quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Linguagem lunar

Hoje o dia está chuvoso
Esperando  as folhas das árvores enfeitar as calçadas
Sentada num banco a espera de uma gota cair sobre minha face
Olho pro céu e não vejo desenhos em nuvens 
O cinza toma de conta 
No cinza, há também a beleza embebida de vinho tinto
Logo estarei mais perto
Com meu braço aberto 
Poderei te abraçar
Na noite em que a lua brilhará
Porque ela estará olhando por nós

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Entre meses

O sol nasce
A beleza começa a emergir
Sentinelas me golpeiam como a onda que se quebra no mar
Pesco faroletes embebidos de alecrim
Calmaria se estabelece depois de um longo silêncio 
Lágrimas permeiam a epiderme que se desmancha no pôr-do-sol
Os dias passam lentamente 
Vejo mais do mesmo
Mergulho em um aquário com pedras e corais
O ar me falta em meio a ondas azuis  & acordo com o coração palpitado 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dali a pouco

Poemas rimados 
Metrificados
Permanecem intactos
Como o sol no deserto & seus cactos

Passeiam por entre as ruas
Como se fossem zumbis com suas mentes cruas
Vagam como fantasmas sem alma
Numa noite fria, chuvosa e calma

Um soneto nunca fiz
Automatismo psíquico me diz
Os versos vem na Aurora 
E se fazem poema outrora

Mansidão agridoce se esvai 
Até onde isso vai?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

De momento

Flutuo em trilhos azuis esperando que a chuva viesse 
Esperando.
 Se Deus chorasse eu estaria ali, sentindo a sua lágrima cair do céu.
Vibro alto e o que sinto é uma leve dor de cabeça passageira, que depois dito como se meu corpo estivesse sendo erguido por um fio condutor que vem  do meio da cabeça e segue a coluna vertebral.
Sensação boa, mas que não permanece tanto tempo assim; os dias passam, o novo surge e não o vejo mais.
Talvez eu veja metade dele.
O cinza e o rosa.
Rosa...Rosas. Todas elas morrem rápido demais. São arrancadas e permanecem belas, intactas esperando alguém sorrir de volta. Sabem que serão esquecidas, deixadas de lado, num jarro com água , mas mesmo assim não perdem a oportunidade de fazer alguém sorrir.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Senhorinha Florida

Estava eu, ali,  sentada naquele lugar, onde todas as coisas eram brancas.
Fecho os meus olhos e o que vejo são ladrilhos cor de mel. Sinto cheiro de talco, ao qual não me é estranho.
Abro os olhos e vejo a Senhorinha florida.
Mulata, de cabelos  brancos, curtos e crespos; seu semblante era de alguém que já carregou muito peso na vida; de alguém que passou por muitas dificuldades, mas que não se faz vítima. 
Ergue a cabeça e cumprimenta as pessoas quando passam ao seu lado.
Em seu rostinho metade paralisado, ainda resta um sorriso de quem um dia venceu.
Ah, Senhorinha florida, se tu soubesses como és querida por mim, esta que nem ao menos  te conhece e nem sabe o seu nome.
Sua netinha lhe esperava no fim da escada. Com uma bengala e uma bolsa de lado, desceu  em outro tempo, um pé, depois apoiava a bengala, e logo depois apoiava o outro pé. Estava ali, satisfeita, segurando no corrimão. Azul celeste, como a senhorinha. Celestial.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Pés dançantes

Entro em transe quando as linhas ficam dançando e me levam para um lugar onde se é palpável.
A vista cansa e então quando se olha pro lado, aquele universo é congelado por um instante e você continua ali, sentada, vendo as pessoas passarem de um lado para outro.
Pessoas se trombam na rua olhando para seus aparelhos eletrônicos.
Meus olhos retornam àquela página amarelada de grifos alaranjados. Como pode alguém ter tamanha naturalidade para decorrer sobre um assunto determinado tão bem?
Tão sucinto e tão mágico.
As imagens vão se formando ao som de uma ópera de Callas.
Um grande baile se é formado. Pés dançantes transitam por uma urbe desolada.
A pressão altera, o sol está escaldante.
Uma ópera ou som de uma sirene. Já não e sabe, o som se deixa confundir quando a percepção está sendo desviada por algum outro querer ou estado de alma.
Querer algo.
Ter vontade.
O que nos move?
O querer nos move?
Mas o que move o querer?
Um outro Querer?
Querer :  do latim "quaero, ere" , procurar, buscar, perguntar.
Querer não deixa de ser uma escolha. Quando se escolhe,  você exclui uma outra possibilidade.
"Ou isto, ou Aquilo" e por que não os dois?
Uma voz ainda ecoa. Que voz é esta, e que Eco é este?
Um som que se repete; no vazio de um ambiente inabitável.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Quarta-feira não é quinta, nem depois da Meia-noite

