segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vida de brinquedo

Das coisas que vi, escrevi,ouvi e senti, apenas algumas chamaram-me atenção.
Não que as outras não fossem tão interessante, mas sempre há as que se sobressaem.
Um olhar, um sorriso, estar perto.
As pessoas brincam com a vida, das outras e de si.
Prendem-se à coisas que depois, não haverá mais.
Suas vontades, depois de alcançadas, passam.
Esquecem-se de olhar a vida com olhos de brinquedos e não brincar com a vida.
Às vezes as pessoas não percebem que o faz a diferença, são os detalhes.

Horizonte sem pincel

No horizonte
Ouço um lobo uivando
Meu coração está palpitando
E agora não sei em que direção seguir

No horizonte
Ouço seus passos
Sinto seus abraços
Invadindo meu ser

Deve ser o acaso
Batendo novamente em minha porta
Mas o amor foi-se embora
Juntamente com a aurora
Sem voltar outrora.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Vista não vista

A chuva cai
Molha o meu destino
E o pensamento obstino
Se esvai

O céu já não está mais azul
Os pássaros não mais querem voar
Não querem mais o sul, nem o sol
E não querem magoar

O susto é passageiro
Mas o dia inteiro
Fico à esperar na janela
A vista singela dos pássaros no céu.

Gostos

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre Tyler Durden

Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes. 
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. 
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis. 
Somos uma geração sem peso na história. 
Sem propósito ou lugar. 
Nós não temos uma Guerra Mundial. 
Nós não temos uma Grande Depressão. 
Nossa Guerra é a espiritual. 
Nossa Depressão, são nossas vidas. 
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock. 
Mas não somos. 
Aos poucos tomamos consciência do fato. 
E estamos muito, muito putos. 

Você não é o seu emprego. 
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. 
Nem o carro que dirige. 
Nem o que tem dentro da sua carteira. 
Nem a porra do uniforme que veste. 
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção. 

Nós não somos especiais. 
Nós não somos uma beleza única. 
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dimensões

Estou perdida. Ninguém me ouve. O barulho agudo invade meus ouvidos de uma maneira ensurdecedora. Não ouço nada.
Levanto da cama, piso no chão molhado. Deixei a janela aberta enquanto dormia. Molhou todo o chão. Corro depressa para fechar. Escorrego. Bati a cabeça na quina da escrivaninha.
Uma escuridão vem lentamente dominando meus olhos.
Sinto o sangue escorrendo até a testa e pingar no chão.
Não lembro de mais nada.
A sensação é como se houvesse outro lugar e houvessem outras pessoas, com falas diferente, pensamentos diferentes. Tudo muda.
Nada é como é, e tudo é como é, simultaneamente desordenado.
ouço um barulho incomum, como se algo estivesse pressionando minha cabeça; ouço novos ruídos, desta vez, conhecidos.
Eu não estava ali. Passaram-se meses, para mim e minutos para eles.
Minhas pernas tremiam, minhas mãos estavam gélidas e eu não sentia mais meu corpo como antes.
A sensação era como apertar o pulso com força, até as mãos ficarem brancas, e depois sentir o sangue voltar.
Eu estava em outro lugar.
Não haviam dúvidas.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quereria eu

Não espero encontrar
A mesma cara de sempre
De pensamento ausente
Que a verdade busca encontrar

A impulsividade domina
E  o coração aglutina
O mesmo olhar
Com sua maneira singular

Queria que houvesse
no mural, o plural
Onde os ímãs pudesse afastar
Qualquer outro tipo de pensamento...

