Monday, December 17, 2012

Espectros de um plural

O tempo é tão pouco.
As horas caem como amêndoas esquizofrênicas no barco da saudade. E quando se vê são apenas lembranças guardadas dentro de uma caixa.
Sonhei com o abraço molhado dos parques de diversões; com os balões vermelhos onde sobrevoavam o Cristo Redentor e apenas sorríamos.
Sorríamos a inocência das lanternas em dias de chuva onde a reverência do pianista enlouquecia o ambiente com seu jazz encantador.
Tudo não passa de imagens e palavras sortidas dentro de um vaso chiado.

Sunday, October 7, 2012

No automatismo

Olhos de sangue que gritam o silêncio que arde nos raios da inconstância.
Olhos que desaparecem. E transformam. E transbordam. E transtornam.
Olhos de Édipo.

Corvos negros

Emudeço nas manhãs incertas
O calor do não querer
Não por nada
Mas por tudo
Tudo o que diz respeito a vontade de lograr os fins
Piso no piano que toca a sinfonia amarga da vida
São apenas sons coloridos
No derradeiro pensar
Apenas o heroísmo puro e descontrolado
Causador da insanidade
Como quem não quer nada
A desfaçatez caminha sobre as águas corrompidas
E as lamparinas não deixam de iluminar
O homem atroz que insiste em negar si mesmo
O delírio é uma desculpa que estabiliza o ser iníquo

Thursday, July 26, 2012

Cílios afogados nas labaredas ilusórias

"Quando os olhos caem
O que resta é agonia
Samambaias passeiam entre as cortinas da derrotas
Soldados montam em rochas esqueléticas
Na fúria mundana eu sou Vênus 
Estandarte que oscila entre o semear e o praguejar
Violinistas fazem a profecia na Avenida Paulista
Sou a marca de um soco inglês na sua sobrancelha
Sou o ácido nítrico que arde em seus olhos
Sou o sorriso que sangra a espinha
Sou a nódoa do paletó
Onde as bocas se enchem de violetas & rolam escada abaixo
Sou o chumbo que atravessa sua consciência
Sou o estilhaço fincado no seu hipotálamo
Sou o metal que suspende suas unhas
Sou o frenesi da tarde descompassada
Onde os pássaros deixaram sua morada
& fizeram do verniz
Caleidoscópio"