domingo, 27 de fevereiro de 2011

Inconstância

Em minhas mãos gélidas
Carrego a brutalidade da vida
Esquecida e sofrida
Presentes na fisionomia abatida

A juventude já passou
E o futuro não esperou
A vontade de vivenciar
Sem se quer questionar

E agora nada restou
O mundo inteiro se calou
E com um sopro frio
Perdi-me no vazio...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

(De) lírio

Não sei para onde seguir
Algo pode me atingir
Quero mesmo é não estar
Evitar

Quero que o sentimento
Se perca como o vento
E vá-se embora o tormento

Da  minha vida quero anular
A desistência humilhante
A ansiedade constante
Repugnante

Ainda posso encontrar
A esperança perdida
De uma vida não vivida
Aprendendo a esperar
Sem ter medo de amar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Atitude congruente

A complexidade chegou
E num momento inoportuno
A emoção escapou
Dum pensamento coaduno

A inquietude permanece
E nada acontece
A voz quase não sai
E o medo então se esvai

Ainda não acabou
Minha respiração parou
O enigma ainda não foi desvendado
Ô ser complicado..

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Palidez colorida


Acordo e vejo em meu criado-mudo uma espécie de um livro, onde na capa está escrito: " Para você."
Não entendi muito bem, o por quê, mas por curiosidade resolvi abri-lo.
Páginas em branco.
Um livro com páginas em branco.
Aquilo era estranho demais. Nunca me havia acontecido algo parecido.
Seria um diário? Não haviam linhas, nem nada.
Dentro do livro, havia nanquím. Algo me dizia que era para eu fazer algo, escrever, desenhar, não sei.Peguei o nanquim e fui até a ultima página. Apontei-o  sobre o papel, fechei os olhos e minha mão esquerda foi movimentando-se involuntariamente
Minha mo, eu já não conseguia manter o controle. Eu queria que parasse. Que tudo parasse..
Tive medo do que poderia acontecer.
Abri os olhos.
Não acreditei no que meus olhos estavam me mostrando.
Eram desenhos.
Os mais lindos que eu havia visto.
Minha mão parou. Os desenhos movimentaram-se e formaram uma linha só.
Passaram do papel à minha pele pálida.
Era o preto no branco.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Natureza incomum

A árvore chora.
Chora um choro sem chuva.
As lágrimas molham o asfalto.
De lá de cima, a árvore chora.
Não á explicação.
Não há chuva, para restos de gotículas.
Não há nada, mas a árvore ainda chora.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Destroços de uma vida sem limites

Era verão e meus pais queriam mudar de casa, porque era mais perto pro emprego do papai.
Era um sábado e fomos ver umas casas da redondeza.
Descemos do carro e em frente à casa havia uma mulher, ela deveria ser a corretora, pois estava muito atenciosa com meus pais.
Ela pediu que nós fossemos conhecer a casa. Subi as escadas.
A casa era muito bonita, grande e um pouco velha.
Os antigos donos mudaram-se para um local mais perto do comércio.
encontrei uma porta que havia uma escada. Fui até o sótão e lá encontrei um baú de madeira, um pouco velho. Limpei a poeira e em sua madeira estava grafada "Pedra do singno". Tentei abrir, mas não havia chave nenhuma, somente o cadeado. O baú estava trancado.
Papai chamara-me para irmos embora. Perguntou se eu havia gostado da casa e tudo. Disse que sim. Afinal ela tinha um bom espaço na cozinha e era bem ampla. Uma dessas casas de interior.
Mudamo-nos para lá quatro meses depois.
Agora ela estava toda reformada.
Segui minha vida normalmente. Formei-me no colégio e na faculdade. Fiz psicologia.
O emprego do papai estava dando certo. Desde que mudamo-nos para cá, tudo está dando certo. Exceto para mim.
Todos diziam que não havia nada de errado comigo;e talvez, não houvesse mesmo. Ou houvesse.
DE uns tempos pra cá eu estava usando drogas e estava sendo maravilhoso, mas ao mesmo tempo que eu tinha tudo, eu não tinha nada. Depois que o efeito cessava, parece que o mundo não era mais o mesmo. O momento de euforia e alegria, agora tornara-se horrendo.
Por um tempo não deixei aparente, afinal eu sabia disfarçar muito bem. Mas não consegui segurar as pontas por muito tempo.
Os pacientes reclamavam. As sessões de psicologia já não eram mais tão boas como antes.
O que havia de errado comigo?
Agora eu era uma viciada.
Às vezes parecia que eu escondia os meus problemas nos dos outros.
Ouvir problemas dos outros estava me afetando cada vez mais, pois não havia  como não pensar depois, por pequenos que sejam, é um pouco difícil. O que eu estava precisando mesmo era viajar.
Viajar pra qualquer lugar do mundo. Talvez, Amsterdã.
Lá seria o paraíso pra mim.
Passei dois meses lá.
Tive overdose. Levaram-me para uma clínica de reabilitação.
Um ano e meio sem drogas.
Voltei para casa.
Estava no computador e, quando me dei conta estava dando depoimentos em um site de pessoas que também estavam em reabilitação.
Estava muito calor e , quando estava prendendo meu cabelo, o brinco enroscou  em uma correntinha que eu havia ganhado de presente, quando era pequena. Toquei an corrente e lembrei-me do baú. O tal baú de madeira, de quando eu era pequena. Não pensei duas vezes, na minha correntinha havia uma chave de ouro que era compatível com o cadeado do baú.
Fiquei maravilhada. Como nunca havia pensado em algo o tipo antes?
Um enigma da infância que agora estava prestes a ser desvendado.
Coloquei a chave e girei. O baú abriu.
Havia um brilho diferente, que encantava. Dentro do baú havia um calendoscópio e uma pedra preciosa: o cristal.
Eu sabia que havia algo em comum entre nós.
Então fiz o que antes nunca havia feito. Três gramas de cristal moído misturado com água. Minutos depois, senti ardência na garganta, uma pressão que parecia não mais cessar,peguei o calendoscópio, que também estava dentro do baú. Fiquei maravilhada com aquela sensação indescritível e única.
Mas algo estava acontecendo. Meus pés começaram a formigar, arder. Essa ardência tomou-me por inteira.
Agora não havía dúvidas. Deixei o cristal dominar-me até não sentir mais "tum, tum, tum".