quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Enquanto a lua cresce

Vou tomar um banho
Pra ver se a dor escorre pelo meu corpo e se vai
Água quente queima pensamentos
Sinto o ar úmido 
Vejo o espelho embaçar
Azulejos suar
E minh'alma não descansar
A saudade me fere
Como uma farpa no pulmão
Estilhaços brilham em minha pele 
Sou um fragmento

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Eldorado

Essa dor está me consumindo 
Sinto que perco um pouco de mim a cada dia
Pensamentos ininterruptos 
Mas ao pousar minha face no descanso 
Tudo retorna e de maneira intensa 
A falta me aniquila
E ainda sinto seu suor 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Dolorida alma cinzenta

O céu está cinza
Como o meu
Aperto o botão do automático 

Está doendo
Uma gota pinga no meu cílio
E lembro como o seu é lindo
Quereria eu estar contigo 
Sem medo, morte nem perigo
Quereria eu que o tempo gongelasse
E que aquele momento durasse muito mais
Quereria eu poder ter te observado mais
Mimado mais
Mesmo sabendo que tudo poderia se esvair
Quando eu cair
Não passarei do chão 
Mas quereria eu ser um pedaço de algodão 
E não morar na solidão 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O depois, o agora e o antes

Os dias passam
As horas permanecem congeladas
E a minha vontade de te ver aumenta

Cristais deslizam sob minha epiderme
Sem querer
Eu te conheci
Vi o bem
Te vi erguer as mãos pros céus e agradecer
Te vi sorrir
Te vi gargalhar
Te vi fazendo uma careta que eu não gostava
Eu me vi em seus olhos
Me vi em cada parte

Sinto a morte mais perto
Sonhos confusos e reais voltam
Uma criança e um machado
Eu a vi
A nossa menina
Morrendo engasgada

Se eu pudesse voltar
Não faria nada diferente
Porque mesmo em dor latente
Amor grafa essência pura permanente

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O banquete

Está doendo
Como nunca antes
Estar longe me faz abissal 
Não te ouço
Não te vejo
Não te toco 
Não te sinto 
De onde eu sempre quis sair 
É minha nova morada 
E de lá não se vê a alvorada
As cores se perderam no ar
Por que não acreditar?
Ausência perfura o pulmão 
O ar me falta
A trovoada retorna  como quem não quer nada
E desaparece querendo tudo
Dor latente
Motor vermelho  cheio de estilhaços
Amores idos, ainda são amores
Bem feitor 
Com furor 
Inacreditável é
Na sua estrada 
Os trilhos são galáxias 
Espectros de constelações 
O amor talvez uma estrela aposentada
Onde está sua luz? 
Ouça-me
O desespero enfraquece 
Não queira abraçar o mundo
Despido já está desde que nasceu
Sentinelas golpeiam-me com seus flashs de epifanias 
Agonia instaurada em algum canto 
Canto pra que os Deuses me ouçam
Permaneço parada
& Num banquete
Dionísio me serve uma taça de solidão 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Frame

Chame-me do que bem quiser, mas não nego meu amor
Negar é privar-se de muita coisa.
Olho para o lado e sinto o seu cheiro. Não é novidade
Fecho os meus olhos, e a imagem já está. Olho pro lado e sinto a trovoada em meus ouvidos como se o mundo fosse acabar. Talvez eu tenha voltado para onde eu nunca quis estar.
Pedras perfuram meus pés; olho para cima e vejo apenas nuvens sem nenhum formato. O eco é meu amigo.
Tudo é como se fosse um retrato, que não pode ser revivido.
Eu só quero que a chuva vá embora e que quando eu possa abrir meus olhos novamente, o sol esteja ali, clareando o meu espaço.
Gostaria de poder te dizer tantas coisas. Talvez a forma mais simples e a mais difícil seja essa: escrever de forma corriqueira.
Queria poder ter vivido mais, sorrido mais,viajado mais, te amado mais
Me desculpe se eu falhei.
Desculpe se eu só tenho 2 e 1

Querer demais

Estou mergulhando 
O ar me falta
Tento respirar e sinto a água no pulmão 
Está doendo 
Sinto agulhadas 
Minha cabeça está latejando e ainda não tenho sono
Lave o rosto
Penteie os cabelos 
E devore o mundo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Ser ei A

Sinto como se o vento secasse meu olhos
Quando fecho os olhos  ouço uma trovoada
Painéis complexos de cores vibrantes
Despejam notas musicais dançantes
danço sob o mar
E lá fico até virar sereia.