segunda-feira, 16 de março de 2015

Assinado eu

Meus olhos ardem amor
Nao levo nada além de uma dor
Teu respiro é minha cor
Quantos dias pra caminhar na plataforma sem sabor?

Outrora meu coração bate inquieto 
Quero sonhar e permanecer inerte
Meu eu num breu sem eixo nem teto 
Quantos pulmões quer que eu aperte?

Caminhando ouvindo uma canção 
Já não se faz do aço um coração 
Sua face aqui espero
Com pressa, e de modo eterno 



Estação sonial

Eu estava ali, deitada num branco totalmente branco, incandescente, enquanto, de longe, você surgia e se deitava ao meu lado.
Por muitos minutos seus olhos encontravam os meus, sua mão encontrava a minha, sua respiração era como a minha, tranqüila e quieta.
Uma estranheza de sonhar um sonho não vivido.
O mesmo sonho foi sonhado pela segunda vez.
O meu lado era o seu, e eu te olhava de cima, tão lindo e tão ali. Eu pude por um momento descansar meu corpo sobre o seu, ouvir seus batimentos, ver em seus olhos uma resistência, querer desmoronar e permanecer intacto. Seus olhos me dizem, seus olhos sorriem pra mim. Você se aproxima, me beija, e eu desperto.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cinza vazio

Preciso respirar cores 
Exalar sabores 
Te ver em mares azuis
De um dia de domingo preguiçoso
Pra eu não desintegrar
Te encontro cinza vazio
Com um buraco na face
Tudo desaparece
Anoitece 

Sentimento esquisito esse do não deixar
Te quero até o sol virar uma bolinha de gude
Amor
Amado
Te amarei até quando eu não puder mais

quinta-feira, 5 de março de 2015

Calendário eu

Eu arranquei a asa
O sangue está em toda parte
Minha alma está inflamada
Estilhaços perfuram meu abdômen 
Já não posso me curvar
Apenas fico em dançar as horas esquecidas
De outras vidas vividas
De espelhos ausentes
Descontentes
Parafraseio as notas musicais 
Em máscaras de carnavais
Que grudam na face 
E ao serem retiradas
Levam com sigo 
A pele que recobria um rosto pálido
Ácido mas doce
O que sinto
Não tenho controle sobre isso
Até parece que minha casa chama abismo 

terça-feira, 3 de março de 2015

Entre méritos

É tão estranho eu dizer meias palavras
Não sou meia pessoa
Não amo meio alguém 
As palavras te corroem por dentro
Te fazem congelar e descongelar o que quiser
Sinta a minha presença 
Sinta o meu cheiro
Você nem deve se lembrar 
Sinta as palavras grafadas na sua parede
Fortaleza esquizofrênica 
Vontade deficiente
Destino incoerente 
Podemos ser?
Amados?
Plural?
Tenho sair
Mas algo me puxa de volta ao abissal 

Turbulências de uma plataforma vítrea

Ao fechar os olhos
A escuridão aparece 
E você está ali
Sem escolher pra onde seguir
Amor derradeiro 
Te desfaz por inteiro
Ando no automático 
Permanecendo em pausa
PAUSA
Vontade de ir embora
Ir te encontrar
Em qualquer esquina de algum bar
Dançar até minha respiração ofegar
Desejar estar é pedir muito?

segunda-feira, 2 de março de 2015

Soma

Tive um sonho
Apenas uma palavra
Era o que me dizia
Deitado em minha cama 
Eu o abraçava
Sentia o tecido de sua roupa 
Minha voz já rouca
Sinalizava calmaria
Alegria momentânea 
Que meu cérebro apagou
Acabou
Percepção surreal
Eu sabia que estava sonhando
Que estava vendo o que eu queria ver
A saudade perfura meu tato
E não me deixa sentir
O dia continua
Em sua face pura e crua
Deixando pra mim 
O último lírio assim