segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Quiçá as nuvens ainda sejam algodão

O calor me enfraquece
Alegria dissipada em saudade congelam seres pares
Sou algum número ímpar em meio a uma dedicatória esquizofrênica
Um novo ano está pra chegar
E parece que as coisas serão as mesmas
Encontro sem abraço demorado
Sem olhares e sem por quês
Permaneço estática
como um borrão de tinta impermeável que não escorre mais
Reciprocidade se esvai em estrelas
Será que o meu amor é mesmo meu?
Felicidade e angústia
Sinto como se fossêmos estranhos
Sem balões pra decorar
Sem sextas-feiras pra amar
Sem Domingos para enfeitar
Sem tempo pra estar
Cem dias pra raiar
O tempo 
Interrompido
O tempo
Nunca existiu 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Hora de celebrar a si mesmo

Pele que descama sem querer
Lágrimas empilhadas, caídas em um amor desigual
Suspiro e nada sinto
Vazio colorido e metamórfico 
Transfigura-se em novas ondas borradas de tinta

sábado, 9 de novembro de 2013

Tempo de permear

Caminho por entre pedras e paralelepípedos
Sondando  uma presença vítrea de eros absense
Sinto-me sufocar a cada respiração
Numa naturalidade sem tamanho
Somos a flecha da liberdade

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Rios de pandora

A cada palavra não dita meu pulmão entra em coma. É como se eu estivesse num terraço de um prédio com cacos de vidro no chão e meus pés fossem tocando-os.
O sangue escorre cinza. Na face não há cor.
Na pele, os pensamentos são grafados com agulhas esquizofrênicas.
Elas não sabem o que fazem.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Meia-noite em São Paulo

O canto se faz em meio as brumas
Onde luzes habitam em pedras de alecrim
Somos  a pólvora que se deu num domingo de notas agudas
Enquanto Baco sussurra canções de algodão
O Sempre sempre esteve escondido como pingos de chuva 
Numa cidade que soluça a saudade

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Espectros lunares

Os pássaros cantam a urbe inflamada de pólvora
Eros que renasce em passos de quimera
Deixa estar o que se há de melhor em não dizer
Homem fumaça é engolido
O corpo degrada a cada não dito
Ser. Arte que escorre entre os muros
Poetizam as ruínas de um não ouvir
Energia se transpõe em corpos unidos
Um amor maior que não é tocado
É quando dou-me conta de que Saint-Exupéry tinha  razão
"O essencial é invisível aos olhos"

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entre cortinas & passos

Mente submersa dança sentimentos borrados
A cidade digere o amor
Corpos arrepiados
Desafios lançados
Apenas uma taça
Uma taça de vinho tinto seco
Solidão do agora que se completa em frases colombianas
A vida é tão imensa que se faz em estilhaços abruptos
Um outrém é lançado no ar
Movimento que cai como folha solta no ar
Solta o que há de animalesco 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A semântica da androclave

Num trago a cidade dorme
Horas  em cores suntuosas
Denotam o estrelato por acaso
Olhares que se perdem na multidão
Dessas luzes vejo corpos automáticos de almas inertes
Sinto o cheiro de verso incompleto
Do branco no preto que borra o vermelho e o faz sumir

terça-feira, 30 de julho de 2013

Desejo violáceo

Escorre em seu tecido vinoso
Uma esperança obscura
Ausência que se faz em tempo de despedida
Desejo vítreo recoberto de vermute
Pinga ácido pírico que  transita na corrente sanguínea
Mentes suntuosas perfuram o hipotálamo
Jorrando apenas estigmas de eros absence.



domingo, 7 de julho de 2013

Caminhar sem dois

A solidão escorre por  entre as paredes
Água guia a alma até o ralo
O cabelo gruda no batom que borra o espelho
Sorriso laminado envolto de gargalhadas & simpatias
Um querer que não se sabe
Caminha densamente até um clarão definitivo
Onde não se pode escolher em dias de pássaro
Um aninhar em mi menor
Um alinhar sem dor
Um caminhar sem dois
Dopamina

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quando

Um acontecimento lindo
O sol se esconde
Mas depois aparece sorrindo timidamente
Coincidências me perseguem
Aproximação que se faz em despedida
Quando?
Talvez um até logo
O segredo é a corrida
Entre linhas traços e bobagens
Um toque
O abraço que se desfaz em luz maior

sábado, 22 de junho de 2013

Vire o verso

Passo os olhos lendo um plural desfeito
Um sentimento de dor habita nas palavras
A espera é sempre dolorosa
E saber que há outra possibilidade
É como afundar as mãos nos ouvidos enquanto se deixa a água cair
Com a boca aberta a água escorre e se esvai
O amor é assim
A única coisa que se ouve num mergulho é a consciência de um corpo em liberdade

