sábado, 22 de junho de 2013

Vire o verso

Passo os olhos lendo um plural desfeito
Um sentimento de dor habita nas palavras
A espera é sempre dolorosa
E saber que há outra possibilidade
É como afundar as mãos nos ouvidos enquanto se deixa a água cair
Com a boca aberta a água escorre e se esvai
O amor é assim
A única coisa que se ouve num mergulho é a consciência de um corpo em liberdade

O sol me traz vertigem
Água escorre no espelho
O que se vê são olhos saltados
O vermelho define
Eros absence
Cordialidade tamanha em tempos de ausência
Apenas

terça-feira, 18 de junho de 2013

De tarde a palavra

De um lado uma história que nasce
Em meio aos dias de veludos
Envoltos de uma felicidade esgarçada

Do outro
Uma vontade anárquica invadindo os asfaltos
Verde.
Um verde que não gosto.
Uma cor fora de moda.
O vidro intacto com uma taça
Simbolizando o vazio
O país se move
As risadas movem

Apenas um olhar e um sorriso 
em meio aos quatro vidros e um telefone
Com uma gravação tão alta 
Que é preciso afastar o aparelho do ouvido.

Decisão.
Cisão.
Corte.
Sorte.
Quem sabe.

Poesia presa numa estréia de Genet
Como se por um instante pudesse estar em calçadas preto e brancas 
De uma bossa nova esquecida
Onde a presença é na verdade uma ausência embebida de um pólem grotesco

É natural
O diferente é normal
Normalísssimo sem atração
À espera de um balcão
Numa cadeira descascada
Que celebra a alegria do não querer

Sorrisos amarelos
Sorrisos
Só risos.
Só.
Ris sós?
É a solidão que te bate na porta
Porque quer companhia