terça-feira, 29 de junho de 2010

C'est la vie, mon cher

Estar e não estar
Querer e não poder
Sentir e não sentir.
É, temos algo em comum. Ou não.

E lá se vai
Pra outro lugar
Longe daqui,
Longe de tudo.

Há então uma nova jornada a ser seguida
Uma nova visão a ser obtida
Uma nova estrada a ser construída

E por fim.
Não terei o que espero
Tampouco o que quero
Adaptar-me à uma nova ordem,
É o que me resta.

domingo, 27 de junho de 2010

O que se tem e o que se pede

Partes de duas dimensões.
O que se tem e o que se pede.
O que se tem,
Não é nada mais além do que o necessário.
O que se pede é algo confuso.
Confusão ao qual torna-se posteriormente a nova ordem.
Ordem essa que me confunde.
Mas que ainda sim fazem partes de duas dimensões,
O possível e o provável.

São detalhes que me fazem  perceber o quão és gentil,
O quão deve ser carinhoso,
E o quão é difícil não tê-lo mais assim tão presente.

Assim, de uma só vez me despeço
Não olhando-te nos olhos
E deixando transparecer tudo aquilo que, por hora, me fazes sentir.

terça-feira, 22 de junho de 2010

É o que é

Tudo se transforma
Querendo ou não.
Nada é em vão.
A solidão é morna..

Onde agora parece acalmar
O que um dia foi um furação
Não há nada além da solidão
E nada parece funcionar

No céu não há mais estrelas à brilhar
Mas mesmo assim ainda continuo procurando
Ouço alguém sussurrando
Dizendo que um dia tudo isso vai acabar


Continuo tentando
Acho que agora eu sei
Pelo menos eu tentei
Ninguém nunca foi feliz uma vez só amando

terça-feira, 15 de junho de 2010

Li

Enquanto todos festejam eu estou aqui, pensando.
Eu não notei o que houve. Ah, fui tão boba..
E mais boba ainda por ter feito o que fiz e guardado tudo comigo.
Mas de que adianta falar?
Não há para que.
Agora é somente você e eu. Indivíduos, apenas isso.
Lamento por não ter mais tempo com você.
E mais um que se vai.Ou não.
Tudo muito vago e ao mesmo tempo tão cheio de coisas.
Não consigo entender.
Não é o sentimento máximo, mas uma admiração que ficara guardada durante um ano.
Aprendi com você o que vou  levar comigo para sempre, 'o que é o homem'.
E tudo se perde na imensidão..
Difícil não me conter.
Não quero em conter. Mas não quero falar. Então este é o melhor para mim e talvez para você.
Sua vida é outra agora.
Buscará o que não encontrou aqui li

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Enfim, assim

Tua visita aqui não terei mais
E  e se visitarás este lugar, não sabereis.
Pois não haverá nenhum sinal de sua presença.

Huit

Abriram a porta do estacionamento. David apertou o botão para chamar o elevador. Ao entrarem no mesmo, o silêncio tomou conta do ambiente.
Ao entrarem no carro, Verônica ficou um tanto apreensiva e ansiava pelo que poderia ocorrer. David então rompeu o silêncio:
- E aí? Para onde quer ir?
- Ah, podemos ver alguns hotéis por aí.
- Tem certeza mesmo de que quer ficar em um hotel?
- Tenho.
- Então vamos ver alguns por estas ruas.
Andaram uns quatro quarteirões de onde David morava. Ele avistou de longe um hotel. A fachada era branca, bem iluminada, com muitos detalhes em branco, dourado e verde.
- Olha, que tal este?
- Não sei, acho que é mais caro do que posso pagar.
- Quer procurar outro? – disse ele com total paciência.
- Sim! Ah! Acho que há um ali mais pra baixo..
- Já me hospedei uma vez naquele hotel que você quer ir e fui super mal atendido lá. Acho que você não iria gostar nem um pouco.
- Ah, droga! – disse ela exasperada
- Calma, calma..vamos para o meu apartamento novamente, pelo menos até você encontrar onde quer ficar.
- Ah, desculpe-me por minha estupidez momentânea. É que tudo aconteceu tão rápido.
- quer desabafar?
- Até agora não te disse nada sobre como eu fui parar lá naquela boate, aquela noite, quando você me levou para o seu apartamento..
- Pois é..
- Como sabe, eu sou modelo, ou pelo menos era modelo. Já contei isso também pra você, que estava cansada das pessoas e tudo..

