quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

De quando em vez

Tudo desaparece.
Nada volta como deveria ser.
De quando em vez, pego-me em sonhos que não parecem sonhos.
Sonhos descompassados.
Sonhos que vem e vão sem deixar resquícios de outrem.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Olhos de Édipo

Olhos de sangue que gritam o silencio que arde nos raios da inconstância.
Olhos que desaparecem. E transbordam. E transformam. E transtornam.
Olhos de Édipo.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vida sem vida

O tempo é o abstrato derretido
Na imensidão do fazer ou não fazer
E por que há de se  temer o aqui e agora?
Vambora!

Eu quero o agora no futuro
Sem pensar que outrora
Ficaria no escuro
Abjuro

Quero uma vida mais vivida
Não deixar a alegria contida
Reprimida

Deixar que ela transpareça
E jamais permaneça
Escondida numa caverna
Não mais terna
Sem ver outrora
O quão bela é uma aurora

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Querer que se quer querer

Que vontade é essa que existe em mim?
Que nunca fez parte de mim, assim.
Tantas coisas a serem pensadas
Tantas coisas inacabadas

O desenho está se formando
Posso então ir andando?
Há uma força que não deixa eu ir
Pois há também o receio de partir.

A vontade e a contra vontade
Fazem de mim a inconstância.
Que repugnância!
Que severidade!

Quero um querer que não posso
Um querer que não é meu
Que não é nosso
Que não é fariseu.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mais do que corpos

Eram almas dançantes
Impressionante.
Dançavam uma linguagem distinta.
Assinta.

Falavam por meio de suas canções
Abolições.
Revoluções!

A música contagia.
E quando se percebe,
Já se trocou a noite pelo dia.

Que alegria!
Que fantasia...
Que Antropofagia!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um, dois, três, peguei

É engraçado como coisas estranhas acontecem a todo o tempo. Coisas que não aconteceriam contigo se você não estivesse naquele lugar e naquela hora.
Somos escolhidos pelo destino.
O destino que é incerto, o meu destino sem cartaz e nem adivinhações.
O destino que brinca de esconde-esconde, e a vida é quem diz " Um, dois, três, peguei".
Gosto de falar sobre a vida. A vida em seus momentos feitos de imperfeições. Momentos caóticos, sem razão.
Dizem que para tudo tem um porquê. Mas pra que?
O Porquê já diz por si só. E eu gido por mim. Só.
Só, como o vento que venta pra uma direção contrária, imaginária. Tentando buscar em seu caminho uma direção a seguir;deixando fluir.
Os conflitos já foram deixados de se pensar há tempos..mas a inconstância ainda continua.
Inconstância essa que é parte de mim; assim.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Saída de emergência

O Passado ainda se faz presente.
Não consigo compreender o por quê. E afinal, há de entender?
Tanta subjetividade, tantas adivinhações, tantas convicções, tantas definições, tantos enigmas, tantas vontades, tantos paradigmas, tantas lágrimas. E tudo para o  'não saber'.
Me faço do 'não saber' para saber. E no fim,  deparo-me ainda  com o  mesmo.
E ainda há muito o que se pensar. E, se pensar é, ás vezes conflitante, opto então pela minha saída de emergência. Escrever.

domingo, 2 de outubro de 2011

Dias que não são nuvens

O tempo é tão louco.
O tempo não é tempo.
O tempo é pouco.
Sou tão pouco.
Com você.
Eu queria ser mais.
Nos dias sem iguais.
Sou dias de chuva; de frio. De agonia.
Sou dias que não são nuvens.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vermelho dezesseis

O vermelho tomate.
O vermelho oito letras.
O vermelho das mulheres.
O que combina ou não combina.
O licor humano.
O vermelho tirano.
O pano do toureiro.
O coração do mundo inteiro.
O vermelho que engana.
O vermelho na cama.
O vermelho fatal; sem igual
O vermelho da rua.
O vermelho da boca.
O da vergonha.
O do frio.
O vermelho dezesseis.

domingo, 25 de setembro de 2011

Por derradeiro

Vou caindo aos poucos em um lugar desconhecido.
Não tenho mais forças pra levantar.
Um dia se  esta bem, no outro não mais.
Coisas complexas que me fazem pensar em que medida está  meu nível vulcânico.
É triste o modo como são alienados e como nem sequer querem saber o que há.
Por que não consigo conter-me? Porque tudo me vem a mente em um mesmo minuto?
Quando se há de pensar, tudo vem à tona.
Meu humor é de um azul enganoso. Vivo pensando no viver, e penso que, viver uma vida não vivida é viver por derradeiro. E viver por derradeiro é não viver.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Conta gotas

Inconstância que vive em mim,
Quisera que não fosse assim
Seria menos uma coisa a se pensar
Mas minha mente continua a maquinar.


Hei de tocar minha outra face
E deixarei que o vento conduza
A calmaria que repousa
Em meu ser.

Não há de ser!

Ser você para ser outro,
Ou ser outro para ser você?
Como ser um ser, sem ser?




domingo, 18 de setembro de 2011

Asas de borboleta

A borboleta voa.
Voa para longe daqui
E não mais a vi
Por entre as ruas da lagoa.

Que vida boa!

Voar sem destino
Buscando apenas sentir a liberdade
Sem preocupar-se com vaidade
ou julgamento de um cretino

Que desatino!

Calar-me-ia agora.
Pensaria outrora
Onde estás aurora?

