Sunday, March 10, 2013

Quando as memórias se esvaem

Nas esquinas aveludadas mordisco a saudade
A saudade é como quando as folhas caem no outono
Quando não se sabe o caminho de volta
& você caminha por entre as árvores infectadas de desdém
É assim que você sobrevive
Quando seus olhos já não aguentam mais arder
O fogo corrompe o que ainda resta de pureza
Sou a água que invade a avenida principal
Sou o castelo de gelo que suporta um martelo voador em seus dias inebriantes
Sou os olhos da felicidade mistificada
Por onde as pessoas passam e deixam sua alma
Sou o crânio que nele habita lírios ensandecidos de luz
Sou a corrente embutida numa imagem congelada 
Onde é melhor não dizer nada ao amanhã
Caminho no asfalto que perfura meus pés
Onde prefiro matar o símbolo verde
Na dor  que dá-se quando a última frase é dita.

Monday, February 25, 2013

Quando o ar dissipa

A cada sol que nasce, sinto que o amanhã é o hoje.
A cidade está vazia. Não há muitos carros na cidade, mas a chuva toma de conta.
Chove como quando o jazz ainda ecoava em nossos ouvidos.
Gotas me fazem deslizar por entre as calçadas famintas de balões vermelhos.
Por que não deixar tudo como está?
Imagem dissipada em sorrisos.
Só.

Wednesday, January 16, 2013

Entre Velas

Entre velas, dá-se o recomeço.
Vozes ecoam nos pilares de açúcar
Onde a cera derrete e pinga no chão de abelha.
A cidade está vazia
& o sino bate oito horas
Ando sem cascos nas avenidas deturpadas
Onde um mendigo sonha em tocar saxofone.
Invisibilidade transmutada negocia com os olhos do passeador
O barulho é ensurdecedor
 A cidade Dopamina  atravessa o sistema nervoso central
& Aniquila qualquer estado de fúria social

Sunday, January 13, 2013

A cidade chove e a saudade pinga como se o tempo fosse o senhor da razão.
É incrível como os lírios emudecem diante do olhar de conchas que sorriem lúgubremente.
Por que não deixar que os balões escapem?
Singular e plural que invade e explode em lágrimas.
Como será estar acordado  por vinte e quatro horas, só pra te ver dormir?
Que cor será a tinta borrada que certa vez pintou a minha face?
O bilhete no sonho diz: -O amor é uma couraça atrofiada pelo depois.