- Isso, já sim..
- Então... fui para Paris, conheci Alex no avião. Quando fico perto dele eu me sinto muito bem. Ele é inteligente e tudo, fotógrafo por sinal...e eu acabei que em apegando a ele.Mas eu já tinha namorado...mas eu não gostava mais dele como antes. Minha cabeça ficou muito confusa, então juntou tudo e decidir voltar pra cá, sem avisar ninguém. O que eu mais queria era tirar essa angústia de dentro do meu peito;beber,dançar. Me divertir mesmo. E foi o que fiz.

- Você não se arrepende de ter feito isso?
- De certa forma. Foi o melhor que eu deveria fazer.
- Foi o melhor pra você, mas não queira dizer que seja o melhor para quem você fez isso.
- A minha vida inteira,sempre pensei em agradar primeiramente os outros. Sempre. Quando decido pensar em mim, você me diz que deveria ter pensado nos outros..Os outros são os outros.. Não costumo fazer comparações, pelo contrário! Odeio!

- Calma, calma, não se exalte! – disse ele exasperado.
- Não estou exaltada. Você é quem está!
- É que você não se contém!
- Desculpe-me.. estou tão cansada.. Vou tomar um banho. Onde tem uma toalha?

David mostrou-lhe onde tinham toalhas limpas. Verônica foi caminhando devagar até a porta do banheiro. Ele a fitava. Ela entrou no banheiro;a tranca estava ruim, então o jeito era tomar banho com a porta entreaberta.
Abriu a torneira da banheira para que  a enchesse. Enquanto isso começou desamarrando seu cabelo; depois tirando o tênis, depois a camiseta, depois a calça. Estava apenas com as roupas de baixo. Ainda estava com as meias. Abaixou-se e equilibrou-se somente em uma perna para poder tirar a meia. Seus pés estavam quentes. Ao tocar com eles na cerâmica gelada, Verônica teve tontura e desmaiou.
David percebeu que da torneira ainda estava correndo água. Não havia nenhum barulho. Chamou Verônica da porta, mas ninguém respondia. Ele ficou meio assim de entrar no banheiro, mas não teve saída. Entrou e a viu no chão desmaiada.
Fechou a torneira. A banheira estava quase transbordando e ela estava lá caída no chão.
Ele a pegou no colo e a deitou na cama. Ficou acariciando seus cabelos que estavam soltos enquanto ela acordava..
Ele a olhava de um jeito meigo, delicado e sorridente..Estava preocupado com o que havia acontecido, mas não queria aparentar.
Continou ali, olhando-a.
Ao acordar Verônica ficou assustada, afinal, é um pouco assustador você abrir os olhos e alguém estiver olhando em seus olhos a todo o tempo:

-  Nossa! Quer me matar de susto,é?
- Não, não..desculpe, mas é que você desmaiou no banheiro e fiquei preocupado..está tudo bem?
- Não em lembro de muita coisa do que houve..lembro do impacto de meus pés descalços na cerâmica gelada e..o barulho da água na banheira..
Ela ainda estava deitada na cama quando David foi aproximando-se de seu rosto. Olhou Verônica nos olhos e a beijou. Um beijo calmo, delicado.Seus lábios eram carnudos bem desenhados e macios. Verônica ficou mais surpresa ainda, mas não quis interromper este momento tão diferente. Como ela, uma modelo, poderia estar agora beijando um fã?
Um fã que não sabia que existia e que a tratava tão bem, tão diferente de outros caras. Podia sentir sua respiração e seu cheiro. Sua respiração era calma, como quem estava curtindo aquele momento que logo poderia terminar ou que talvez continuasse. Mas que só dependia dela. Ele tinha um cheiro diferente, não era perfume...era algo como uma essência sem descrição..mas que ela amara.
Continuou beijando-o. ela estava deitada;ele sentado. David deitou-se então ao seu lado.
Ficaram ali olhando-se como dois bobos. Ele acariciava seu rosto, tirando o cabelo dos olhos e sorrindo para ela.Verônica não estava em si. Aquele momento era tão mágico e tão perfeito que ela poderia ficar ali, por horas se sentisse vontade. Estava cansada, exausta. Seu dia havia sido muito cheio. Adormecera.
Para Verônica, aquele momento fora único. Tudo havia parado. Como se houvesse turbulentos movimentos e de uma hora para outra, tudo para.
O dia amanheceu. Ela acordara primeiro,  e ficara pensando no que houvera na noite anterior;se realmente tudo aquilo pudesse ser verdadeiro, ou se passava apenas de mais um de seus casos. Ainda era cedo pra dizer, mas ela tinha certeza que algo diferente estaria por acontecer.
Pensara também em seu passado, na loucura que cometera em deixar o namorado e o emprego. Deixado uma carreira brilhante para trás, para arriscar em algo incerto. Mas foi o que Verônica julgava ser a coisa certa naquele momento. Ela nunca se arrependera de algo que tenha feito. Esse era seu conceito.


