
O teu som ecoa no meu peito. 
Sinto um aperto..

Uma francesa pra variar..


=/

Assim..







Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora 
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar 
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar 
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar 
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar 
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar 
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar 
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Um fundo (não mais) branco

E quando percebe, é tudo um sonho.
Caminhando pela rua descalça, usando uma saia preta, uma camisa e um suspensório, lá estava ela.
O cabelo estava preso.
Sentia aquele chão, duro, com pedras e tudo mais. Estava molhado, pois estava chovendo.
Ah! Como era bom caminhar naquela linda chuva, descalça.
Não sabia pra onde ir, mas sabia que aquele caminho a levaria à algum lugar diferente. Diferente de tudo o que até agora havia visto.
Não sabia como  e nem o por que estava ali. Só sabia que estava e mais nada.
Estava longe de tudo e de todos.
Chorar era inevitável.
Fazia um certo tempo que ela chorava todas as noites. E aquela ão poderia ser diferente..
Caminhando por mais uns quarteirões, encontrou uma lanchonete aberta naquela noite de chuva.
Ela estava toda molhada. Carregava as sandálias em uma das mãos e na outra as chaves de casa.
Sentou na última mesa de canto que tinha lá. Uma garçonete veio lhe atender. Pediu um suco de laranja, um papel e uma caneta.
A garçonete ficou sem entender o porque do papel e da caneta, mas ficou em silêncio, pois percebeu que a garota não estava com muita vontade de responder.Logo mais trouxe os pedidos. A garota agradeceu.
Logo após a garçonete sair, ela pegou o papel e a caneta e ficou olhando ali, sem fazer absolutamente nada. Somente olhar.
Era tudo tão confuso para ela que a ordem já não mais existira.
Fez um desenho de tudo o que estava sentindo ali, naquele determinado momento.
Pagou a conta e saiu.
Ainda estava chovendo e o desenho ainda estava com ela.
Calçou novamente as sandálias e decidiu ir para casa.
Caminhou mais dois quarteirões e finalmente chegou.
Seus pés estavam doendo, afinal sua caminhada foi longa.Tomou um banho e depois deitou na cama.
Dormiu.
O desenho permanecera na rua. A chuva o molhara desfazendo od esenho que ela havia feito, dando margem a uma nova inspiração...

É o que me faz ouvir..

terça-feira, 25 de maio de 2010

Entre essas e outras

Um dia depois e, logo venho a pensar novamente.
Pensamentos incessantes!
Lembranças.
Todos temos escolhas, das quais não podemos fugir.
Um dia ouvi alguém dizendo " seja forte".
A força, muitas vezes vem e depois vai embora.
O vazio me completa.
Nada mais vai ser como antes.
Tudo mudou.
Ainda sinto o seu cheiro, levemente em minha essência. Tenho medo que ele finalmente desapareça.
Um dia o perfume se vai.
Isso já acontecera antes. Acho que acabo em acostumando.
Madrugadas e madrugadas acordada, sem nenhuma vontade de dormir.
Ao deitar na cama, pensava em tudo antes de dormir, como de costume. Mas aqueles dias, eram diferentes. Além de pensar em tudo, tudo mesmo. Eu não conseguia tirar aquelas preocupações de mim.
Em dado momento, encaixei a última peça que faltava em meu quebra-cabeça e, sem pensar muito, fiz o que havia de ser feito naquele momento.
Não é por acaso que acontecem coisas do tipo.
É a terceira vez.
Não é por querer. Sei que não, mas o que há de errado?
Onde está a motivação? A força?
Onde está a  essência?
Acho que já não se encaixam mais..Estão perdidas nessa imensidão.
A guerra acabou. Agora são mais objetivos para reconquistar.
Por que sente-se assim?
O que te faz sentir-se assim?
O que te faz com que você pense deste modo?
Ainda me resta algo...
Vejo que a chuva ainda te molha..
Vejo que as suas manhãs são uma escuridão.
Vejo que ainda não há a resignação do 'ser', loup.
Sua busca pela felicidade é quase que, incessante.
Busca tanto, que esquece dos detalhes, como prazeres de Amélie Poulain..
A felicidade está em cada partícula que compõe a essência.
Não mais posso sentir o que sente.. Talvez seja melhor pra mim não sentir nada, mas você está com uma carga enorme e não consegue dispersá-la..
Muitas vezes resistimos à mudanças, mas esquecemos de que elas são necessárias..
Basta você enxergar. Talvez o orgulho esteja te dominando e opiniões alheias também..
Passe por cima de tudo isso.
Você encontrará sua fonte de fortaleza.
Ainda resta algo.
Não sei como sei.
Só sei que sei.
"Só sei que nada sei.."
 Resta-me apenas, uma última cartada.
Sonhe.
Algo lhe espera.
Sonhei algo do tipo, mas não consigo lembrar-me. Somente flashs brancos de sua imagem.
Estou suportando demais.
Algo ainda me faz estar aqui.
Sinta o que eu sinto.
Veja o que eu vejo.
Pense o que penso! Raciocine!
Não há mais incertezas!
Não há mais o tango argentino!
Por favor, lute.
Lute por um futuro, juntamente com seu passado. O futuro não acabou, você o faz.
Seu olhar é como  a lua.. várias faces; um enigma da terra e com um brilho incessante..