Quedo triste aqui
Sem ver seu brilho surgir
Neste pobre lugar
Onde não há o direito de questionar.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vinte e quatro horas entre os livros

Posso enxergar palavras que não fazem parte de mim. São palavras novas que nunca havia visto antes.
Temo por outras novas que surgirão.
Gosto da alegria de estar entre tantos livros de uma só vez. São tantos títulos...uns chamam atenção pela capa, outros por estarem em lugares que não deveriam estar.
Estar onde se quer estar, é o que me faz sentir a alegria um pouco mais de perto.
Só um pouco mais de perto.
De vez em quando penso em como seria estar ali por vinte e quatro horas.
Ver pessoas com seus livros, sentadas lendo. Pessoas entrando, pessoas saindo.
Pessoas.
Ver todas as luzes se apagando e não estiver ninguém além de você. Sentir o medo ao estar tudo apagado e prever que alguma coisa há de se sentir, ao tocar nos livros que alguém já leu um dia.
Mil coisas há de se pensar.
Enquanto se pensa, o tempo voa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Não aqui

Que sensação estranha essa de não saber qual sensação é.
De não saber quantos passos são de Marte até Vênus.
De não saber se estarei aqui ou lá.
De não saber.
Passado o passado, há uma renovação, mas o passado há passado?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

No abismo,eu

No abismo eu vejo tudo de baixo.
Todas as formas esquisitas do céu. É escuro.
Sinto as sombras perto de mim, tentando me fazer triste.
Tento sorrir pra elas mesmo sabendo que vou fracassar. A sensação de estranheza e adeus permanece em mim.
Estou onde quero estar, mas não estou por completo.
Estou em cada parte. Estou em partes.
Recomponho-me a cada passo.
E a cada passo me desfaço.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O último suspiro

Na manhã de neblina, duas pétalas caíram das mãos dela.
Sua vida se despedaçava como uma rosa. De uma maneira doída mas ainda assim, não perdera o seu brilho
Eram tantos os acontecimentos. Tristeza em demasia, euforia, em partes a felicidade, a saudade. Tudo era muito intenso e a deixava um pouco desnorteada.
Nada fora do comum. Ia sempre aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas e fazer as mesmas coisas.
Um dia, como de costume, foi jogar cartas com sua avó que já era de idade. Para passar o tempo e afinal, a menina amava fazer aquilo com a vó.
Gostava das cartas do baralho. Um baralho importado, que sua avó havia conquistado em seus tempos de riqueza. As cartas eram pequenas e ficavam dentro dentro de uma caixa gasta pelo tempo.
As duas passavam horas e horas juntas. Ou inventando algo na cozinha ou jogando cartas. Ou as duas coisas. Enquanto o bolo de fubá assava, não perdiam tempo com as cartas.
O bolo sempre estava uma delícia, mas a avó sempre dizia que havia faltado algo. Ou havia açúcar demais, ou havia fermento de menos...
A menina achava graça  de suas respostas. Antes mesmo de a avó responder-lhe, em seus pensamentos as respostas já haviam se formado primeiro, porque sempre era a mesma coisa. Coisa que divertia em demasia a menina.
Tudo andava bem até que um dia a menina não chegou em casa.
Havia torcido o tornozelo na escola e então estava com a perna direita imóvel,  engessada até o joelho.
A avó da menina não era avó de sangue e morava com sua filha única, que era casada e tinha duas filhas. Mas sempre gostava de passar as férias e um pouco mais junto com as crianças.
A menina ficou uma semana de molho em casa e não saía do colo da avó. Era uma ligação fortíssima entre as duas. Um carinho puro e conservador.
O gesso foi arrancado e a menina já estava pronta para voltar à escola.
Uma semana depois, recebeu a notícia de sua mãe, de que a avó estava  no hospital, com um problema grave. Havia tido um AVC. No começo a menina não pode ir visitá-la no hospital. Os médicos disseram que tudo logo ficaria bem. Mentira. Era notável a situação.
Dias depois, a avó já estava em casa, então a menina fora visitá-la. Ao olhar seu semblante pode ver que não restaria muito tempo naquele mundo. A senhora passava mais tempo dormindo do que acordada.
A menina fez ficar ali, olhando-a enquanto ela dormia.
Horas depois, vieram as enfermeiras que trabalhavam na casa de sua filha única, para poder trocar a fralda e medicá-la. Ela estava acordada. A menina segurava sua mão e a senhora a olhara fixamente nos olhos e apertara sua mão com toda força que pode.
A garotinha pudera sentir que estava perdendo a avó.
Mas algo a surpreendeu. A senhora tirou debaixo do seu travesseiro a caixa velha onde as cartas de baralho ficavam e entregou-a na mão da menina.
Ela agora sabia que carregaria, guardaria e cuidaria daquilo até quando não pudesse mais.
Foi então quando a senhora de cabelos louros escuro bem escovados, unhas grandes, bem feitas e bem pintadas e com cheirinho de talco deu seu último suspiro.
A menina não se conteve. As lágrimas logo vieram.Os soluços que não paravam...
As mãos permaneciam trêmulas. Não era de se surpreender o que ocorrera.
Anos passaram e a caixinha onde as cartas ficavam ainda está com a menina.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

C'est une embuscade

O céu está laranja e o sol radiante, tempos de alegria.
Há tempos que esta não em visita. E quando visita, vai-se embora muito rápido.
Se eu pudesse com que ela permanecesse por mais tempo no meu caminho. Iria ser muito bom sorrir novamente.
Sorrir um sorriso sincero, empolgante, contagioso.
Não...não é pra mim.
E  então torno a ouvir essa doce canção que faz meu peito sangrar.

" L'amour, hum hum, pas pour moi,
Tous ces "toujours",
C'est pas net, ça joue des tours,
Ca s'approche sans se montrer,
Comme un traître de velours,
Ca me blesse, ou me lasse, selon les jours"


terça-feira, 26 de julho de 2011

Das ruas

Eu pude ver em seus olhos a tristeza e a vontade de morrer.
Mas como conter isso? A escolha não é minha. É apenas uma e ela já foi feita.
As lágrimas caem de seus olhos e não há nada a se fazer. Onde foram parar aqueles momentos de glória?
Estão perdidos nas calçadas e bueiros da cidade.
É tão passageiro. A alegria momentânea. Aquela notícia boa que se recebe e dentro de instantes você se afoga nas mágoas novamente.
"Como é delicada, como quer gritar pro mundo o porquê desse líquido salgado."
Posso ver um licor humano escorrer de seu peito.
Não há volta.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Crivo

Trato o seu retrato
De maneira insignificante
Que atitude errante!

São emoções, idéias, contradições.

O ensejo  se perdeu
Na minha cidade nua
E tento encontrá-lo
Nas tantas fases da lua


O receio aparece e nada me aquece.
Me curvo.
Tudo não passa de  um pensamento turvo;
O mesmo, sai de um buraco inacabado.
Desolado.