Sept

Eram nove horas da manhã e começou a chover. Fazia algum tempo que não chovia na cidade.Por essa Verônica não esperava e disse:

- Bom, agradeço pelo café da manhã, estava ótimo!
- Verdade? – disse ele meio sem graça.
- Verdade, sem brincadeira. Onde aprendeu a cozinhar desse jeito?
- Nossa, acho que você está exagerando um pouco, não? Nem cozinho tão bem assim.
- O papo está bom, mas agora eu preciso ir.
Ela ainda não notara que estava chovendo. Levantou da cadeira, recolheu os pratos e os colocou dentro da pia, que ficava perto o fogão.  Vestiu um avental que estava pendurado perto de um quadro e lavou a louça, como uma forma de agradecimento. David ficou encostado com o pé na parede e de braços cruzados, como de costume o esquerdo por cima do direito, observando-a cuidadosamente para que não pudesse perder nem sequer um movimento seu. Ela estava de costas lavando a louça.
 Verônica percebeu que ele a olhava, virou-se então imediatamente, deparando-se com encontro de olhares. David meio sem graça desviou o olhar. Era o que a maioria dos homens faziam quando ela era encarada:
- Bom, acabei de lavar a louça..
- Ah, muito obrigada.
- Não há de quê. Você me hospedou aqui e, era o mínimo que eu poderia fazer pra você.
Secou as mãos no avental e logo após o tirou e pendurou novamente no mesmo lugar em que ele estava. Foi andando até a  janela para ver a paisagem:
- Ah! Eu não acredito! Eu não acredito que está chovendo! Não vou poder sair assim, estou sem guarda-chuva..Tudo o que é errado acontece comigo! É incrível – disse com um tom de irritação.
- Por quê diz isso?
-  Porque é a realidade! Tudo dá errado pra mim, tudo!
- Não diga isso, acha que sua vida ocorreu de uma maneira errada?
- Sim.
- Porque?
- Ah, não sei..No começo era tudo novo, tudo muito legal;mas depois virou tudo uma rotina idiota. Sempre fazia as mesmas coisas, ia para os mesmos lugares, com as mesmas pessoas, ou encontrava em festas aquelas que me odiavam e que tinham a cara-de-pau de dizer que estava com saudades, perguntavam o que eu havia feito desses tempos pra cá. Bando de cretinos falsos! Odeio isso, odeio mesmo! Odeio ter de olhar pra ágüem que eu sei que vive falando de mim pelas costas, espalhando mentiras e tudo.
- Bom, você como uma modelo tem de saber lidar com este tipo de gente..
- Ah! Eu sei, eu sei! Sei disso!Mas é que você não entende o que nós modelos passamos. Chega a semana do desfile e não nos deixam comer nem sequer um sanduíche, porque dizem que senão a roupa não vai caber! Quantas vezes eu, no camarim não presenciei desmaios das outras modelos que iriam entrar na passarela em questão de cinco minutos. E sabe o que faziam? Me colocavam como substituta e só me avisavam em cima da hora!
- Nossa... – disse surpreso.
- Pois é.
Observando ainda na janela:
- E essa chuva não vai parar mesmo, não é? – disse olhando para David.
- Não, não vai. Se quiser te dou uma carona, meu carro está aí embaixo, no estacionamento que é coberto e não molharia você... Para onde quer ir?
-  Como você está sendo gentil comigo. Me hospedou aqui, fez um café da manhã pra mim...e ainda me oferece carona..
Ela foi se aproximando de David. Por uma fração de segundo, pôde sentir sua respiração e seu perfume, que, na verdade não era exatamente perfume, era um aroma diferente, doce e ao mesmo tempo cítrico e forte. Marcante.
- Bom, eu preciso me hospedar em algum lugar. Um hotel; não sei...só para não incomodar você..Afinal deixei o meu emprego e só estou com alguns dólares no banco..
- Se você topar, eu te arranjo um emprego como fotógrafa. Tenho uma câmera aí que era minha e eu acabei que comprando uma nova, mas esta funciona bem.
Não era possível, Verônica havia fugido de seu destino, aparentemente.
Havia deixado Alex, sem nenhuma explicação. Já havia esquecido de que ele algum dia existira em sua vida. Mas o que iria dizer a David? Ele não sabia de nada do que houve em sua vida pessoal. Mas não poderia recusar o convite. Ela já havia trabalhado como modelo e, sempre tiravam fotos dela para propagandas e afins, já tinha uma noção básica de como manusear uma câmera fotográfica.
Não podia recusar o convite, afinal ele estava sendo muito legal e atencioso com ela.. Verônica estava pensativa, quando David perguntou-lhe:
- O que houve? Quando apresentei minha proposta de trabalho pra você, você ficou pensativa, como se não estive mais aqui. Só estivesse seu corpo.
- Não é nada..só estou irritada com essa chuva toda que não pára. Mas aceito sim o seu convite.