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E quando há a impressão..



Porque não há descrição?
Nem fotografias?
As respostas não me alcançam mais.
E lá se vai outro sonho.
Eu não o via mais.
Sabia de sua existência.
Mas não o via mais.
Mover-se-iam  aos poucos as coisas que ali estavam.
Paradas elas já não ficavam mais.
Não mais senti seu abraço. Como era bom..
Guardo apenas o que se pode chamar de vago.
Vagas lembranças do que um dia pode ter sido irreal.
É totalmente surreal.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Recuerdo de una vida sin recuerdos

Estaba cansada de permanecer en la misma casa durante muchos años. Se decidió a encontrar un nuevo lugar para vivir de ese día.
Era de noche. 
Ella acababa de llegar del trabajo. 
Estaba muy cansado, pero tenía que arreglar lo que no se haya fijado todavía. Tuve que poner todas sus pertenencias en un montón de cajas.
Al ver los objetos, hay algo que usted comentó.
Era una vieja fotografía.
En la misma fotografía fue una persona, al parecer una mujer, su madre. La foto era viejo, así que había mucho polvo dentro de la caja.
Su vida ya no tenía sentido sin su madre para calmarlo, siempre que estaba nervioso.Pero ella necesitaba salir de aquella casa. Quería olvidar a su madre y borrar lo que nunca había escrito...
Pero es imposible olvidar a alguien que te ponga en el mundo.
Entonces la niña se quedó allí, mirando y recordando lo que había vivido junto a su madre. Se culpa a sí misma por no haber ganado mucho tiempo libre con su madre, en su mayor parte, estaba en una reunión en el trabajo y tenía poco tiempo para visitar a su madre que vivía en el interior de la ciudad.Lloré mucho, recordando los viejos tiempos. Momentos que fueron amables para ella.Ahora no había forma de cambiar el pasado. 

Ya estaba allí, solo.
Su madre estaba muerta..
Ella quería tenerla de nuevo, pero era imposible.
Se olvidó de vivir hoy, se preocupaba demasiado por el mañana.
Ahora ya era demasiado tarde. Su pasado ya estaba escrito mucho antes.
Se decidió entonces que no cambia.
No sería olvidar a su madre y tuvo que aprender a vivir con su pasado, porque olvidarlo seria como si su pasado nunca hubiera existido.
Miró por un momento las cosas  y las fotos que aun habia   dentro de la caja y cierro la misma.Cierro tus ojos e quedó por alli mismo.

If I were you

If i were you
I would take a trip to the moon
I would fly away
I would dance with someone

If I were you
I would look at you when you are sleeping
I would give you a kiss
I would laugh without stopping

If I were you
I would remember your past
And I would win the future.

Estranhamento

Você diz que o céu é azul.
Você diz que vai me proteger.
Você diz que sou quem você procura.
Você me atura?

Você diz não ter medo.
Você é o segredo,
E um dia ainda vou desvendá-lo.

Mistério é charme,
Gosto disso.
É algo mais que palavras num papel podem expressar.

Incognitas.
Na noite escura,
Fico à procura
Do que poderá ser bom pra mim,
Assim.

