segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Me diz como não estar

São Paulo, 25 de novembro de 2006

Querida Laura,

Tantas vezes eu quis te mostrar a verdade e você não quis acreditar. As nossas conversas, as nossas risadas. Eu lembro de tudo. Aquela viagem para o Rio de Janeiro, onde passamos o ano novo. Tiramos tantas fotos..
Eu gostaria muito que você ficasse com as nossas fotos e que não as jogasse fora, por favor. 
Lembro de quando nos conhecemos, naquela tarde no parque. Você era tão nova e eu já um homem maduro. Lembro das fotos que você adorava tirar. Fotos dos animais, dos nossos amigos, fotos suas..
Lembro da música que tocou em nosso casamento, aquela que você tanto gosta. As garotas cantando no coral, os garotos tocando violino e eu ao te receber no altar, olhando aqueles olhos tão lindos que são os seus, todo emocionado.
Eu sei que agora é tarde para eu fazer uma retrospectiva de tudo o que houve entre nós. Eu nunca fui tão recíproco o quão você foi. Nuca fui aquele romântico o quanto você queria que eu fosse. Eu sei que você queria, por mais que escondesse.. mas por favor, não quero que você se culpe. O que eu fiz não é certo pra você, mas foi seja a melhor saída para mim. Decidi acabar com todo o sofrimento que guardei durante anos.
Sofrimento por nós. Você queria que eu fosse tão diferente dos outros, não é? Decidi por vezes fazer o que fiz, mas sempre pensei em todos que estão à nossa volta.
Me diz como não estar preocupado com tudo isso? Impossível..
Sei que agi de forma estranha com você durante esses dois meses, mas estava pensando à respeito.
Não se sinta culpada,querida.
Agora estou em paz.
Eu te amo.

 Henrique.



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Aqui e (não) ali

O sol estava se pondo. As folhas das árvores cobria o campo. O vento era forte e seu cabelo bagunçava.
Estava deitada na grama com um óculos escuro, cabelo preso e ouvindo música.
Estava deitada em cima de uma toalha vermelha quadriculada.Sentira algo diferente no ar. O chão estava derretendo. Algo estava puxando-a para o subsolo. Algo cuja força era maior que a sua. Era impossível lutar contra. Ao piscar dos olhos o sol já não mais fazia parte de seu cenário.
A escuridão tomou conta de sua vida naquele momento. Sua respiração era ofegante; lágrimas estavam escorrendo e não havia nada à se fazer . Ouvia um ruído que não sabia de onde era. Como uma estação de rádio fora de sintonia.
Estava caída no chão. Estava onde nunca antes estivera. Onde tudo o que quisera fazer, fizera.
No começo a sensação é de desespero, mas logo depois é de comodidade.
Estava fora de órbita por tempo indeterminado, mas ainda deixara algo que pudesse voltar. Um objeto. A toalha quadriculada,  na qual continha seus pertences.
Quando sentia saudades das coisas do outro mundo, subia até a superfície para ver como é que estavam as coisas, se algo teria ou não mudado. Se as pessoas teriam ou não sentido falta de sua presença que era sempre motivo de alegria para quem a amava.
O amor que antes havia por completo, agora não existe mais.
à princípio ela sempre subia à superfície para respirar um novo ar. Mas não poderia ficar em dois mundos para sempre. Já bastava o sensível.
Decidira então não mais subir.
Decidira pela primeira vez o que ela realmente quisera. O que por muitas vezes fora barrado, ou com pessoas sobre achismos e sem argumentos.
Optou pelo inteligível.
Conforme o tempo passara, estava cansada demais da perfeição. Aquilo não mais era para ela.
Era apenas um momento de fuga. Não poderia ficar ali todo tempo.
Por um longo tempo esquecera do que um dia fez parte de sua vida. Lá era como se outrém não mais a controlasse.
Lá também havia um céu, também havia um sol, também havia uma grama.
Estava sentada na grama e havia um pote de vidro com a tampa com a mesma cor de sua toalha, onde
com a ponta do dedo, escrevia no ar, tudo o que pensava sobre aquele outro lugar. Era como um diário propriamente dizendo. As letras apareciam lindamente e desapareciam suavemente, encaminhavam-se para o pote, como se já soubesses exatamente o caminho à seguir.
Era lindo. Tudo era lindo.
Mas era tudo perfeito.
Perfeição esta  que não fazia parte de sua essência.
Acordara como se houvesse tido um pesadelo;  e como se esse pesadelo quisesse realmente passar uma mensagem à ela.
Sentou-se na cama, procurou os chinelos;levantou bruscamente à procura de um espelho para ver como estava. Precisava de um ar puro.
Desceu as escadas, abriu a porta dos fundos e ficou no quintal. O vento era gelado e a fazia pensar rapidamente em todo o sonho ou pesadelo que tivera esta noite. Alguns minutos se passaram e ela não podia ficar mais ali, estava chovendo.
Era de madrugada e não havia ninguém ali. Ela estava sozinha. Recolheu-se novamente até seus aposentos. Subiu as escadas, entrou no quarto;deixou os chinelos à sua frente. Deitou-se. apagou a luz do abajour e virou-se para o lado.
Uma expressão de susto tomara conta dela naquele instante. Seus olhos estavam arregalados.
E o pote estava lá.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Things Behind The Sun