Six

O dia estava amanhecendo quando decidiu voltar a Nova York.
Quando adolescente, sempre quis morar fora do país. Era um sonho. Imaginara que seria perfeito e que não haveria nenhum problema por lá. Mas a realidade era outra.
Fez então o que estava em sua mente. Comprou a passagem. Somente de ida. Não estava praocupada quando iria voltar;se iria.
Ao entrar no avião, sentou logo na janela, colocou  fones de ouvido e os óculos escuros para não ter de ver aquelas pessoas que tanto a irritava. Fechou os olhos e ficou pensando no que havia deixado para trás. Uma carreira;uma vida. Mas não adiantava lamentar-se. Já havia feito e não havia como mudar.
As horas passavam lentamente.
Dormia, acordava e ainda permanecia naquela mesma poltrona.
Estava afim de fazer algo diferente, algo que as pessoas jamais esperassem dela, e ela de si mesma. Sabia agora que sua vida havia mudado e que poderia recomeçar outra, sem dar satisfações a alguém.
Ao chegar no aeroporto, pegou um táxi e foi direto para seu apartamento que havia deixado  sem ninguém quando estava fora.
Ao menos em Nova York ela sabia que a imprensa não ia procurá-la. O tipo ideal agora era outro.
Modelos que morriam de anorexia.
Lá pelas tantas da noite, entrou em uma boate. Estava afim de dançar, beber, fumar demasiadamente  sem pensar nas consequências.
Subiu então no balcão e começou a dançar.
Homens começaram a brotar ali perto. Ela dançava mais ainda.
Jogava bebida em seu corpo e nos que estavam a sua volta. Estava muito alterada, até que apagou.
Verônica acordou em um apartamento onde nunca havia entrado na vida. Alguém a teria levado e a colocado para dormir. Estava deitada em uma cama de casal, com lençóis azuis e um cobertor  que combinava com o lençol. Ao seu lado havia um despertador e um porta retrato com a foto de um homem bonitão que aparentava ter uns quarenta e três anos.
Levantou da cama e foi verificar se havia alguém ali.  O apartamento estava totalmente desorganizado, um verdadeiro furdunço. Dentre a bagunça toda ela avistou uma revista e lá estava ela na capa.
Ninguém apareceu;então ela volta para onde estava. Ouve um barulho chaves; de porta abrindo e fechando, sacolas plásticas balançando. Quando menos espera alguém diz:
- Ah desculpe-me pela bagunça. É que eu moro sozinho e hoje era o dia da empregada arrumar, mas ela ligou cancelando. Bom você deve estar se perguntando como é que veio parar aqui, e imagino que queira uma resposta.. - disse o tal coroa da foto no  portarretrato.
- Sim. Não lembro muito bem do que houve ontem. Só lembro de estar dançando  em cima de um  balcão, com uma garrafa de whisky na mão e depois não lembro de  mais nada.
- Realmente. Você estava dançando feito uma louca, como se quisesse esquecer os problemas.
- É, era o que eu queria; mas pelo jeito arrumei mais, pra mim e pra você. - disse ela.
- Quando vi que estava fora de si e que havia desmaiado em cima do balcão, achei melhor trazer você pro meu apartamento e colocar você pra dormir. Afinal não é todos os dias que você encontra uma celebridade desmaiada em cima de um balcão de uma boate as três e trinta e dois da madrugada!
 Bom, eu nem me apresentei ainda. Acho que você não me conhece, mas eu a conheço. Me chamo David. Faz algum tempo já que venho acompanhando o seu trabalho como modelo..comprei umas revistas que você saiu.
- É. Quando acordei fui verificar se havia alguém aqui e acabei encontrando uma revista  em cima de uma escrivaninha, uma das que eu saí na capa...
Ah, obrigada pela hospitalidade e tudo, mas tenho que ir.
- Mas já? Nem tomou café da manhã.
- Eu tomo em qualquer lanchonete que eu encontrar. Acho que já estou incomodando demais.
- Não está incomodando. Se você me incomodasse eu nem a traria pra cá. Bom, já que estamos aqui, que tal um café da manhã? Afinal, você precisa se alimentar um pouco, está meio pálida. - disse ele com um tom de gentileza.
- Estou só cansada. Está certo, só um café da manhã.
Foram até a cozinha. Ela sentou-se  em uma mesa com dois lugares. A mesa era verde escura e sobre ela havia uma planta, especificamente, um lírio. Enquanto ela observava com aquele olhar deslumbrante, como se nunca havia visto algo tão belo e tão calmo como o lírio; ele preparava o café da manhã. Waffles.