A saudade agora diz que vai embora,
outrora, ou agora?
Já não se sabe mais o momento exato de partir...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Estrada em duas cores


Doía. 
Doía muito. 
Pressionei sobre minha barriga e  quando notei, havia muito sangue.  Licor humano que pingava em minha roupa, elixir da vida que eu havia perdido.
Estava fraca, podia sentir  isso. Sabia minha situação...
Eu estava ofegante, mas sabia: Não iria durar muito.
Haviam muitas pessoas ao meu redor. Pronunciando meu nome, questionando o que havia acontecido, mas eu era incapaz de responder, apenas continuava forçando contra meu tórax e vendo toda minha vida jorrar.

Havia passado do sensível ao inteligível.
Acordei em um lugar, aparentemente estranho. Eu estava vestida toda de branco. Toquei minha barriga e não havia mais sangue. Não sentia mais dor alguma.
Tudo era branco.
Estava descalça.
Caminhei até o outro lado. 
Não sentia nem frio, nem calor.
Lá havia um sofá branco. Eu estava exausta.Decidi então descansar por algumas horas.
Ao acordar notei que no chão ao lado do sofá branco havia um pote de tinta preta e azul.
Fiquei me perguntando porque havia aquelas tintas ali?
Será que era para eu escrever algo, desenhar?
Fui me aproximando, de uma maneira cautelosa e ao lado das latas de tinta estavam um papel branco, dentro de um envelope branco, lá estava o meu nome.
No bilhete, haviam duas perguntas: 
" Quem é você" e " Como veio parar aqui"
Olhei aquilo com olhares precisos para ver se não haviam mais detalhes importantes.
Não havia mais nada.
Apenas duas perguntas.
Abri as latas, mergulhei o indicador direito na tinta preta e escrevi na parede.
Agora a  tinta preta escorria pela parede branca e pingava no chão, que também era branco.
Eu não entendia nada do que houvera comigo e naquele lugar e tudo. Não sabia onde estava e como fui parar lá. O que sabia era apenas que eu estava ali, sozinha e mais nada.
Não havia ninguém ali.
O que será que tinha acontecido comigo?
Será que morri?
Mas se eu estivesse morta, não estaria pensando agora...ou estaria?
Será que era possível?
Como é possível? Não há como..
Mas como aquela mancha de sangue que estava em minha roupa desaparecera e eu não sentira mais dor alguma?
Como de uma hora para outra havia mudado de roupa?
E aquele lugar?
Eu nunca havia visto algo tão elo como aquele lugar.
Era todo branco, mas ainda sim tinha uma beleza..
Decidi dar vida ao que era branco, de uma maneira nada convencional.
Mergulhei meu cabelo na lata de tinta azul e balancei meus cabelos até que pudessem colorir a parede branca. "Abstracionismo, a arte do nada", foi o que escrevi no rodapé da parede com tinta preta.
Agora ali havia vida, haviam cores. Ao menos duas.
As pontas do meu cabelo agora eram azuis.
Azuis como o céu. Azuis como a calmaria e a beleza neles presente.
Era belo. Mágico.
Afastei as latas de tinta para o canto da parede, derramei toda a lata de tinta preta, molhei os dois pés naquela tinta gelada  e fui andando. As pegadas não haviam como apagar. Eu sabia que elas estavam ali e que não iriam sair tão facilmente.
Fui caminhando e caminhando sem olhar pra trás.
À minha frente havia um grande espelho que ocupada a parede toda. Daquele espelho eu podia ver o desenho na parede, meus cabelos azuis, meus pés descalços,minha roupa branca, minha pele manchada de tinta.
As paredes ao redor, iam-se colorindo ao meu  passo.
O sofá já não era mais branco.
Fazendo meu próprio destino, decidir caminhar até onde o infinito me levar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Descobrindo