Hoje o sol foi o meu despertador
Mais um ano.
Deitada na quentura dos pensamentos, Gabo me veio a cabeça.
Velhice. Curiosidade. Tédio. Renovação.
O dia me presenteia com  Diamantes, Águas Vivas, Todinhos,Potinhos! cabeleira  e sorriso grandioso da negaiada; e me golpeia com Ursos silenciados (osos).
Ligação maravilhada, de manhã e de noite.
Amigos, amigos, amizade? 
Amizade

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Com a lei dos ópio

O sono vem como se não quisesse nada
Olhar entrelaçado sucumbe dimensões paralelas
Vontade de ter vontade de ser um pote
Porque no pote você toca o universo
"Imagens, imagens, sempre imagens"
Coladas ao corpo
Dissipam a existência
Espectros sensatos de uma manhã sem glória
Se esvaem
Não procure a felicidade
Seja.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Rabiscos de uma jangada vítrea

Páginas em branco soluçam o não dito
O silêncio congelado
Olhares incertos derretem meu pulmão
Tempo que já não é mais tempo
Novos ares
A saudade encandeia e pinta o sol de laranja
Num barco sem vela
Centauros tocam poesia que se esvai em pétalas
Imagens golpeiam-me em bases sólidas &
Dissolvem

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sensibilidade à capela

A graça na praça disfarça o chororô
Proximidade de despedida
Um nunca mais ao pé do ouvido
Triste jovem que passa longe
Sucumbe em alegria saturada

Tentativa que não se ouve
Que não se justifica
Que magoa e difunde
Somos o que ainda não nasceu

Ápice ilusório de quartas a tarde
Transmutam-se em vibrações de um campo de futebol
Um dia
Apenas um dia e as árvores todas estarão dando frutos

Amores brutos enlouquecidos
Desviados de suas preferências
Um fruto partido se tem em dois corações
Perdido em tristeza
Se faz assim o homem livre

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Linguagem vítrea

Ausência é tortura
Um sonho tão real e movediço
Sonhos. Vislumbres da realidade. Restos do cotidiano
Caminhamos os entre nossos próprios desejos
Apalpamos os sonhos que parecem nuvens
Somos a Carne que sucumbe ao por do sol que perfura a epiderme
Somos o encanto de hora polida em duetos de interfaces
Há um abismo entre o olhar é o falar
Deus,tende piedade de nós
O verde ainda permanece
Mesmo que não seja a cor preferida
Estado de consciência que transborda liberdade
Sussurros golpeiam-me a alma
Desejo de não estar
Deus, tende piedade de nós
Despedimos de nós mesmos
Pra onde vai a arte?
Arte que se quer escolher
Fazer o que se quer fazer
Emaranhado de pensares que não se dillui
Estado de corpo vítreo embebido do sangue de Dionísio 
Que se faz presente em em danças
Deus, tende piedade de nós
Somos o pó
Somos a voz aniquilada em muralhas ácidas prematuras
Deus, rogai por nós

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Aunque no sea por mi

En un segundo mi alma cambia de estado sólido a gaseoso
Oigo incertezas cantando por las calles
El sonido paraliza mi olor y no puedo despertar
Mi mente esta atenta a cualquier cosa, cualquier imagen distorsionada, aniquilada
De pronto, las almohadas me sofocan
Empiezo el día temprano y estoy dentro de una cueva, sufriendo de dolor En el silencio de la sonrisa una borrasca me invita a abrazar el abismo

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quando os versos despencam

Estrelas andam caindo no asfalto duro e sem graça
Saão duras e estranhas
O brilho já se apagou
Estão imperceptíveis 
A chuva toma de conta do humor ácido de a redoma de vidro
Um querer que não é o mesmo 
Águia esguia e calorosa drapeia o coração novo
Sinto-me aquecer e congelar
Histórias não serão mais contadas os falta de vontade
A arte está suspensa
Estamos sós.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Passagem de ida