Cinq

Após alguns finais de desfiles, Verônica já estava esgotada; mas ainda sobrara algum tempo para um drink.
O que restara era "boire la Vodka."
Ela já estava cansada daquela vida.
Para ela tornara-se cada vez mais, medíocre. Tudo o que queria, obtinha. Isso estava cansando-a. Precisava esfriar a cabeça, pois não suportava olhar aquelas pessoas que ela sabia que a odiavam e que ao cumprimentá-la, diziam estar morrendo de saudades; como poderiam chegar à tal ponto de cretinice? Como poderiam ser tão hipócritas e falsos ao mesmo tempo?
Se continuasse com aquilo, desfilando, com sua carreira feita, bem sucedida, estaria entrando em contradições com sigo mesma. Estava em busca de uma aventura.
E foi o que fez.
Não queria saber mais de Alex, apesar de não achá-lo mais uma peça repetida,estava cansada de suas ligações às quatro da madrugada.No começo até que era interessante, mas depois, quando tudo é demais, enjoa fácil. Depois de umas oito ligações, não atendia mais nenhuma.
Não queria saber de nada. Não queria dar satisfações a ninguém. Como dizia de costume: "Ninguém é de ninguém!"

sábado, 12 de junho de 2010

Quatre

Ela achava que Alex era mais uma peça em seu jogo de xadrez intediante.
Verônica era do tipo que adorava manipular as pessoas.
Era bela. Isso era inquestionável.
Estava nítido.
Aproveitava sua beleza para conseguir o que queria.
O tempo foi passando. Continuaram a conversar.
O menu chegou,  ambos escolheram algo leve, acompanhado de vinho.
Verônica era brasileira.
Foi aí que começou a contar um pouco de sua história.
Morava em uma cidadezinha do interior de São paulo, com sua mãe, seu pai e sua irmã.Desde pequena tinha esse sonho de ser modelo, o que a impossibilitava na época, pois era baixinha e gordinha.
O tempo foi passando, sua altura aumentou, seu peso diminuiu. Como qualquer outra mulher, Verônica preocupava-se muito com sua beleza.
Vivia comprando remédios para emagrecer; fazia umas dietas malucas.
Preocupava-se com o padrão de beleza estabelecido pela sociedade.
Procurava ser o que os outros queriam que els fosse e não o que simplesmente ela é.
Talvez com esse seu jeito de garota fatal, fosse uma idealização de tudo o que ela não teve na vida.
Foi aos quinze anos onde tudo começou.
Veri sempre foi uma garota atraente e bonita.
Em sua cidade ela fez seu primeiro álbum de fotos profissionais.
O gerente da agência gostou do modo como ela se saiu ao fazer as fotos e a convidou para fazer pequenas campanhas na cidade. Logo mais Verônica ficou popular entre as garotas de sua cidade que não era tão bonitas o quanto ela era.
Era fato, querendo ou não ela se destacava dentre as outras garotas; em muitos concursos foi assim. Até que chegou um dia em que havia um concurso para ir desfilar em New York e era uma das finalistas. Veri sabia que iria ganhar, algo dizia isso, estava confiante e apostou todas as suas qualidades no concurso.
Era seu destino. Ela o fazia.
Desde então seu talento fora reconhecido por grandes nomes da moda.

