sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Chá do sopro vermelho

Sorriso empedrado no deserto sulfuroso
Acaricia as manhãs de fevereiro- carnaval
Plumas espalham a beleza inefável
Carnívora e destrutiva
Pássaros amarelos rodeiam ampolas de morfina
E deixam engendrar no céu opaco da nudez
Guitarras que saltam do viaduto do chá
Corpos debruçados
Vozes se unificam
Veias incham o verde pálido
Formigamento esquelético da mão na barra de metal 
Fragmentos de pés no asfalto
Deixam saber que a hora chegou.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ao colorir insigne


Emudeço nas manhãs incertas
O calor do não querer
Não por nada
Mas por tudo
Tudo o que diz respeito a vontade de lograr os fins
Piso no piano que toca a sinfonia amarga da vida
São apenas sons coloridos
No derradeiro pensar
Apenas o heroísmo puro e descontrolado
Causador da insanidade
Como quem não quer nada
A desfaçatez caminha sobre as águas corrompidas
E as lamparinas não deixam de iluminar
O homem atroz que insiste em negar si mesmo
O delírio é uma desculpa que estabiliza o ser iníquo
E faz do mesmo possuído por algo
Pancadas nos objetos fazem da lembrança, vertigem
Corvos negros anunciam a chegada do mais além
O azul no amarelo ouro traz o preto voador
Que espanta o céu triangular do desejo suicida
E deixa a dualidade sangrar
Nas entrelinhas não pintadas do mistério