Meu humor de verniz 
Está por um triz,
E nada aconteceu...
São só resquícios de meu outro eu.

sábado, 16 de julho de 2011

A fuga do não pensar

O  mundo te leva pra caminhos que você não imaginaria que poderia escolher. Tudo tão complexo. Pensar, entender, digerir.
A cada dia Sartre me mostra em pedaços, aquilo que evidencia minha aflição.
" Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode."
Pergunto-me o que há de mais em querer?
Percebo que uns enxergam apenas aquilo que lhes convém enxergar.
A pureza já se foi há tempos.
As palavras saem da boca  e são ditas frivolamente.
Pego-me pensando se as pessoas realmente sentem o peso das palavras quando elas são ditas ou escritas.
Eu sinto.
As palavras pesam sobre mim e não adianta dizer que não foi o que quis dizer, porque foi. As palavras por si só significam o que significam.
Você diz o que você quer dizer. Então há de se pensar sim.
Porque a fuga do não pensar é a inconstância.

domingo, 10 de julho de 2011

Divindade obscura

Estava frio e haviam três mulheres num vestiário. Uma delas estava tomando banho quente, enquanto a outra, está mexendo no celular, passando uma lista de filmes e músicas pelo celular. Dentre todas, havia uma música preferida e sem nome, de uma das garotas, e havia o nome de um filme "Donnie Darko" em destaque.
Depois do banho, todas vestiram um macacão branco e foram para um outro lugar. Um quarto branco, onde haviam camas e ao lado delas, luminárias. embutidas, apagadas.
As mulheres não sabiam o que haviam ali.
Cada uma deitou em uma cama. Após alguns minutos as luminárias se ascenderam, a porta abriu bruscamente e tudo começara.
" Agora você vai ver. Deus quer ver você pagar pelas palavras não ditas!" - Disse um homem encapuzado, que também estava de branco.
"Deus quer ver o medo em seus olhos. Ele irá buscá-lo no fundo de sua alma."
Puxaram uma das garotas da cama mais alta e a levaram para um outro lugar, longe de tudo e de todos.
" Está com medo?"
" Não"
Era mentira, seu corpo estremecia. Ela sabia disfarçar muito bem .
O medo era uma punição divina. O homem continuou a olhá-la.
" Quero beijá-lo."
O homem continuou a observá-la e logo tirou o capuz. Ela então pôde ver seus olhos com mais clareza. Eram azuis. Lindos olhos azuis.
Ela o beijou.
Um fato:  havia se encantado por  ele. O enviado de Deus.

domingo, 3 de julho de 2011

Erroneamente pensado

Por que quando a alegria está prestes a me acompanhar, ela acaba se perdendo pelo caminho, por motivos alheios?
Não  compreendo por que não compreendem! A quem quero enganar?É claro que compreendo. São tipos  diferenciados de pensamentos que vão além de minhas próprias atitudes e princípios.
Isso só é possível porque fingem que a confiança está presente totalmente. Mas não está.
Parece que a melhor verdade é a mentira. Isso me corrói por dentro.
Me deixa em uma estação imóvel e tristonha, onde simplesmente eu não consigo...

sábado, 25 de junho de 2011

Estranheza sem tamanho

Sem que eu perceba, as horas vão passando.
Fecho os olhos, respiro e tenho vontade de chorar.
Sinto meu corpo pesado, na cama. Sinto uma sensação esquisita, de flutuação. Cada vez vou chegando mais perto do teto e o barulho aumenta. Abro o olhos e não posso mover meus braços e nem pernas, é aterrorizante.
Tudo parece tão real...Não posso mais sentir meu corpo pesar sobre a cama.
Não há mais cama. Não há mais nada.
Sinto aos poucos meu corpo voltar e o barulho estrondoso diminuir.
Sei que estou sonhando..Mas uma outra vez, eu, acordada senti a mesma sensação.
Parece que quanto mais se quer longe, aos poucos torna-se mais perto.
Não quero a sensitividade perto de mim. Já havia a esquecido...ou pelo menos achava.

terça-feira, 21 de junho de 2011

(In) Existente

Entro por aquela porta e posso ver tudo de perto agora.
As coisas não são mais como eram antes.
Tudo mudou desde o dia em que acreditei que ele estaria perto de mim.
Seu nome é Pedro.
Pedro sem sobrenome.
O tal Pedro do teste.
O Pedro que era apaixonado por uma mulher inconstante;
Uma metamorfose ambulante.
O mesmo Pedro que é lembrado por  outras duas mulheres.
O homem que não tem sapatos pra calçar;
Não tem roupa pra despir;
E que sozinho não sabe pra onde seguir.
Não sente frio nem calor. E o que eu quero que sinta, é apenas o amor.
Pedro.
O homem que se cala diante de problemas que nem ele mesmo pode resolver.
O homem que aparece e desaparece.
O homem cuja essência é mutável.
Pedro é o homem cuja aparência ninguém sabe descrever. E que apenas sobrevive com palavras, falas e pensamentos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dois ímpares, dois pares

O "não saber quando" é o que faz com que a inconstância chegue mais perto de mim; assim sem avisar mesmo.
Fico pensando o quão isso é esquisito. Mas também não fico pensando muito. Apenas observo e faço minhas anotações mentais.
Minhas mãos estão gélidas, e a loucura está invadindo parte de mim. 
Ms, apesar de ser uma loucura lúcida, continua sendo loucura. Ou não! Ou talvez há de ser assim.
O que posso fazer se é o que me traz em pedaços a alegria?
Alegria essa que como um quebra-cabeça, vou montando aos poucos em mim as peças que aparecem. 
Alegria de estar.
Alegria dividida em dois.
Dois ímpares, dois pares.

domingo, 5 de junho de 2011

Quase vulcão

A cada passo que dou, meus pensamentos fogem da minha cabeça. Não vejo mais nada além da escuridão. O preto é  incessante.
O que está havendo?
Não consigo mais controlar os meu pés. Eles querem sair daqui.
Meu cérebro comanda, mas  minhas pernas não obedecem. Talvez minha vontade de sair não seja grande o suficiente. Ou talvez seja sim, mas as circunstâncias, por hora, não me deixam seguir.
Agora minha visão está limpando. Posso ver a cretinice e o cinismo embutido nas pessoas. E mesmo que tentemos, não há como acalmar  a alta  maré da mediocridade.
Às vezes, a intolerância persegue-me sem que eu perceba, e no rosto pálido como de costume, a expressividade usa seus artifícios para disfarçar a inconstância em que estou.
A expressão?
Quase não muda; mas por dentro sinto que a irritabilidade está subindo lentamente até que a vontade de não estar, me domine por completo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Coisinha boa de se ler

Adriana Falcão - Palavras



As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição.

Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas e pra brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro.
É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado pra dizer o que quer dar sentimento às coisas, fazer sentido.
Nada é mais fúnebre que a palavra fúnebre.
Nada é mais amarelo do que o amarelo-palavra.
Nada é mais concreto do que as letras c.o.n.c.r.e.t.o, dispostas nessa ordem e ditas dessa forma, assim, concreto, e já se disse tudo, pois as palavras agem, sentem e falam por elas próprias.
A palavra nuvem, chove.
A palavra triste, chora.
A palavra sono, dorme.
A palavra tempo, passa.
A palavra fogo, queima.
A palavra faca, corta.
A palavra carro, corre.
A palavra palavra, diz o que quer. E nunca desdiz depois.
As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e ponto.
As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas.
A palavra juro não mente.
A palavra mando não rouba.
A palavra cor não destoa.
A palavra sou não vira casaca.
A palavra liberdade não se prende.
A palavra amor não se acaba.
A palavra idéia não muda. Palavras nunca mudam de idéia.
Palavras sempre sabem o que querem.
Quero não será desisto.
Sim nunca jamais será não.
Árvore não será madeira.
Lagarta não será borboleta.
Felicidade não será traição.
Tesão nunca será amizade.
Sexta-feira não vira Sábado nem depois da meia-noite.
Noite nunca vai ser manhã.
Um não serão dois em tempo algum.
Dois não serão solidão.
Dor não será constantemente.
Semente nunca será flor.
As palavras também tem raízes, mas não se parecem com plantas, a não ser algumas delas: verde, caule, folha, gota.
As células das palavras são as letras. Algumas são mais importantes que outras.
As consoantes são um tanto insolentes. Roubam as vogais pra construírem sílabas e obrigam a língua a dançar dentro da boca. A boca abre ou fecha quando a vogal manda.
As palavras fechadas nem sempre são mais tímidas. A palavra sem-vergonha está aí de prova.
Prova é uma palavra difícil.
Porta é uma palavra que fecha.
Janela é uma palavra que abre.
Entreaberto é uma palavra que vaza.
Vigésimo é uma palavra bem alta.
Carinho é uma palavra que falta.
Miséria é uma palavra que sobra.
A palavra óculos é séria.
Cambalhota é uma palavra engraçada.
A palavra lágrima é triste.
A palavra catástrofe é trágica.
A palavra súbito é rápida.
Demoradamente é uma palavra lenta.
Espelho é uma palavra prata.
Ótimo é uma palavra ótima.
Queijo é uma palavra rato.
Rato é uma palavra rua.
Existem palavras frias como mármore.
Existem palavras quentes como sangue.
Existem palavras mangue, caranguejo.
Existem palavras lusas, Alentejo.
Existem palavras itálicas, ciao.
Existem palavras grandes, anticonstitucional.
Existem palavras pequenas: microscópio, minúsculo, molécula, partícula, quinhão, grão, covardia.
Existem palavras dia: feijoada, praia, boné, guarda-sol.
Existem palavras bonitas: madrugada.
Existem palavras complicadas: enigma, trigonometria, adolescente, casal.
Existem palavras mágicas: shazam, abracadabra,pirlimpimpim, sim e não.
Existem palavras que dispensam imagens: nunca, vazio, nada, escuridão.
Existem palavras sozinhas: eu, um, apenas, sertão.
Existem palavras plurais: mais, muito, coletivo, milhão.
Existem palavras que são palavrão.
Existem palavras pesadas: chumbo, elefante, tonelada.
Existem palavras doces: goiabada, marshmallow, quindim, bombom.
Existem palavras que andam: automóvel.
Existem palavras imóveis: montanha.
Existem palavras cariocas: Corcovado.
Existem palavras completas: elas todas.
Toda a palavra tem a cara do seu significado. A palavra pela palavra, tirando o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra não diz nada, é só letra e som.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Une chanson de Lily

Era um dia qualquer e eu estava indo pra um lugar qualquer. Estava um calor irritante. O sol me iluminava e eu fugia dele. Não gosto da claridade extrema. O que restava-me era ouvir um pouco de música, pra dizer a verdade um "forasteiro".
É engraçado como ao ouvir aquela música me fazem pensar mil coisas e perceber que o que digo agora, já não me valem mais de nada, porque o agora já passou. E o que restam são lembranças que serão esquecidas.Ou não...
E fico aqui a escutar um dos meus queridos cantores, Thiago Pethit, ou  Le petit prince;comme vous préférez.
E realmente é.

Forasteiro
Thiago Pethit

É primavera
Curam tristezas
Tudo muda demais por aqui
Forasteiro
Tua distância
Se eu sentisse
Poderia mudar, mas não vou

Por onde é que andarás?
Só me diga e eu prometo
Esse rio descansará

Você frio
Perto da noite
Longe de mim e eu mal sei
Onde estou
Cruzei vilas, em perdi
Além das ruas
Nossa história não mudou

E tanto eu tenho pra dizer
Se eu só pudesse te olhar
E se tens em mim o teu revólver
Hei de ti próprio disparar
Por onde é que andarás?



terça-feira, 17 de maio de 2011

Aos que virão depois de nós

Tentar entender as pessoas é não querer ficar sã. Mas a sanidade não é o bastante pra viver o que há de ser vivido.