Trois

Mas tudo era uma questão de tempo.
Logo bebeu um drink e fez as fotos.
As fotos era para uma propaganda de biquínis.
Ao terminar o ensaio, Verônica pediu para ver como ficaram as fotos;se houvera alguma que ela não havia gostado. Mas por incrível que pareça ela gostou de todas.
Agora já que muitas coincidências haviam acontecido, ele a chamou para jantar, e para não fazer disfeita, foi educada e aceitou.
Ela sentia segundas intenções em seu convite, mas foi educada e aceitou, afinal, não havia problema nenhum, eram apenas amigos e ela namorava.
Ao saírem do estúdio seu celular tocou:
- Alô?
- Alô! Oi mon amour! - disse seu  namorado do outro lado da linha.
-  E aí, já acabou o ensaio querida?
- Já sim. As fotos ficaram maravilhosas!
- Que bom, depois quero ver todas! Eu deveria receber alguma grana por deixar minha namorada pousar de biquíni em  autdoors por aí!
- Hahahaha! Engraçadinho! Mas afinal, porque me ligou?
- Porque eu queria comemorar  o seu sucesso hoje a noite. Podemos ir a algum lugar...um restaurante, se preferir!
- Bom, então acho que hoje vai ser meio corrido, vou ter de resolver  os últimos detalhes das fotos  com o Alex. - disse ela meio sem jeito.
- Poxa! Sério? Estou aqui em Paris desde ontem esperando você chegar pra gente sair. Bom, mas tudo bem! Nos vemos amanhã então!
- Tudo bem. Baisers!
Verônica namorava Lucas a um ano e nove meses, mas sentia que não o amava mais como antes.Não sentia vontade de estar perto, se estivesse, tudo bem, mas se não, tudo bem também. Pra ela tanto fazia.Ele gostava mais dela do que ela dele.Lucas era louco de ciúmes por ela.
Ao desligar seu celular, Verônica o olhou com um pedido de desculpas por seu celular ter tocado.
Foram em direção ao restaurante. Era perto do estúdio, bem perto.
Uns dez minutos depois enfim,chegaram.
Estava bem cheio, mas ainda sim havia uma mesa de dois lugares:
S'il vous plaît, les premières femmes!- disse ele com gentileza.
- Merci.


A princípio ela o achava do tipo " o bonitão intelectual", mas seus conceitos mudaram..

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Deux

Ao chegar no ensaio, ligaram em seu celular dizendo que o fotógrafo não seria o mesmo, pois estava cansado de seu emprego e de sua vida medíocre e se demitiu.
Não tinha outra alternativa a não ir fazer o ensaio fotográfico. Ela era modelo e sua fama dependia muito disso.
Chagando lá, faz uma ligação:
- Por onde é a entrada aqui?- pergunta a moça.
- À esquerda, senhorita.
- Merci.
Ao caminhar por mais alguns minutos, encontrou a sala onde faria o ensaio.
Deparou-se com um homem alto, de cabelos negros que estava de costas para ela e, que possivelmente seria o novo fotógrafo.Meio sme jeito pergunta:
- Desculpe, mas é você quem vai me fotografar?
- Sim.- Respondeu ele ainda de costas.
- E a que horas começa o ensaio?
- Você tem mais 13 minutos livres; mas antes queria dar uma olhada em você, porque se não for o estilo que procuramos é melhor você voltar outra vez!
Ele virou-se., mas não pareceu reconhecê-la.Ela pelo contrário, era boa de memória, o reconheceu imediatamente:
- Ei, espera, você não é o cara do avião, que sentou do meu lado e que estava lendo "A cavalaria"?
- Nossa! Você!Não acredito!Desculpe se fui grosseiro com você, mas é que por aqui aparecem muitas pessoas que acham que só porque são belas, querem ter o mundo a seu favor.
- Não, tudo bem...
- Bom, vamos começar o ensaio?- disse ele.
- Ué, mas você não vai me avaliar?
- Não precisa! Acho que você é a ideal;a propósito, qual o seu nome?
- Verônica, e o seu?
- Alex.
Verônica ficou meio insegura.Pensava no que seria o "ideal" que ele lhe falara..

Intitulável

Un


Era quase natal.
Tudo estava um verdadeiro caos.
Problemas, muitos problemas.
O que ela queria era passar o natal em New York, como sempre fazia todos os anos. Mas parecia que este ano, tudo iria mudar em sua vida.
Desta vez ela foi para um outro lugar, França.
Chegando no aeroporto, com suas malas, com seu fone de ouvido, ouvindo uma musiquinha francesa pra variar, entrou no avião, sentou logo na frente, ao lado da janela, para ir observando o caminho.
Logo mais  Verônica avistou um rapaz alto, cabelos negros e lisos e olhos castanhos aproximando-se dela, para sentar ao seu lado, pois havia uma poltrona sobrando.
Ela o fitava sem que ele percebesse.
Depois de algumas horas ele a olhou e perguntou:
- Por favor, que horas são?
- São 23:37.
- Ah! Obrigado! - disse ele.
Ela estava encantada por ele ter a olhado de tal forma, que foi quase que o caminho inteiro pensando no que poderia acontecer naquela viagem.
Ele estava lendo. Ela curiosa queria saber qual livro era, então foi bem cara de pau e perguntou:
- Com licença, o que está lendo?
- A cavalaria, de Isaak Babel.
Começaram a conversar sobre livros. Trocaram telefones.
O avião pousou, sofreram um pouco de turbulência.
Ela tinha muito medo de andar de avião, então segurou a mão dele.
Finalmente a turbulência acabou. Ela não queria soltar aquelas mãos tão macias;mas teve de soltar.
O tempo passou, todos saíram do avião. Eles foram os últimos.
Ela tinha um ensaio fotográfico para fazer, em Paris.
Ele era fotógrafo.
Coincidência.






