quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Martelo suspenso no deserto



"Inalo o cheiro de chuva que derrete a consciência do saber
Relincho nas largas e poderosas pálpebras da escuridão
O fulgor do vazio na contradição
Eu sabia
Antes mesmo do último homem ver
Nossa anomalia
Da ventura faço a maldição
Sucumbir nas penas do pavão
Entrelaçados estamos
Pela sopa de palavras que construímos
Floresta adentro vamos
Rimos alto
E
Num salto
Sorrimos
Clarão a entrelaçar os túneis à frente
Já não vejo mais nada
Tudo ficou branco
Tenho na palma esquerda seu rosto
Não posso acreditar
As praias me roubam da superfície da nuvem
Feitas de algodão
Descanso no mais além
Esperando a chegada de outrém
Não virá
Mas fantasmas em bando virão
Serão eles minha companhia
Minha fogueira
Na era dos espelhos indecisos"

(Laís Thalles/ Paulo Sposati Ortiz)

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