sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Entre meses

O sol nasce
A beleza começa a emergir
Sentinelas me golpeiam como a onda que se quebra no mar
Pesco faroletes embebidos de alecrim
Calmaria se estabelece depois de um longo silêncio 
Lágrimas permeiam a epiderme que se desmancha no pôr-do-sol
Os dias passam lentamente 
Vejo mais do mesmo
Mergulho em um aquário com pedras e corais
O ar me falta em meio a ondas azuis  & acordo com o coração palpitado 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dali a pouco

Poemas rimados 
Metrificados
Permanecem intactos
Como o sol no deserto & seus cactos

Passeiam por entre as ruas
Como se fossem zumbis com suas mentes cruas
Vagam como fantasmas sem alma
Numa noite fria, chuvosa e calma

Um soneto nunca fiz
Automatismo psíquico me diz
Os versos vem na Aurora 
E se fazem poema outrora

Mansidão agridoce se esvai 
Até onde isso vai?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

De momento

Flutuo em trilhos azuis esperando que a chuva viesse 
Esperando.
 Se Deus chorasse eu estaria ali, sentindo a sua lágrima cair do céu.
Vibro alto e o que sinto é uma leve dor de cabeça passageira, que depois dito como se meu corpo estivesse sendo erguido por um fio condutor que vem  do meio da cabeça e segue a coluna vertebral.
Sensação boa, mas que não permanece tanto tempo assim; os dias passam, o novo surge e não o vejo mais.
Talvez eu veja metade dele.
O cinza e o rosa.
Rosa...Rosas. Todas elas morrem rápido demais. São arrancadas e permanecem belas, intactas esperando alguém sorrir de volta. Sabem que serão esquecidas, deixadas de lado, num jarro com água , mas mesmo assim não perdem a oportunidade de fazer alguém sorrir.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Senhorinha Florida

Estava eu, ali,  sentada naquele lugar, onde todas as coisas eram brancas.
Fecho os meus olhos e o que vejo são ladrilhos cor de mel. Sinto cheiro de talco, ao qual não me é estranho.
Abro os olhos e vejo a Senhorinha florida.
Mulata, de cabelos  brancos, curtos e crespos; seu semblante era de alguém que já carregou muito peso na vida; de alguém que passou por muitas dificuldades, mas que não se faz vítima. 
Ergue a cabeça e cumprimenta as pessoas quando passam ao seu lado.
Em seu rostinho metade paralisado, ainda resta um sorriso de quem um dia venceu.
Ah, Senhorinha florida, se tu soubesses como és querida por mim, esta que nem ao menos  te conhece e nem sabe o seu nome.
Sua netinha lhe esperava no fim da escada. Com uma bengala e uma bolsa de lado, desceu  em outro tempo, um pé, depois apoiava a bengala, e logo depois apoiava o outro pé. Estava ali, satisfeita, segurando no corrimão. Azul celeste, como a senhorinha. Celestial.