Sunday, January 13, 2013

A cidade chove e a saudade pinga como se o tempo fosse o senhor da razão.
É incrível como os lírios emudecem diante do olhar de conchas que sorriem lúgubremente.
Por que não deixar que os balões escapem?
Singular e plural que invade e explode em lágrimas.
Como será estar acordado  por vinte e quatro horas, só pra te ver dormir?
Que cor será a tinta borrada que certa vez pintou a minha face?
O bilhete no sonho diz: -O amor é uma couraça atrofiada pelo depois.

Monday, December 17, 2012

Espectros de um plural

O tempo é tão pouco.
As horas caem como amêndoas esquizofrênicas no barco da saudade. E quando se vê são apenas lembranças guardadas dentro de uma caixa.
Sonhei com o abraço molhado dos parques de diversões; com os balões vermelhos onde sobrevoavam o Cristo Redentor e apenas sorríamos.
Sorríamos a inocência das lanternas em dias de chuva onde a reverência do pianista enlouquecia o ambiente com seu jazz encantador.
Tudo não passa de imagens e palavras sortidas dentro de um vaso chiado.

Sunday, October 7, 2012

No automatismo

Olhos de sangue que gritam o silêncio que arde nos raios da inconstância.
Olhos que desaparecem. E transformam. E transbordam. E transtornam.
Olhos de Édipo.

Corvos negros

Emudeço nas manhãs incertas
O calor do não querer
Não por nada
Mas por tudo
Tudo o que diz respeito a vontade de lograr os fins
Piso no piano que toca a sinfonia amarga da vida
São apenas sons coloridos
No derradeiro pensar
Apenas o heroísmo puro e descontrolado
Causador da insanidade
Como quem não quer nada
A desfaçatez caminha sobre as águas corrompidas
E as lamparinas não deixam de iluminar
O homem atroz que insiste em negar si mesmo
O delírio é uma desculpa que estabiliza o ser iníquo