domingo, 28 de abril de 2013

Ao meu compasso mudo

Hora de ter o meu próprio barco
Cair no balanço enjoado do mar & desaguar amores
Ouço um barulho inexistente de um despertador
O lilás me cerca em dias cinzentos
As pálpebras ficam pesadas & adormeço à meia-luz
Onde as cordas tocam a essência que se faz em segredo
Meus pés envolvidos por uma camada macia tocam o chão
Onde danço uma dança clássica & desajustada
O olhar espanto encanta
Dissemos versos que se perderam no agora
Versos prontos para serem desfeitos em águas quentes
Há uma nota de solidão no sol que pede licença pra entrar
Num ar de despedida
Extasiada respiro a cidade-nuvem

sábado, 20 de abril de 2013

Cronos & absence


Estou em pausa.
Em caos.
Fora de órbita por tempo indeterminado.
Sou só o  reflexo borrado num espelho manchado de beijo
Onde o Amor só passou pra dizer Olá
É como se a terra me engolisse
E por um instante eu tivesse subido à superfície
Mas logo retornaria ao Abissal
Sou o espectro de uma ausência-plural
Hipnótica
Transbordo-me em desenhos que me intrigam
Reinvento-me  em poeira cristalizada
Onde as gotas de água asfixiam-se num pôr-do-sol anêmico

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cubos revelam a ausência

Dia de pausa
Pausa no corredor
Pausa no olhar
Pausa no falar
O difícil é seguir com a pontuação.
Seres viajando dentro da mesma cadência de um labirinto
O frio quer me congelar
Na fumaça do cigarro
As palavras não proferidas voam & querem dizer algo
Mas logo elas somem.
Invadir
Se adentrar num campo minado
É assim que vejo o caminho do sol
Como não respirar o frenesi de uma cidade embriagada?
Não querer estar.
Poesia conturbada & prematura se esvai
não há dúvidas.
Não a dúvidas.
Não há. Duvidas?
Estranheza se faz num moleton quentinho.

sábado, 13 de abril de 2013

As notas da chuva

Em meio a noites de capuccino
Me perco nos desenhos a canetinha
Danço com um chapéu uma dança de olhos fechados
As notas estão quase inaudíveis
Entro em transe
Sou agora uma alma afogada no travesseiro
Onde o sol cega os meus olhos
Versos espalhados entre o meio-fio
Perfumam o que não mais será lembrado

domingo, 7 de abril de 2013

Reconforto em abraço

Quando o dia termina sinto que sou uma unidade dissipada
A lua contamina o cinza de minha alma
Vidro quebrado em meio a versos não proferidos
Denotam a cor do céu amanhã
Se apenas soubéssemos que a solidão não nos deixará em paz
Estaríamos conectados
Como quando andávamos em noite de chuva fina
Pelas calçadas em reforma
Onde o jazz se faz numa bebida escarlate
O gosto é engraçado
& o sorriso continua largo
Como não pensar em amores ímpares & pares?
Com não virar verniz em dias de cachecol em meio aos livros
Refaço o mesmo caminho
Onde de cima eu posso sentir o cheiro dos livros
& ReAcordar as sombras de um plural apressado

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que se perde enquanto se respira

Por mais que você queira tentar esquecer algo ou alguém
É fato que se for por obrigação, você não vai esquecer.
Minha alma já esta inundada do abismo mais azul que penetra nas pedras inquietas da torre mais alta.
Sinto como se meus pés pesassem uma tonelada em meio aos pingos de chuva de uma noite de gargalhadas
O tempo é tão pouco quando se quer abraçar o mundo
Quando se quer escrever mil poemas
Quando se quer cantar a poesia em forma de tinta
Quando nos pegamos em meio aos devaneios mais obscuros
Espera-se que surja uma luz
E nada vem
Espera-se que a esperança te acompanhe
Mas quando se olha pra trás ela esta lá
Ainda muito longe da vida
Ah, se a vida fosse mais perto
Ah, se o pôr-do-sol nunca se pusesse
Poderia analisar a pincelada da sorte
Se eu pudesse delinear os vitrais da solidão com um batom vermelho...
Sepultura que imerge entre linhas e palavras doloridas de tanto que se espreme
Separam a poesia pura de algo que nunca será lido
Sinto como se eu mergulhasse entre duas dimensões
O ar que eu puxo me puxa pra baixo
Onde estou a base de múltiplos Eus
& É assim que eu apalpo a vida