O sol me traz vertigem
Água escorre no espelho
O que se vê são olhos saltados
O vermelho define
Eros absence
Cordialidade tamanha em tempos de ausência
Apenas

terça-feira, 18 de junho de 2013

De tarde a palavra

De um lado uma história que nasce
Em meio aos dias de veludos
Envoltos de uma felicidade esgarçada

Do outro
Uma vontade anárquica invadindo os asfaltos
Verde.
Um verde que não gosto.
Uma cor fora de moda.
O vidro intacto com uma taça
Simbolizando o vazio
O país se move
As risadas movem

Apenas um olhar e um sorriso 
em meio aos quatro vidros e um telefone
Com uma gravação tão alta 
Que é preciso afastar o aparelho do ouvido.

Decisão.
Cisão.
Corte.
Sorte.
Quem sabe.

Poesia presa numa estréia de Genet
Como se por um instante pudesse estar em calçadas preto e brancas 
De uma bossa nova esquecida
Onde a presença é na verdade uma ausência embebida de um pólem grotesco

É natural
O diferente é normal
Normalísssimo sem atração
À espera de um balcão
Numa cadeira descascada
Que celebra a alegria do não querer

Sorrisos amarelos
Sorrisos
Só risos.
Só.
Ris sós?
É a solidão que te bate na porta
Porque quer companhia


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Muros gelatinosos

Toque para escrever
As palavras são sombras da consciência 
Navego por entre os mares do Adeus
Sentimento plural singularizado
Encontros de olhares nulos
Como se o sol pudesse adoçar os ventos

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entre janelas & grama

Vontade estranha de abraçar
Vejo o sorriso largo em meio aos raios de sol do parque
Sei que é o sonho em segunda camada
Mas isso não me tira a felicidade
Serenidade que se instala no verniz ao som de cantos gregorianos
As palavras que são ditas não são verbalizadas
Não passo de verbos me meio a suas frases
Somos o que queremos ser
Quando e como queremos ser

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Até que algo desperte

Quando se fecha os olhos
Uma nuvem de verniz desaba sobre mim
É como se a poesia andasse de esquina em esquina à procura de um poeta criador
Estado de superioridade?
A questão é optar em dizer ou não
As pessoas não conhecem o lado B das coisas
Ainda continuo com minha tese
Não vejo necessidade em sorrir o tempo inteiro
Em praticar conversar enfáticas 
Em transbordar uma alegria esburacada
Palavra é energia
Não desperdiço energia
Minha alma criadora de reinos abissais
Perfura o sentimento demasiado aborrecido
Estou em pausa e permaneço nela até que algo me desperte

terça-feira, 7 de maio de 2013

Um tilintar de veludo no ar

Sinto o vento gelado entrar em meus pulmões.São onze e dez e o sol deixa meus olhos pequenos.
O cabelo sempre no rosto faz eu contar quantos fios estão grudados no meu batom
Caminho por entre as entrelinhas em uma presença que já não faz diferença. Somos quem somos e o que os outros dizem que somos.

domingo, 28 de abril de 2013

Ao meu compasso mudo

Hora de ter o meu próprio barco
Cair no balanço enjoado do mar & desaguar amores
Ouço um barulho inexistente de um despertador
O lilás me cerca em dias cinzentos
As pálpebras ficam pesadas & adormeço à meia-luz
Onde as cordas tocam a essência que se faz em segredo
Meus pés envolvidos por uma camada macia tocam o chão
Onde danço uma dança clássica & desajustada
O olhar espanto encanta
Dissemos versos que se perderam no agora
Versos prontos para serem desfeitos em águas quentes
Há uma nota de solidão no sol que pede licença pra entrar
Num ar de despedida
Extasiada respiro a cidade-nuvem

sábado, 20 de abril de 2013

Cronos & absence


Estou em pausa.
Em caos.
Fora de órbita por tempo indeterminado.
Sou só o  reflexo borrado num espelho manchado de beijo
Onde o Amor só passou pra dizer Olá
É como se a terra me engolisse
E por um instante eu tivesse subido à superfície
Mas logo retornaria ao Abissal
Sou o espectro de uma ausência-plural
Hipnótica
Transbordo-me em desenhos que me intrigam
Reinvento-me  em poeira cristalizada
Onde as gotas de água asfixiam-se num pôr-do-sol anêmico