Aos que virão depois de nós

I

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

III
Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

...
Bertold Brescht

Devaneios

Não vejo o sol há dias. Acho que ele não quer me ver.
Ele está cansado de, às vezes fazer meu cabelo secar, enquanto estou deitada na cama.
Ultimamente as nuvens cinzas dominam por aqui. E é impressionante como minhas mãos não aquecem.
Meu corpo é frio, mas não sinto tanto frio assim.
O frio é algo com  o qual já me acostumei. Eu gosto dele.
Gosto de sentir a água gelada em minhas mãos até meus ossos doerem; e depois esquentá-las só pra sentir como é bom mantê-las aquecida quando está muito frio.
Qual será a probabilidade de quando eu ficar mais velha, o reumatismo me atingir?
Não me importo com isso agora.
Me importo em acordar e ao tomar café, não tomar café, mas beber um capuccino três corações ou leite com nescau, em uma das minhas canecas.
Gosto de tomar banho muito quente, e ao fechar a janela, sentir o vapor subir até embaçar o espelho. Gosto de fazer desenhos ou escrever algo nele; e no outro dia rir do que foi escrito no dia anterior. Ou então, desembaçar apenas a parte que cobre meu rosto e perceber o quão meus lábios ficam rosados...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Humor de verniz

Vou andando devagar por onde passo
Observando a natureza
Que tristeza
Nessa mente de embaraço

Vou ouvindo o que diz
E a euforia interior
Não condiz 
Com meu humor de verniz

Não há como negar
Há uma alegria neste olhar
Alegria essa que vem e não demora
Indo embora assim, outrora...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Estranheza passageira

De uma alegria instantânea passo para uma sem graçisse que não deixo muito aparente.Tenho medo do vazio e escondo atrás do sorriso uma pequena frieza notável.
Essa frieza, já não me serve de nada, quando na verdade você, de súbito percebe como estou agindo.
Os meus  olhos são transparentes; como alguns dizem: o espelho da alma.
Não acho que sejam.
O olhar vago é o espelho da alma vazia. Foi o que me inspirou a escrever. Depois de tanto tempo sem escrever.
Talvez é o que tenha ficado aparente por um tempo.
E a busca pelo preenchimento continua.
Uma estranheza me domina hoje. Mas o que me faz melhor, é lembrar o modo como o sol ilumina suavemente seus olhos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sentinela

Para tudo
Pare o mundo
O mundo não pára
Olhe fundo

Ele passa e você não vê
Por onde é que eu andara?
Perde tempo e não repara
Que não há como prever

O destino é você quem faz
E o acaso é quem traz
As grandes oportunidades
Com grandiosidade

Agora atento
Passa a vigiar no relento
Os novos comportamentos
Introspectivos
Agora ativos.

O tempo não pára.
Luto contra a efemerdiade da vida
Que aos poucos está sendo vivida
Por um outrém que eu encontrara

O dia só acaba quando a noite termina
E o que me abomina
É não viver tudo outra vez

sábado, 2 de abril de 2011

Angústia

Hoje descobri que tenho câncer.
Não quero contar nada à Laura e as crianças. Estamos casados há treze anos..e não quero perdê-las.
Como será daqui pra frente?
Uma coisa dessa, quando acontece, muda completamente todos os seus planos. Será melhor então viver uma vida sem planos, mesmo não tendo doença alguma? Devo parar de pensar. O melhor é voltar para casa.
É estranho você chegar em casa, abraçar suas lindas filhas como se fosse morrer amanhã.
O estranhamento delas foi inevitável; perguntaram por que raios eu, as abraçava daquele modo. Quase nunca tinha tempo pra família. O trabalho sempre me ocupava mais. Mas não deixava de ser um pai dedicado e um marido presente.
Aquela notícia me afetou profundamente. Decidi então contar para Laura.
A reação dela não foi outra à não ser o choro exaltado e angustiante.
Não em importo em morrer cedo.Me importo como os outros vão lidar com a minha morte.
Laura acalmou-se e fomos dormir.
Ao acordar, senti meu corpo pesado. Eu não conseguia me mexer. Estava tendo um A.V.C ( Acidente Vascular Cerebral). A sensação era horrível.Minha cabeça e meu corpo formigavam. Eu tinha consciência do que estava acontecendo, ams não podia fazer nada diante da situação.
Laura levou-me então ao médico.
Fizeram uma bateria de exames, e agora minha família teria de decidir se  perderia minha fala mas alimentaria-me  normalmente, ou se por sonda, mas continuaria falando.
Uma decisão difícil.
Naquele momento eu não sabia o que iriam decidir por mim, não sabia o que era pior, se o pior seria únca mais poder sentir o gosto de uma comida, ou nunca mais poder dizer como é não sentir.
Decidiram, depois de uma longa reunião dos médicos e com o resto de minha família, o que deveria de ser feito por mim.
Decidiram então, que eu pudesse depois da cirurgia de emergência, alimentar-me normalmente.
Eu, agora, me tornara praticamente um vegetal. Lágrimas ainda escorriam de meus olhos, inchados.
Quando a tristeza bate no corpo o que primeiro você deixa de fazer é comer. De que adianta eu poder comer, se a vontade agora estava longe de mim. Não havia mais vontade de viver, de sorrir.
A angústia dominara-me por coompleto. Eu era um homem incompleto e sentimental.
Acabara de perder o que de mais valioso eu tinha. E nunca mais pude dizer o quão eu amava minha família.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Chumbo derretido

Entro na sua mente
De uma maneira nada conveniente
Uso meus princípios
Tornando-os ofício

Tento entender sempre
O que há com você
O  que me fala
É como o perfume que exala
A essência e a fragrância
Com elegância

Vejo ainda um olhar perdido
Caminhando nas ruas do perigo
Sem olhar pra trás
A procura de um lar

Vejo um soldado
Que seu escudo perdeu
E em uma noite morreu
Mas de uma linda forma renasceu

Mesmo em meio à um momento conturbado
Carrega com sigo
O chumbo derretido
Que sobrou dum soldado de guerra.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Passado o passado

O que vejo no passado, não passam de retratos mal pintados, que agora estão despedaçados e incompletos.
As cores estão espalhadas e a fisionomia das pessoas presentes, quase já não dá pra ver mais. Estão se apagando cada vez que são expostas.
Minha mente agora  está escura. Não sei o que houve.
Talvez eu saiba, mas não quero acreditar que foi tudo tão passageiro.
Às vezes as pessoas sentem algo tão forte, que não sabem como lidar com isso. Escondem para si mesmos o quão importante e único é sentir algo por alguém. Um simples fato, como olhar de longe
e perceber que os olhares encontram-se e ver que realmente a pessoa está seguindo em sua direção, é um momento que você deixa de fazer o que está fazendo e então, os pensamentos invadem simultaneamente a sua cabeça.
Subtextos são formados. Seu corpo treme.
Está se aproximando.
Sua respiração muda.
Os pensamentos não cessam, por mais que você queira isso.
Está se aproximando.
O sentimento está voltando. Ele agora não quer sair mais de você.
Você até tenta fingir que não sente o que sente; mas não dá certo.
Você quer sair correndo dali, desaparecer. Quer que o medo não esteja mais presente, e que não torne aparente, na aparência.
Aquela sensação do reencontro é evidente; você não percebe como se porta diante de tudo. Tenta ativar a inexpressividade, mas cada dia que passa, é impossível ativá-la. É impossível conseguir disfarçar.É impossível aguentar. O melhor é chorar; mas nem isso você consegue.
E o máximo que você faz é ficar olhando, estagnado.
As palavras não querem sair.
Está chegando. Está muito perto de você. E o que você diz?
"Oi".