Em dias cinzentos, de chuva, ouço seus passos de pés descalços pelo piso de madeira. O frio se convida para adentrar-nos.
Em tempos de poesia de luz vermelha, fecho os olhos e embarco num sonho triste de notas agudas e uma voz que já não ouço de longe.
O sol é o nosso despertador
Quando acordo, ali está você: pedaço de ouro que lapidaram demais
Pureza se esvai em muita fumaça de um sorriso que não foi visto
A beleza é passageira
Feliz é aquele que sabe conviver com si mesmo.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Pássaro (im)par

Voar por entre os muros de concreto 
Desfazendo-se em pedaços de rosas salgadas e sangrentas

Libertar-se

Alegrias que se dissipam em tardes de olhares
É só fechar os olhos e sentir a saudade batendo em seu corpo
Como quando sentimos o calor súbito sendo quebrado por gotas geladas de misericórdia

O primeiro a tornar-se dois
Surpresa intacta
Envolta de mimos e truques

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Entre quedas e confins

O barulho me atormenta
Não poder ter um minuto de paz
Ouvir aquelas melodias ridículas e podres de uma mesma nota
Fazem minha mente querer estar em outro lugar
Um falatório absurdo
Momento em que apenas um livro seria a chave
Lugares
Mares
Mergulhos
Apenas fechar os olhos e saber que está lá
O samba
Tão lindo e sutil
Em Cartolas brotam rosas maravilhosas
Um chapéu, uma xícara, um óculos escuro e só
Felicidade dá-se em passos de arco-íris.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O cru e o cozido

Com o telefone na mão espero o previsível.
Os olhares, os sorrisos. Indiferentes.
Por que não permanecer limpo como o seu girassol?
Uma luz verde pisca
Verde outro tempo
Passos  pequeninos saltitam na cerâmica ao som de calle 13
O tom camomila comprido se faz em dias de sol
O sorriso incompleto em formação
Aspirações 
Silêncio convertido em som

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A pedra-leão

Estar fora de si
Se ver no outro
Paradoxo  déjà vu
Transcendência
Cristal. O dia da ida. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dáme un Daime

Camino entre las nubes de la conciencia 
que sale 
En una noche de luna llena lejana
Sigo suspiros temblorosos 
Soy la flecha que perfora su abdomen
Soy la aguja que hace la puesta del sol no resucitar
Y que corrompe su alma

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Esquecer: verbo (in)transitivo

Caminho por entre o meio-fio
Apalpo pedras e precipícios
Meu rosto está coberto de letras de jornais
Um alfabeto
&
Mil pensamentos de Amor sucumbidos a uma vida singular
Quanto mais se sabe, mais se quer saber
Dualidade metamórfica dissipada numa linguagem vítrea do esquecimento
Permeia o âmago claustrofóbico
Afogo-me em taças caleidoscópicas  & devoro o mundo

sábado, 4 de janeiro de 2014

Pólen, porém pó além

A cada  minuto
Meus pés tocam a areia
Onda atravessa a alma
Desfaço-me em pétalas
Sinto  meu corpo flutuar
Como quando pisamos em nuvens
Caminho por entre os paralelepípedos
Planto pontos que iluminam o céu
Estrelas turvas
Choram uma saudade exaustiva
& Abafam a felicidade da Feliz Cidade

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Olhos de maçãs

Na madrugada sinto o peso do escuro
Fecho os olhos e meu corpo permanece intacto
Imagens dissipadas aterrorizam o âmago 
Sensação do não despertar
Unhas cravam numa calça jeans
Peito ardente num magnetismo sobrenatural
É hora de despertar
E nada
Ouço vozes ao longe
Gritos, sussurros & sorrisos 
Corpo estático
É hora de despertar
E nada
Língua pesa no palato que não se move
Escadas rolantes abissais
Silêncio permeável 
Entre imagens azuis interrompidas 
É hora de despertar
Gritos & lágrimas
São três da manhã

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Alquimia em água doce

O branco reaparece borrado com tintas vermelhas em beijos orquestrados de marfim
Sentinelas iludem as verdes bordas encarceradas da varanda em fumaça
O desenho nunca se repete
É lindo
Como um caleidoscópio em fumaça
Cores
Amores
Castos
Gastos
O arco-íris se faz em um só corpo
Solto pétalas de nudez em água doce
As cores vibram Drexler
Respiração dissipada em violão
Calmaria dá-se num mergulho de consciência
O Mundo desaparece quando os olhos se fecham em águas mansas