Havia um tempo em que ela poderia descansar em paz.
Estava escuro. Tudo escuro. As luzes do castelo não mais estavam acesas. Todos já haviam ido dormir.
O rei, a rainha, os empregados. Somente a princesa estava acordada.
O castelo era imenso. As poucas vezes que podia descer, a princesa gostava de andar em seu cavalo. Ela adorava os animais e o ar livre. O cheiro de grama molhada quando chovia. O cheiro das plantas que invadiam seu quarto, na torre.
Não sabia mais como dormir. Contar carneirinhos, já não funcionava mais. Teria então de buscar um outro método. Foi então que levantou-se da cama com os pés descalços, sentindo a frieza do chão e como era sentir aquela sensação em seus pés, caminhou até a janela. Sentou-se em uma poltrona que havia ao lado de sua estante de livros. Levemente abriu as cortinas, para que pudesse erguer a janela e ver o que achava de mais incrível: o céu. Aquele céu azul, onde haviam muitas estrelas, das quais ela admirava, como se fosse a primeira vez que estivesse admirando aquilo..
Seu sentimento pelas estrelas que brilhavam no céu, era de compahia, afinal, não costumava sair muito do castelo,. pois o rei a privou de todos os possíveis envolvimento com qualquer pessoa que seja, exceto ele, a rainha e os empregados.
Pensava na vida que poderia ter, se não tivesse que ser princesa. Ficou ali por mais um tempo. Decidiu tentar descansar novamente. Estava pronta para fechar a janela, quando avistou uma estrela, que estava separada de todas.
Ficou ali perguntando-se como ela não notara aquela estrela tão brilhante que estava no seu céu.
O brilho, era um brilho diferente. Iluminava o que estava próximo em volta.
Era uma coisa mágica, nunca houvera visto uma estrela de tal maneira como viu no céu.
Por um segundo pensativa e logo mais fechou a janela com muita cautela, pois não queria acordar ninguém.O castelo era imenso e mesmo a princesa não estando no mesmo andar de que o rei e a rainha, qualquer roído ecoava por alguns instantes e poderia chamar atenção de quem tivesse o sono leve como o dela.Caminhou de volta à cama, deitando-se e esperando o sono chegar...
Ao amanhecer, não pensava noutra coisa senão escurecer novamente para que pudesse assim, ver a estrela brilhante da qual estava admirável. Como algo tão simples e tão pequeno pudesse fazer com que chamasse a atenção da princesa?
Ela não fazia a menor idéia de como algo assim poderia ter acontecido novamente.
O dia foi passando, a noite foi chegando e novamente ela fez o que tinha feito na noite passada.
Ficou ali, olhando para ver se conseguia novamente encontrar a estrela. Ficou esperando, esperando...mas nada aconteceu. A estrela não estava mais ali.
Levantou-se da poltrona e foi dormir. Ou pelo menos tentar. Ficava perguntando-se " porque esta estrela não aparece mais pra mim? Ah se eu pudesse conversar com ela e perguntar tudo o que tenho curiosidade".
Ao terminar de pensar em voz alta, ouviu uma voz dizendo suavemente ao pé de seu ouvido " Eu estava ali o tempo todo, a te observar e a cuidar de você...estou o tempo todo com você. Não é porque não apareci mais, que você não sentirá a minha presença em você e no que  está à sua volta...Você não está sozinha.
À princípio, a princesa ficou assustada. Nunca havia ouvido algo semelhante. Aquela era a primeira vez.
Ao saber o que tinha ouvido, na noite seguinte, foi conferir e ver se a estrela brilhava naquele mesmo lugar. Mas, não havia mais estrela brilhante... Sempre quando sentia-se sozinha e não havia ninguém para recorrer, procurava pensar no que  estrela lhe disse e sentir sua presença em si e nas coisas, interpretando assim, as respostas internas das quais procurava...

Cantando à capela...

Quando há de se ouvir

domingo, 16 de maio de 2010

Dit moi

Tudo aparece quando se está estável.
Estabilidade ou instabilidade?
Tudo agora está pacífico. Espero que o equilíbrio venha. E virá.
Ensinamentos, nada mais que ensinamentos...
É U.P acho que estou até levando jeito com isso..
Cumpri meu papel... e agora estou aqui.
Lalinha, sempre Lalinha.

sábado, 15 de maio de 2010

Compasso

Com uma venda nos olhos, ainda lembrava para onde deveria ir.
Muito tempo não ouvia algo assim..
Ritmo, coreografia.
Olhos vendados. Não saber quem está à sua frente e apenas dançar ao compasso da música. Equecer de tudo e de todos e apenas, dançar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O "imutável"

Um sentimento  passa a ocupar o que até então estava vazio.
Parece que não há jeito.
Talvez, não agora, mas depois, você repetirá o que digo. E não há mais como organizar novamente.Seu presente passara em um instante. Tens o passado e o futuro. Não fique apenas em achismos. Pense, olhe. Veja. Enxergue!
O que acha que  domina, um dia o dominará.
Tu carregas a expressividade em teus olhos.
Carregas o que em apenas uma palavra possui um imenso significado, que se queres saber, sabes onde procurar.
Sem mais, Arcanjo.
Sem mais...