quinta-feira, 10 de junho de 2010

Antes de dormir

Escrever é o que mais me faz ser quem eu sou.
Escrever..como eu adoro..
Já faz parte de mim..
Um dia compilarei tudo isso..

Um presente animador

Lírio Branco

Eis então que caio em mim
De volta à realidade
Depois de me perder no marfim
Da luz refletida em tua pele

Não somente bela
Mas vestida para impressionar
Sempre dotada de leveza
Como um anjo pairando no ar

Mas perdida em alusões
De futuros incertos
Apenas procurando uma razão

Receio que as manchas
Acabem por se espalhar
Por entre o alvo veludo

E eu observo de longe
Sentado à margem da vida
Esperando um dia te conhecer

E assim poder tocar
Suas pétalas de seda
Tentar enxugar
Suas lágrimas de cristal

Dedico à você este poema
Rascunho de uma verdade
Para um Lírio Branco
Pois o admiro com sinceridade.



Todos estão mudos

Visto à inadimplência da sociedade atual, é possível afirmar a avidez concupisciva, torna as pessoas mais irasciáveis, para com a ética contruída pela moral como essência grafada no "ser" , uma vez que a essência é contínua e imutável.
Não há mais a benevolência recíproca dos sentimentos, há somente o fazer, não por querer, mas por vontades alheias.

Outra de Pablo em minha vida...

No culpes a nadie


Nunca te quejes de nadie, ni de nada,
porque fundamentalmente tu has hecho
lo que querías en tu vida.

Acepta la dificultad de edificarte a ti
mismo y el valor de empezar corrigiéndote.
El triunfo del verdadero hombre surge de
las cenizas de su error.

Nunca te quejes de tu soledad o de tu
suerte, enfréntala con valor y acéptala.
De una manera u otra es el resultado de
tus actos y prueba que tu siempre
has de ganar.

No te amargues de tu propio fracaso ni
se lo cargues a otro, acéptate ahora o
seguirás justificándote como un niño.
Recuerda que cualquier momento es
bueno para comenzar y que ninguno
es tan terrible para claudicar.

No olvides que la causa de tu presente
es tu pasado así como la causa de tu
futuro será tu presente.

Aprende de los audaces, de los fuertes,
de quien no acepta situaciones, de quien
vivirá a pesar de todo, piensa menos en
tus problemas y más en tu trabajo y tus
problemas sin eliminarlos morirán.

Aprende a nacer desde el dolor y a ser
más grande que el más grande de los
obstáculos, mírate en el espejo de ti mismo
y serás libre y fuerte y dejarás de ser un
títere de las circunstancias porque tu
mismo eres tu destino.

Levántate y mira el sol por las mañanas
y respira la luz del amanecer.
Tú eres parte de la fuerza de tu vida,
ahora despiértate, lucha, camina, decídete
y triunfarás en la vida; nunca pienses en
la suerte, porque la suerte es:
el pretexto de los fracasados.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que me domina

Meus lábios tremem.
Tremem de frio.
Tremem de dor.
De agonia.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ápice