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cubos revelam a ausência

Dia de pausa
Pausa no corredor
Pausa no olhar
Pausa no falar
O difícil é seguir com a pontuação.
Seres viajando dentro da mesma cadência de um labirinto
O frio quer me congelar
Na fumaça do cigarro
As palavras não proferidas voam & querem dizer algo
Mas logo elas somem.
Invadir
Se adentrar num campo minado
É assim que vejo o caminho do sol
Como não respirar o frenesi de uma cidade embriagada?
Não querer estar.
Poesia conturbada & prematura se esvai
não há dúvidas.
Não a dúvidas.
Não há. Duvidas?
Estranheza se faz num moleton quentinho.

sábado, 13 de abril de 2013

As notas da chuva

Em meio a noites de capuccino
Me perco nos desenhos a canetinha
Danço com um chapéu uma dança de olhos fechados
As notas estão quase inaudíveis
Entro em transe
Sou agora uma alma afogada no travesseiro
Onde o sol cega os meus olhos
Versos espalhados entre o meio-fio
Perfumam o que não mais será lembrado

domingo, 7 de abril de 2013

Reconforto em abraço

Quando o dia termina sinto que sou uma unidade dissipada
A lua contamina o cinza de minha alma
Vidro quebrado em meio a versos não proferidos
Denotam a cor do céu amanhã
Se apenas soubéssemos que a solidão não nos deixará em paz
Estaríamos conectados
Como quando andávamos em noite de chuva fina
Pelas calçadas em reforma
Onde o jazz se faz numa bebida escarlate
O gosto é engraçado
& o sorriso continua largo
Como não pensar em amores ímpares & pares?
Com não virar verniz em dias de cachecol em meio aos livros
Refaço o mesmo caminho
Onde de cima eu posso sentir o cheiro dos livros
& ReAcordar as sombras de um plural apressado

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que se perde enquanto se respira

Por mais que você queira tentar esquecer algo ou alguém
É fato que se for por obrigação, você não vai esquecer.
Minha alma já esta inundada do abismo mais azul que penetra nas pedras inquietas da torre mais alta.
Sinto como se meus pés pesassem uma tonelada em meio aos pingos de chuva de uma noite de gargalhadas
O tempo é tão pouco quando se quer abraçar o mundo
Quando se quer escrever mil poemas
Quando se quer cantar a poesia em forma de tinta
Quando nos pegamos em meio aos devaneios mais obscuros
Espera-se que surja uma luz
E nada vem
Espera-se que a esperança te acompanhe
Mas quando se olha pra trás ela esta lá
Ainda muito longe da vida
Ah, se a vida fosse mais perto
Ah, se o pôr-do-sol nunca se pusesse
Poderia analisar a pincelada da sorte
Se eu pudesse delinear os vitrais da solidão com um batom vermelho...
Sepultura que imerge entre linhas e palavras doloridas de tanto que se espreme
Separam a poesia pura de algo que nunca será lido
Sinto como se eu mergulhasse entre duas dimensões
O ar que eu puxo me puxa pra baixo
Onde estou a base de múltiplos Eus
& É assim que eu apalpo a vida

sábado, 30 de março de 2013

Deformidades de canecas cintilantes

A solidão te visita quando não se pode retornar onde tudo começou.
É como se perder em seu próprio caminho e esquecer os segundos que modificaram a sua vida.
Sou o espectro de uma noite congelada
Onde as pontas dos dedos não se tocam mais
É como acordar em meio a um parque  de abraços secos & molhados
Seus olhos não mais passarão pelas palavras que aqui escrevo 
Porque acompanhar lírios brancos em meio ao caos é esperar demasiadamente 
Querer um contato é querer demais
Onde já não se sabe se o céu é mesmo cinza
Nuvens acalentam os bichos da alma
Vivo em meio a deformidades que sangram a linha do tempo
Onde um sorriso ultrapassa qualquer dor e lágrima que vier
Teria sido sem querer se tivesse havido choro em tempo de pipas
Respiração aniquilada entre conchas & temakis
Deturpam o que há de mais sagrado entre um amor e uma despedida