[...]



"Take your time and you'll be fine
And say a prayer for people there
Who live on the floor
And if you see what's meant to be
Don't name the day or try to say
It happened before."

Creio que (não) há saída

Talvez eu precisasse ver.
Sei que não mais estou presente. Não sei o que se passa com você.
A dor maior é saber que o plural não há mais. E por mais que alguém tente, nunca vai mudar.
Talvez esteja buscando em alguém o que não deveria. Mas se não há de fato, a única maneira é a semelhança.
Indiretamente percebo que o tudo virou nada.
Aqueles olhos azuis e grandes olharam-me tão fixamente, parecia-me uma mensagem indecifrável.
Tudo.
O olhar. As conversas no telefone. O sonho de ter um..
Tento não pensar.
Tento não pensar.
Tento não pensar.
E não há como não pensar!
Sabe que não há!
Não sei o que pensa.
Não está sendo fácil.
Continuo com achismos, por incrível que pareça.
Certeza não tenho mais.
Tudo é confuso. Mas talvez eu saiba a ordem de tudo isso.
Talvez queira que tudo voltasse.
Vejo que em partes continua igual.
Tudo volta..

Tout me rappelle de vous.
Je me hais pour cela et de savoir le sentiment est toujours là

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O mesmo do mesmo

Do céu à terra,
Encontro em você o sorriso mais largo.
Encontro um olhar apertado,
O pensamento ocupado,
Traspassado e alternado
Pelas cores;
Talvez amores
E não rancores.

O dia continua e você ainda está lá.
É como estar e não estar.

Dum sorriso largo
Ao olhar querendo fugir.
Fugir de tudo.
A vontade de não mais estar ali
Permanece cada dia mais.

Nada pode ser como quero que seja
Ao menos penso assim.
Queria poder Estar,
Tentar
Falar...

Meu corpo congela
E deparo-me apenas
Acompanhando os movimentos.

Claridade

Um dia você dorme no céu e acorda na terra.
Não foi por querer, juro.
Talvez você tenha pensado o mesmo que eu.
Ou não.
Mas as coincidências são tantas.
Pego-me agora fora de órbita.
Uma estranheza sem tamanho dominara-me por um tempo indeterminado. Talvez até eu encaixar as peças que faltavam.
Um anagrama. Talvez soubesse decifrá-lo, e então não precisasse de  uma tecla SAP.

domingo, 15 de agosto de 2010

Devastado

Meu corpo está presente
Minha mente está ausente,
Da memória
Que outrora
Os outros guardariam
E sorririam para mim
Esperando sua hora de encenar.

Tudo aquilo que estava preso em suas gargantas
Soltam com alívio.
Falam do Amor
Pensam na dor
Guardam rancor
Choram pelo sofrimento,
Que ainda arde em seus corações.
Canções.

Canções que não saem da cabeça
Ao mesmo tempo,
Querem e não querem que desapareça.

As lembranças são angustiantes.
Agonizantes,
E mesmo assim.
Sem pensar em um fim
Não querem que as recordações,
Não mais façam parte
De tudo o que já existiu.