Tudo está calmo. Ando descalça sentindo a cerâmica gelada.
Saio do quarto, desço as escadas, vou até o escritório e pego um livro que está sobre a mesa, de madeira reluzente, sento-me em cima dela e começo a ler.
Não há ninguém perto.
Abro o livro e lá está meu nome, meus pensamentos, minhas ideias,meu ideais, tudo o que eu escrevi a minha vida inteira. Abro em uma página quase que no fim e havia uma descrição:
" Peguei uma  faca, das da minha coleção. Escolhi a mais bonita e a minha preferida. O cabo era de madeira envernizada, com minhas iniciais grafadas ali.Queria dar um fim  tudo.Subi a manga de minha camisa e vi meu braço, branquinho, branquinho e ao mesmo tempo cheio de hematomas. Não haviam mais espaços e nem veias, haviam apenas pontos roxeados. Muitos pontos.
Fiz o que havia de ser feito, fiz um corte vertical em meu antebraço. Aquilo tudo era lindo. Eu podia ver meu sangue escorrendo pelo meu braço e pingando na minha coxa. Aquele licor humano era  tão lindo. Agora eu não queria mais nada, eu queria apenas o céu. Ao lado da mesa haviam dois lírios brancos;peguei um deles e com a maior cautela possível passei suas pétalas por meu antebraço.
Agora aquele lindo lírio estava manchado de sangue e em meu braço, havia um leve perfume de lírio branco..
Perfume ao qual já era meu."
Era tudo muito estranho. Porque havia meu nome ali?
Aquela era a minha letra!
Mais uma vida que eu joguei fora.
Mas por que eu deveria mudá-la?
Eu já estava morta mesmo!
Cortei-me até que nenhuma gota de sangue houvesse em meu corpo pálido e frágil.
O telefone não parava de tocar. Os recados caíam na secretária eletrônica. Apertei o botão para ouvir as mensagens..
" Amor? Você está aí? O que está fazendo, por que não em atende? Te liguei muitas vezes.."
Atendi o telefone.
" Oi."- disse eu com uma voz de exaustão.
" O que você tem?"
" Olha.. eu não... vou.. a-aguentar!"
" Mas e os tratamentos,e os 12 passos? Se você quiser posso ir com você à uma outra clínica.."
" Vem pra cá. Eu te amo."
Desliguei o telefone e deitei. Minha franja estava sobre o rosto e enquanto ele não chegava eu, ficava soprando-a. Até que... todos os sons pararam naquele momento e não havia mais nada além d emim, deitada alí.
 Após alguns minutos, lá estava ele. Chorando em cima de meu corpo, chorando por mim.
Chorando por ter tentado me ajudar e não ter conseguido.Fraquejei. Mas era isso que eu era, sengundo ele... uma fraca! Suas lágrimas pingavam em meu rosto.. escorrendo até minha boca..Doce sabor.
O caos já o dominava.
Tudo era fantasia..
A verdade já não mais existia.

domingo, 6 de junho de 2010

Acredite

O sorriso que encanta e me contagia..
Ser ou não ser? Eis a questão!
Ser o que quero ser, quando quero ser.
Escolhas. Uma palavra presente na vida de todos.
Escolhas que muitas vezes podem ser contra a sua vontade,mas o correto no momento.
Escolhas que não depende de você.
Escolhas que afetará quem você ama.
Escolhas que te levará ao outro lado.
Escolhas que te fará enxergar nitidamente aquilo que sozinho era impossível.
Escolhas que depende de você e mais ninguém.
Entre dois caminhos, muitos pensamentos e apenas uma escolha.
Ser ou não ser!
Sem mais U.P

sábado, 5 de junho de 2010

Belinda no Brasil


Beli, te queremos muchoo!
www.semprebelinda.com nuestro fã club para usted!
by: Jhones Thalles y Laís Thalles

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ao ponto de vista de um lírio

Aquilo era tolice.
Mas ainda restava o 'herói'.
Não entendo essas coisas todas que ocorrem com as pessoas e seus pensamentos mudarem de uma hora para outra.
De você tentar dar  melhor de si e depois perceber que para alguns o melhor não é o suficiente.
Não quero mais pensar em nada disso.
Não quero mais pensar no que poderia ter ocorrido.
Só quero pensar naquilo que me faz bem.
Chega de incertezas..
Chega de tudo..

terça-feira, 1 de junho de 2010

Bobeiras de uma jovem tola

Por que essa ansiedade?
Não será nada além do que é
O frio está cada vez mais aumentando e minhas mãos estão congelando.
Junto minhas mãos em forma de oração, soprando para ver se assim consigo em aquecer.
E não consigo.
Meus pensamentos já estão frios.
A cada dia que passo parece que essa mesma sensação é incessante.
É doloroso saber que ainda não saiu daqui.
Dói.
Dói saber que não há nada além de minha alma e as faces da lua..
E se não houvesse ninguém ali?
O que haveria ocorrido?
As vezes pego-me pensando em bobeiras, como máquina do tempo e tudo.
E realmente é bobeira.
Mas eu a usaria sim.
Quem nunca fez uma bobagem sequer na vida?
Voltaria no tempo não para consertar supostos erros meu, mas para sentir o que senti e poder saber que minha força vital estava ali naquele momento.
Ainda tenho seu nome grafado em meu papel.
Talvez tudo isso seja uma estranheza sem tamanho..
Dizer-me-iam as pessoas, que outrém, outrora eu iria encantar-me...
Tudo muito longe disso..