segunda-feira, 28 de março de 2011

Amor de Domingo

É tudo tão passageiro.
Uma hora você pensa demais. Outrora pensa que deve pensar menos, pois se pensasse menos, talvez não sofreria tanto..
Você passa boa parte da sua vida pensando.
Pensando em amores, sejam eles platônicos ou não; mas não deixam de ser amores.
Cada música,cada filme, cada livro, cada história, cada palavra dita tem o seu significado.
A vida me segue onde quer que meus caminhos apontem; e o único amor que eu encontrei, foi um Amor de Domingo.

sábado, 26 de março de 2011

Ver e não enxergar

Quando ando pela rua
Vejo a chuva caindo
Percebendo nessa noite crua
Moradores de rua pedindo

Pedindo um alimento pra comer
Sem esperanças de viver
Procurando um teto pra morar
Por não terem onde ficar

Crianças descalças
Seguem em vão
Com uma caixa de papelão
Segurando-a nas mãos

Com tudo isso
Continuo caminhando e observando
O quão a verdade é dolorosa
Pavorosa.

Vejo que não há mais espaço
Todos ficam ali amontoados
Porque os lugares já estão ocupados
Por outros que nem são coitados
São seres bem-dotados.
Ou não.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Casualidade

Quando a sua atenção está dividida entra e música e os passos das pessoas a cada vez que chega uma nova estação, seus pensamentos não estão em nenhum dos dois lugares. E se algo lhe chamar atenção, a letra da música já será esquecida e seu foco inconscientemente será outro. Foi o que ocorreu, quando o vi.
Em meio a multidão, seus olhos encontraram-se com os meus.
Aos poucos foi caminhando em minha direção. Meu coração batia acelerado, surgira um sentimento inesperado, que meus pensamentos não davam conta.
Minha estação chegou.
Segui o fluxo e quando olhei para trás, aqueles lindos olhos encontraram-se novamente com os meus..

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sensação nebulosa

Ainda vejo você lá de longe, subindo uma montanha que não tem fim. Tento ir atrás, mas meus pés não aguentam. O tempo não colabora. Minhas mãos estão gélidas nesse inverno rigoroso. E mesmo assim, tento ir atrás.
Tenho de caminhar muito até o topo da montanha, que é pra onde você está seguindo agora.
Quero apenas olhar nos teus olhos e me ver neles. Ver como eles são belos e encantadores.
A neblina está cada vez mais invadindo o espaço.
Não o vejo mais.

Zeca

segunda-feira, 7 de março de 2011

Prisão sem grades

Era noite. Ele deitou na cama e ficou pensando um pouco na vida antes de dormir.
Seu corpo foi relaxando até ele atingir o sono REM, onde acontecem os sonhos, ou pesadelos.
Ele era solitário e tinha muito medo de morrer assim. Já havia feito muitas coisas que se arrependera depois.
Seu maior medo era ficar paralítico.
Um tempo depois percebeu que seus movimentos já não eram mais como antes. Parecia que ele havia ficado sem se mexer durante anos e anos. Não sentia mais seu corpo.
O cérebro já não executava mais nenhum comando referente aos movimentos físicos.Para ele o mundo havia parado ali, naquele momento.
Não era a morte. Talvez morrer seria a melhor opção.
Dizem que quando alguém está prestes a morrer, passa um filme de sua vida..todos os momentos bons e ruins.
Aquilo era pior. Ele conseguia sentir-se morto, estando vivo.Tudo o que viveu passou como um flash em sua cabeça.
Sua vida fora jogada no lixo. Aquela paralisia era incomum. Nunca ninguém havia sentido antes.
A sensação era de formigamento.Impotência. Fracasso.
Ele estava sozinho e não havia ninguém por perto para ampará-lo.
Uma forte pressão foi de seus pés à sua cabeça e em questão de minutos ele havia despertado.Sentou an cama e ficou admirando seus movimentos e como era bom sentir os braços.
Levantou bruscamente, mas suas pernas estavam fracas e acabou caindo.
Aquele fora o seu maior pesadelo..

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Inconstância

Em minhas mãos gélidas
Carrego a brutalidade da vida
Esquecida e sofrida
Presentes na fisionomia abatida

A juventude já passou
E o futuro não esperou
A vontade de vivenciar
Sem se quer questionar

E agora nada restou
O mundo inteiro se calou
E com um sopro frio
Perdi-me no vazio...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

(De) lírio

Não sei para onde seguir
Algo pode me atingir
Quero mesmo é não estar
Evitar

Quero que o sentimento
Se perca como o vento
E vá-se embora o tormento

Da  minha vida quero anular
A desistência humilhante
A ansiedade constante
Repugnante

Ainda posso encontrar
A esperança perdida
De uma vida não vivida
Aprendendo a esperar
Sem ter medo de amar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Atitude congruente

A complexidade chegou
E num momento inoportuno
A emoção escapou
Dum pensamento coaduno

A inquietude permanece
E nada acontece
A voz quase não sai
E o medo então se esvai

Ainda não acabou
Minha respiração parou
O enigma ainda não foi desvendado
Ô ser complicado..