À minha maneira

Penso, às vezes, que poderia estar fazendo outra coisa de que gosto mais. Não sei..
Escrevo, porque é uma forma, além da atuação, de viver a vida de muitas maneiras, como Fernando pessoa e seus pseudônimos..
Nada como viver a vida de várias maneiras.
Maneiras que são incansáveis de se pensar.
Algo inspirou-me.
Talvez encontrei tanto as palavras das quais estava procurando..
No papel, vejo o mundo que não é perfeito, que é desordenado, desigual, que a identidade já se foi há tempos..
Vejo um mundo moldável, à meu ver.
Onde  posso fazê-lo de uma maneira diferente..à minha maneira.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Esconderijo

Muitas coisas foram descobertas. Algumas não muito felizes.
Há tempos que a felicidade foi embora. Não a vejo mais nas ruas por onde ando. Talvez esteja cansada de brincar de esconde-esconde.
Mas acho que sei onde é seu esconderijo..

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Intitulável

É impressionante como agimos por impulso. O dia parece normal, como todos os outros anteriores e, ao ver pequenas coisas, a raiva sobe o sangue de uma maneira incontrolável.
Tiramos conclusões precipitadas  Em nossa cabeça, mil idéias ao mesmo tempo, fazendo confusões.
Vemos coisas onde não tem, baseadas em palpites incertos que, posteriormente fazem com que fiquemos cada vez mais aflitos, por não poder estar onde se quer estar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sórdidamente imutável

Quando se espera algo de alguém
Tudo fica impaciente
E não muito contente
Esperando respostas que lhe convém

E quando têm-se  a resposta
Tudo o que era concreto
Agora não passam de ruínas

O pensamento enlouquece
E a dor permanece
Como carnificina.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pés cansados

É do outro lado da praia que me despeço, acreditando, que os dias de chuva iriam embora e que o sol renasceria com a cor mais bela e nunca imaginada.
Caminho sem os pés no chão, deixando que meus pensamentos cheguem até a estratosfera. Assim não poderei pensar naquilo que me deixa a pensar, e que me faz pensar às vezes, que não é bom pensar, porque não há nada a se pensar; porque quanto mais se pensa, mais o medo vem..

domingo, 9 de janeiro de 2011

Efeito insípido

As ondas invadem meus pensamentos
O sol ilumina a minha alma
Com toda essa calma
Meu corpo descansa
Sem esperança

A sensação já não é a mesma
A revolta instala-se em mim
Como um rebelde querubim
Vivendo uma vida abantesma.

O conformismo fora embora
Espero que não volte outrora
A bater em minha porta
Com sua mente absorta

A jornada é trabalhosa
A guerreira, orgulhosa.
Ainda há muito o que aprender
Há de ter paciência para acontecer.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Estagnada

O quarto é branco.
A parede é branca, o chão é branco, o teto é branco.
Os desenhos no chão invadem a parede de uma maneira uniforme.
Vestia um vestido branco com flores pretas.Seu cabelo era curto e repicado.
Ela era jovem. Gostava de tocar violão e compor músicas que não tinham muito a ver com os outros.
Músicas das quais representavam seu eu interior.
Caminhava descalça pelo quarto. A tinta ainda estava fresca e ao caminhar, os desenhos que estavam pintados no chão iam cobrindo sua pele pálida de preto, no mesmo formato.
As pessoas que às vezes a visitavam sempre perguntaram o por que não haviam muitas cores. E ela não respondia.
Até que um dia ela disse:
São no preto e branco, porque o colorido já não existe mais.

Abissal

Diga-me que quer ver o pôr-do-sol comigo
Que quer caminhar na praia até cansar
Que quer  ver desenho em nuvem

Diga-me algo sobre ser clichê
E que não tem a ver
Diga-me o que não quer dizer

Diga-me que não é loucura
E que não passa de uma travessura
Consciente e consequente


Diga-me que vem
Sem dizer nada a ninguém
Sem pensar em outrém.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tentativa eloquente

Ando andando pelas ruas
Buscando a felicidade crua
E o que encontro
Nada mais é
Do que   uma claridade,
Na verdade
Sem cor e sem brilho.

Inexpressivamente
Vou passando assim
Sem deixar muito aparente
E de uma maneira nada eloquente
A frieza que aquece o sentimento.

Por dentro sinto frio.
O mesmo  frio que congela
E esfarela a emoção
Forte e sem reação
Daquele minuto inesperado.