Uso do plural,
Num tom acumulativo
De expressões e colocações.
Contradições.
Das quais falo por todos,
Mas em verdade
Referindo-me à mim.

sábado, 14 de agosto de 2010

Do pensamento à realidade

Não consigo ser de outro jeito.
Não consigo fazer coisas somente por fazer, ou pra simplesmente esquecer.
Não quero e não gosto.
O que houve foram apenas escolhas.
Deparo-me muitas  vezes com pensamentos incessantes e indefinidos..
Cada um é de um jeito.
Um jeito meio confuso e algo indecifrável.
Do pensamento à realidade, vivo.
Algo me chamara atenção. O que para muitos, não há atenção à ser chamada, mas que para mim, pelos simples fato de um sorriso..
Não espero nada, mas gosto de saber que está por perto.

sábado, 7 de agosto de 2010

Umas de Caetano

Rapte-me, Camaleoa

Rapte-me camaleôa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De uma quasar pulsando lôa
Interestelar canoa...

Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...

Rapte-me
Me adapte-me
Me capte-me
It's up to me
Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão...

Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas...

Não me arrependo - Caetano Veloso

Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir..
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O gato sem rabo e a senhorinha

Ainda lembro dos jogos de baralho, dos bolos só para mim; de quando eu não queria comer e tinham de fazer casinhas para eu em distrair. Ainda lembro do velho cheiro de baralho. Da essência que nele está presente. A sua essência. Por coincidência, o mesmo dia. Trocávamos presentes.Lembro de quando falava sobre aulas de etiqueta.
Sempre impecável.
É doloroso saber que não mais poderei ver-te. É doloroso saber que não terei mais o seu abraço ou paparicos. Tudo tão de repente.
Ainda lembro do seu último olhar. Sabia que queria dizer-me algo, mas não deu tempo. Pude apenas sentir um ardor em meu coração, a tristeza e a saudade.
Não era letrada, mas sabia muito mais coisas do que alguém que conhecesse o abecedário de ponta à ponta.
Lembro e ainda procuro a mesma água de cheiro que usava.
Seu gato, sem rabo; mas o gato mais lindo de todos e mansinho.
Em minha memória, até quando eu parar de respirar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sem reação

Contenho-me. Minha respiração sempre pára por um momento.
Não sei o por que. Ou não quero saber.
Se eu realmente souber,a dificuldade estará elevada ainda mais.
As vezes as pessoas cobram palavras uma das outras, e não só palavras, e esquecem de que há momentos que não necessitam de nenhuma palavra.
Apenas detalhes, para quem gosta de detalhes. Fazem toda diferença.
Um olhar. Um sorriso.
Ou então apenas sentir a essência.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quase cor de mel

A respiração não estava normal.
Estava frio, muito frio.
Por um instante, quis voltar. Mas a vontade me dominou.
Aquele olhar, aquela voz, as cores alternadas, encantam-me cada vez mais. Por uma fração de segundos pude sentir sua respiração.
Olhares encontraram-se.
Que olhos! Senti que ali havia um sorriso por dentro.
Um sorriso tímido.
Seria bom, se durasse mais.
Agora,algo tornara-se diferente.
Uma alegria inundou meu ser.
Talvez outro raro e puro sorriso, com um tom de leveza e felicidade, estaria estampado naquele momento.
As bochechas não mais estavam brancas. Havia uma cor. Um tom saudável.
Por um instante.

Todo dia não é um bom dia

A questão é a suavidade e a gentileza.
Algo como entre o querer e o poder.
O querer é quase que alto, mas o poder, por hora é impossível.
Encontro-me em duas dimensões, novamente.
Dimensões que parecem não acabar.
Ainda permanecem transparecidas em meu ser.
Confesso que há outras possibilidades, porém seria uma desonra, da qual não faz parte de mim.
Há pessoas que utilizam esse método sem pensar nas consequências.
Sentir é fácil. Decifrar? Já não sei.
Não sei como seria se de fato ocorresse.
Agora vejo uma tristeza que está por vir.
ou não.

terça-feira, 3 de agosto de 2010