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Palidez colorida


Acordo e vejo em meu criado-mudo uma espécie de um livro, onde na capa está escrito: " Para você."
Não entendi muito bem, o por quê, mas por curiosidade resolvi abri-lo.
Páginas em branco.
Um livro com páginas em branco.
Aquilo era estranho demais. Nunca me havia acontecido algo parecido.
Seria um diário? Não haviam linhas, nem nada.
Dentro do livro, havia nanquím. Algo me dizia que era para eu fazer algo, escrever, desenhar, não sei.Peguei o nanquim e fui até a ultima página. Apontei-o  sobre o papel, fechei os olhos e minha mão esquerda foi movimentando-se involuntariamente
Minha mo, eu já não conseguia manter o controle. Eu queria que parasse. Que tudo parasse..
Tive medo do que poderia acontecer.
Abri os olhos.
Não acreditei no que meus olhos estavam me mostrando.
Eram desenhos.
Os mais lindos que eu havia visto.
Minha mão parou. Os desenhos movimentaram-se e formaram uma linha só.
Passaram do papel à minha pele pálida.
Era o preto no branco.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Natureza incomum

A árvore chora.
Chora um choro sem chuva.
As lágrimas molham o asfalto.
De lá de cima, a árvore chora.
Não á explicação.
Não há chuva, para restos de gotículas.
Não há nada, mas a árvore ainda chora.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Destroços de uma vida sem limites

Era verão e meus pais queriam mudar de casa, porque era mais perto pro emprego do papai.
Era um sábado e fomos ver umas casas da redondeza.
Descemos do carro e em frente à casa havia uma mulher, ela deveria ser a corretora, pois estava muito atenciosa com meus pais.
Ela pediu que nós fossemos conhecer a casa. Subi as escadas.
A casa era muito bonita, grande e um pouco velha.
Os antigos donos mudaram-se para um local mais perto do comércio.
encontrei uma porta que havia uma escada. Fui até o sótão e lá encontrei um baú de madeira, um pouco velho. Limpei a poeira e em sua madeira estava grafada "Pedra do singno". Tentei abrir, mas não havia chave nenhuma, somente o cadeado. O baú estava trancado.
Papai chamara-me para irmos embora. Perguntou se eu havia gostado da casa e tudo. Disse que sim. Afinal ela tinha um bom espaço na cozinha e era bem ampla. Uma dessas casas de interior.
Mudamo-nos para lá quatro meses depois.
Agora ela estava toda reformada.
Segui minha vida normalmente. Formei-me no colégio e na faculdade. Fiz psicologia.
O emprego do papai estava dando certo. Desde que mudamo-nos para cá, tudo está dando certo. Exceto para mim.
Todos diziam que não havia nada de errado comigo;e talvez, não houvesse mesmo. Ou houvesse.
DE uns tempos pra cá eu estava usando drogas e estava sendo maravilhoso, mas ao mesmo tempo que eu tinha tudo, eu não tinha nada. Depois que o efeito cessava, parece que o mundo não era mais o mesmo. O momento de euforia e alegria, agora tornara-se horrendo.
Por um tempo não deixei aparente, afinal eu sabia disfarçar muito bem. Mas não consegui segurar as pontas por muito tempo.
Os pacientes reclamavam. As sessões de psicologia já não eram mais tão boas como antes.
O que havia de errado comigo?
Agora eu era uma viciada.
Às vezes parecia que eu escondia os meus problemas nos dos outros.
Ouvir problemas dos outros estava me afetando cada vez mais, pois não havia  como não pensar depois, por pequenos que sejam, é um pouco difícil. O que eu estava precisando mesmo era viajar.
Viajar pra qualquer lugar do mundo. Talvez, Amsterdã.
Lá seria o paraíso pra mim.
Passei dois meses lá.
Tive overdose. Levaram-me para uma clínica de reabilitação.
Um ano e meio sem drogas.
Voltei para casa.
Estava no computador e, quando me dei conta estava dando depoimentos em um site de pessoas que também estavam em reabilitação.
Estava muito calor e , quando estava prendendo meu cabelo, o brinco enroscou  em uma correntinha que eu havia ganhado de presente, quando era pequena. Toquei an corrente e lembrei-me do baú. O tal baú de madeira, de quando eu era pequena. Não pensei duas vezes, na minha correntinha havia uma chave de ouro que era compatível com o cadeado do baú.
Fiquei maravilhada. Como nunca havia pensado em algo o tipo antes?
Um enigma da infância que agora estava prestes a ser desvendado.
Coloquei a chave e girei. O baú abriu.
Havia um brilho diferente, que encantava. Dentro do baú havia um calendoscópio e uma pedra preciosa: o cristal.
Eu sabia que havia algo em comum entre nós.
Então fiz o que antes nunca havia feito. Três gramas de cristal moído misturado com água. Minutos depois, senti ardência na garganta, uma pressão que parecia não mais cessar,peguei o calendoscópio, que também estava dentro do baú. Fiquei maravilhada com aquela sensação indescritível e única.
Mas algo estava acontecendo. Meus pés começaram a formigar, arder. Essa ardência tomou-me por inteira.
Agora não havía dúvidas. Deixei o cristal dominar-me até não sentir mais "tum, tum, tum".

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vida de brinquedo

Das coisas que vi, escrevi,ouvi e senti, apenas algumas chamaram-me atenção.
Não que as outras não fossem tão interessante, mas sempre há as que se sobressaem.
Um olhar, um sorriso, estar perto.
As pessoas brincam com a vida, das outras e de si.
Prendem-se à coisas que depois, não haverá mais.
Suas vontades, depois de alcançadas, passam.
Esquecem-se de olhar a vida com olhos de brinquedos e não brincar com a vida.
Às vezes as pessoas não percebem que o faz a diferença, são os detalhes.

Horizonte sem pincel

No horizonte
Ouço um lobo uivando
Meu coração está palpitando
E agora não sei em que direção seguir

No horizonte
Ouço seus passos
Sinto seus abraços
Invadindo meu ser

Deve ser o acaso
Batendo novamente em minha porta
Mas o amor foi-se embora
Juntamente com a aurora
Sem voltar outrora.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Vista não vista

A chuva cai
Molha o meu destino
E o pensamento obstino
Se esvai

O céu já não está mais azul
Os pássaros não mais querem voar
Não querem mais o sul, nem o sol
E não querem magoar

O susto é passageiro
Mas o dia inteiro
Fico à esperar na janela
A vista singela dos pássaros no céu.

Gostos

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre Tyler Durden

Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes. 
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. 
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis. 
Somos uma geração sem peso na história. 
Sem propósito ou lugar. 
Nós não temos uma Guerra Mundial. 
Nós não temos uma Grande Depressão. 
Nossa Guerra é a espiritual. 
Nossa Depressão, são nossas vidas. 
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock. 
Mas não somos. 
Aos poucos tomamos consciência do fato. 
E estamos muito, muito putos. 