Pitty- Todos estão mudos



Já não ouço mais clamores
Nem sinal das frases de outrora
Os gritos são suprimidos
O corvo diz: "nunca mais"
Não parece haver mais motivos
Ou coragem pra botar a cara pra bater
Um silêncio assim pesado
Nos esmaga cada vez mais
Não espere, levante
Sempre vale a pena bradar
É hora
Alguém tem que falar
Há quem diga que isso é velho
Tanta gente sem fé num novo lar
Mas existe o bom combate
É não desistir sem tentar
Não espere, levante
Sempre vale a pena bradar
É hora
Alguém tem que falar






quarta-feira, 12 de maio de 2010

Do mesmo ponto

E quando não há nada que possa ser feito, você desaba.
Desaba sobre um mundo que talvez nunca tenha existido. Um mundo que não passa do inteligível.
Tudo o que estava construído vai sendo demolido aos poucos. Um vidro é quebrado. Os cacos perfuram sua pele, provocando muita dor e muito sangramento.
Mas é passageiro. Nada que um curativo não repare.
Do mesmo ponto até o outro as coisas permanecem iguais como eram.
Até chegarem ao outro lado, passa-se por uma turbulência. Das grandes.

domingo, 9 de maio de 2010

No espelho

No espelho ainda há  a outra face.
Face de nós mesmos.
Face que talvez não conheçamos.
Talvez.
Conhecimento aquele que vai além.
Além do que se é visto e observado.
Não vejo nada além de sua imagem.
Apenas se reflete.
Se reflete..
Só uma imagem.
Esta imagem.

sábado, 8 de maio de 2010

"Os tolos e os fanáticos estão sempre seguros de si, mas os sábios são cheios de dúvidas."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Luz dos olhos




Sou a chuva que te molha. 
Sou o vento que te toca.
Sou a sua lágrima.
Sou a sua alegria.
Sou a ilusão.
Sou a decisão.
A contradição.

Sou o sonhar.
O pensar.
O viver.
O esquecer.

Sou o que sou.

 Sou a ternura.
A delicadeza.
A doçura.
O nascer do sol.
A lua.
O mar.
O furacão.
A calmaria.
A brisa.
A sombra.
A respiração.
A emoção...

Sou tudo o que quero ser.. e mais um pouco..
Depende de como você me vê.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nova perspectiva

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Vôo da liberdade

De longe e de perto
Vejo todas as manhãs
Os pássaros voando
O mais alto que eles podem.

É tão lindo como eles são livres.
Liberdade essa que não temos.
Eles podem voar.
Para onde quiserem
Quando quiserem..
Sem interrupções..

domingo, 2 de maio de 2010

Seu nome e a jabuticaba

Posso ficar aqui, escrevendo e escrevendo. Não em canso.Não preciso ter uma inspiração para que haja algo que eu considere bonito, ou bem feito para que seja postado. Escrevo porque sou minha própria espectadora.
O difícil não é ter algo bonito para postar. É saber transformar pensamentos em palavras.
Não há como explicar, ou decifrar um enigma assim, tão facilmente.
A escrita pra mim é a liberdade.
Sou você, quando eu quero ser você, sem perder minha essência.
Te vejo.
Te vejo correndo pelo campo. Brincando...e ele a te observar de longe e saber que não mais vai poder tocá-lo..
Um menino que permanece com o mesmo olhar.
Um olhar frágil, solitário, um olhar distante, longe de tudo e de todos.
Um olhar que não faz parte do mundo sensível.É muito mais além.
Seus olhos gritam.
Gritam a liberdade, a independência.
O Medo. A insegurança.
Seus olhos pedem socorro.
Pedem carinho, colo.
Seus olhos gritam, pequeno menino.
Gritam  a Saudade, a inquietude.
A Esperança de um novo começo.
Seus olhos falam por você o que não consegue expressar com palavras.
Ah garoto do olhar intrigante, tu há de aprender muito ainda...
Há de aprender que você não está sozinho..e nem nunca esteve.


sábado, 1 de maio de 2010

Pour Vous

Vous pour moi II

O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro


Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do universo"...
tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, é como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.


" Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a única inocência
E a única inocência é não pensar..."

Alberto Caeiro.