terça-feira, 31 de maio de 2011

Une chanson de Lily

Era um dia qualquer e eu estava indo pra um lugar qualquer. Estava um calor irritante. O sol me iluminava e eu fugia dele. Não gosto da claridade extrema. O que restava-me era ouvir um pouco de música, pra dizer a verdade um "forasteiro".
É engraçado como ao ouvir aquela música me fazem pensar mil coisas e perceber que o que digo agora, já não me valem mais de nada, porque o agora já passou. E o que restam são lembranças que serão esquecidas.Ou não...
E fico aqui a escutar um dos meus queridos cantores, Thiago Pethit, ou  Le petit prince;comme vous préférez.
E realmente é.

Forasteiro
Thiago Pethit

É primavera
Curam tristezas
Tudo muda demais por aqui
Forasteiro
Tua distância
Se eu sentisse
Poderia mudar, mas não vou

Por onde é que andarás?
Só me diga e eu prometo
Esse rio descansará

Você frio
Perto da noite
Longe de mim e eu mal sei
Onde estou
Cruzei vilas, em perdi
Além das ruas
Nossa história não mudou

E tanto eu tenho pra dizer
Se eu só pudesse te olhar
E se tens em mim o teu revólver
Hei de ti próprio disparar
Por onde é que andarás?



terça-feira, 17 de maio de 2011

Aos que virão depois de nós

Tentar entender as pessoas é não querer ficar sã. Mas a sanidade não é o bastante pra viver o que há de ser vivido.



Aos que virão depois de nós

I

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

III
Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

...
Bertold Brescht

Devaneios

Não vejo o sol há dias. Acho que ele não quer me ver.
Ele está cansado de, às vezes fazer meu cabelo secar, enquanto estou deitada na cama.
Ultimamente as nuvens cinzas dominam por aqui. E é impressionante como minhas mãos não aquecem.
Meu corpo é frio, mas não sinto tanto frio assim.
O frio é algo com  o qual já me acostumei. Eu gosto dele.
Gosto de sentir a água gelada em minhas mãos até meus ossos doerem; e depois esquentá-las só pra sentir como é bom mantê-las aquecida quando está muito frio.
Qual será a probabilidade de quando eu ficar mais velha, o reumatismo me atingir?
Não me importo com isso agora.
Me importo em acordar e ao tomar café, não tomar café, mas beber um capuccino três corações ou leite com nescau, em uma das minhas canecas.
Gosto de tomar banho muito quente, e ao fechar a janela, sentir o vapor subir até embaçar o espelho. Gosto de fazer desenhos ou escrever algo nele; e no outro dia rir do que foi escrito no dia anterior. Ou então, desembaçar apenas a parte que cobre meu rosto e perceber o quão meus lábios ficam rosados...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Humor de verniz

Vou andando devagar por onde passo
Observando a natureza
Que tristeza
Nessa mente de embaraço

Vou ouvindo o que diz
E a euforia interior
Não condiz 
Com meu humor de verniz

Não há como negar
Há uma alegria neste olhar
Alegria essa que vem e não demora
Indo embora assim, outrora...