Você não é o seu emprego. 
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. 
Nem o carro que dirige. 
Nem o que tem dentro da sua carteira. 
Nem a porra do uniforme que veste. 
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção. 

Nós não somos especiais. 
Nós não somos uma beleza única. 
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dimensões

Estou perdida. Ninguém me ouve. O barulho agudo invade meus ouvidos de uma maneira ensurdecedora. Não ouço nada.
Levanto da cama, piso no chão molhado. Deixei a janela aberta enquanto dormia. Molhou todo o chão. Corro depressa para fechar. Escorrego. Bati a cabeça na quina da escrivaninha.
Uma escuridão vem lentamente dominando meus olhos.
Sinto o sangue escorrendo até a testa e pingar no chão.
Não lembro de mais nada.
A sensação é como se houvesse outro lugar e houvessem outras pessoas, com falas diferente, pensamentos diferentes. Tudo muda.
Nada é como é, e tudo é como é, simultaneamente desordenado.
ouço um barulho incomum, como se algo estivesse pressionando minha cabeça; ouço novos ruídos, desta vez, conhecidos.
Eu não estava ali. Passaram-se meses, para mim e minutos para eles.
Minhas pernas tremiam, minhas mãos estavam gélidas e eu não sentia mais meu corpo como antes.
A sensação era como apertar o pulso com força, até as mãos ficarem brancas, e depois sentir o sangue voltar.
Eu estava em outro lugar.
Não haviam dúvidas.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quereria eu

Não espero encontrar
A mesma cara de sempre
De pensamento ausente
Que a verdade busca encontrar

A impulsividade domina
E  o coração aglutina
O mesmo olhar
Com sua maneira singular

Queria que houvesse
no mural, o plural
Onde os ímãs pudesse afastar
Qualquer outro tipo de pensamento...

À minha maneira

Penso, às vezes, que poderia estar fazendo outra coisa de que gosto mais. Não sei..
Escrevo, porque é uma forma, além da atuação, de viver a vida de muitas maneiras, como Fernando pessoa e seus pseudônimos..
Nada como viver a vida de várias maneiras.
Maneiras que são incansáveis de se pensar.
Algo inspirou-me.
Talvez encontrei tanto as palavras das quais estava procurando..
No papel, vejo o mundo que não é perfeito, que é desordenado, desigual, que a identidade já se foi há tempos..
Vejo um mundo moldável, à meu ver.
Onde  posso fazê-lo de uma maneira diferente..à minha maneira.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Esconderijo

Muitas coisas foram descobertas. Algumas não muito felizes.
Há tempos que a felicidade foi embora. Não a vejo mais nas ruas por onde ando. Talvez esteja cansada de brincar de esconde-esconde.
Mas acho que sei onde é seu esconderijo..

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Intitulável

É impressionante como agimos por impulso. O dia parece normal, como todos os outros anteriores e, ao ver pequenas coisas, a raiva sobe o sangue de uma maneira incontrolável.
Tiramos conclusões precipitadas  Em nossa cabeça, mil idéias ao mesmo tempo, fazendo confusões.
Vemos coisas onde não tem, baseadas em palpites incertos que, posteriormente fazem com que fiquemos cada vez mais aflitos, por não poder estar onde se quer estar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sórdidamente imutável

Quando se espera algo de alguém
Tudo fica impaciente
E não muito contente
Esperando respostas que lhe convém

E quando têm-se  a resposta
Tudo o que era concreto
Agora não passam de ruínas

O pensamento enlouquece
E a dor permanece
Como carnificina.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pés cansados

É do outro lado da praia que me despeço, acreditando, que os dias de chuva iriam embora e que o sol renasceria com a cor mais bela e nunca imaginada.
Caminho sem os pés no chão, deixando que meus pensamentos cheguem até a estratosfera. Assim não poderei pensar naquilo que me deixa a pensar, e que me faz pensar às vezes, que não é bom pensar, porque não há nada a se pensar; porque quanto mais se pensa, mais o medo vem..

domingo, 9 de janeiro de 2011

Efeito insípido

As ondas invadem meus pensamentos
O sol ilumina a minha alma
Com toda essa calma
Meu corpo descansa
Sem esperança

A sensação já não é a mesma
A revolta instala-se em mim
Como um rebelde querubim
Vivendo uma vida abantesma.

O conformismo fora embora
Espero que não volte outrora
A bater em minha porta
Com sua mente absorta

A jornada é trabalhosa
A guerreira, orgulhosa.
Ainda há muito o que aprender
Há de ter paciência para acontecer.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Estagnada

O quarto é branco.
A parede é branca, o chão é branco, o teto é branco.
Os desenhos no chão invadem a parede de uma maneira uniforme.
Vestia um vestido branco com flores pretas.Seu cabelo era curto e repicado.
Ela era jovem. Gostava de tocar violão e compor músicas que não tinham muito a ver com os outros.
Músicas das quais representavam seu eu interior.
Caminhava descalça pelo quarto. A tinta ainda estava fresca e ao caminhar, os desenhos que estavam pintados no chão iam cobrindo sua pele pálida de preto, no mesmo formato.
As pessoas que às vezes a visitavam sempre perguntaram o por que não haviam muitas cores. E ela não respondia.
Até que um dia ela disse:
São no preto e branco, porque o colorido já não existe mais.

Abissal

Diga-me que quer ver o pôr-do-sol comigo
Que quer caminhar na praia até cansar
Que quer  ver desenho em nuvem

Diga-me algo sobre ser clichê
E que não tem a ver
Diga-me o que não quer dizer

Diga-me que não é loucura
E que não passa de uma travessura
Consciente e consequente


Diga-me que vem
Sem dizer nada a ninguém
Sem pensar em outrém.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tentativa eloquente

Ando andando pelas ruas
Buscando a felicidade crua
E o que encontro
Nada mais é
Do que   uma claridade,
Na verdade
Sem cor e sem brilho.

Inexpressivamente
Vou passando assim
Sem deixar muito aparente
E de uma maneira nada eloquente
A frieza que aquece o sentimento.

Por dentro sinto frio.
O mesmo  frio que congela
E esfarela a emoção
Forte e sem reação
Daquele minuto inesperado.