terça-feira, 26 de março de 2013

Bilhete circunstancial

Ando por entre as calçadas marcadas de giz
Onde as pessoas pedem perdão em silencio
Ninguém se olha
Mas todo mundo se vê
É como se fossemos bolhas coloridas que sucumbem o por do sol
Já não existe mais natureza nos atos
A respiração é outra
O tempo é outro
O tempo é a dor da alma que se multiplica em amuletos  secretos e intocáveis
Onde as corujas inalam o não saber
Desejo cinza sem reabilitação
Embalam as certezas que se deterioram em menos de cinco minutos
Revoltar-se
Prestar atenção  duas vezes até que sua mente cuspa a tinta que escorre por entre as veias
Cor silenciosa que chora como as árvores em dia de segundas feiras
Respiro o livro cigarro onde encontro o ponto  de partida
Não poderia ser tudo um pouco mais  natural?
A naturalidade esqueceu o caminho de ida
Vozes sucumbem o pensamento gélido das palavras ditas e não escutadas
Mente abstrata vaga paralelamente em faixas vazias de estacionamentos
Relembrando  poemas de Manoel de Barros
Onde o outro vira eu
Que viro vento
No relento da felicidade
Ouvira o que já não se pode mais julgar
Porque um mais um é igual a dois

domingo, 24 de março de 2013

Sopro

Sinto o chão me engolir
Os olhos perfuram a alma
& deixam escorrer o que há de mais obscuro
Respiro o abismo
Deixo estar  o pensamento que pesa entre a garoa fina e o asfalto
Apenas Três segundos em que  a vida te diz Olá
O Caos retorna
Na verdade ele nunca se ausentou
Estou ausente.
A ausência é como quando viramos pó
Quatro horas apenas
O tempo não é mais tempo quando se está preso
Meus pés faíscam o presente
Embebendo a alma  que exala sublimação


sexta-feira, 15 de março de 2013

Verniz aos olhos

Pensamento transborda em chá de camomila
Apenas um segundo que se perde
O ar é inalado como quando a chuva molha as pétalas de um lírio
Já não se percebe o perdão que se esconde poe entre as palavras
Sou a respiração congelada
De uma metafísica ultrapassada
Sou a água quente que escorre num corpo esgotado
Sou o sino que soa a solidão

domingo, 10 de março de 2013

Quando as memórias se esvaem

Nas esquinas aveludadas mordisco a saudade
A saudade é como quando as folhas caem no outono
Quando não se sabe o caminho de volta
& você caminha por entre as árvores infectadas de desdém
É assim que você sobrevive
Quando seus olhos já não aguentam mais arder
O fogo corrompe o que ainda resta de pureza
Sou a água que invade a avenida principal
Sou o castelo de gelo que suporta um martelo voador em seus dias inebriantes
Sou os olhos da felicidade mistificada
Por onde as pessoas passam e deixam sua alma
Sou o crânio que nele habita lírios ensandecidos de luz
Sou a corrente embutida numa imagem congelada 
Onde é melhor não dizer nada ao amanhã
Caminho no asfalto que perfura meus pés
Onde prefiro matar o símbolo verde
Na dor  que dá-se quando a última frase é dita.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quando o ar dissipa

A cada sol que nasce, sinto que o amanhã é o hoje.
A cidade está vazia. Não há muitos carros na cidade, mas a chuva toma de conta.
Chove como quando o jazz ainda ecoava em nossos ouvidos.
Gotas me fazem deslizar por entre as calçadas famintas de balões vermelhos.
Por que não deixar tudo como está?
Imagem dissipada em sorrisos.
Só.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Entre Velas

Entre velas, dá-se o recomeço.
Vozes ecoam nos pilares de açúcar
Onde a cera derrete e pinga no chão de abelha.
A cidade está vazia
& o sino bate oito horas
Ando sem cascos nas avenidas deturpadas
Onde um mendigo sonha em tocar saxofone.
Invisibilidade transmutada negocia com os olhos do passeador
O barulho é ensurdecedor
 A cidade Dopamina  atravessa o sistema nervoso central
& Aniquila qualquer estado de fúria social

domingo, 13 de janeiro de 2013

A cidade chove e a saudade pinga como se o tempo fosse o senhor da razão.
É incrível como os lírios emudecem diante do olhar de conchas que sorriem lúgubremente.
Por que não deixar que os balões escapem?
Singular e plural que invade e explode em lágrimas.
Como será estar acordado  por vinte e quatro horas, só pra te ver dormir?
Que cor será a tinta borrada que certa vez pintou a minha face?
O bilhete no sonho diz: -O amor é uma couraça atrofiada pelo depois.